Por meio de agências especializadas, cães, gatos e até porquinhos podem ter seus 15 minutos de fama

Teca fazendo pose com uma bolinha em seu primeiro trabalho fotográfico
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Teca fazendo pose com uma bolinha em seu primeiro trabalho fotográfico
Até o mais duro dos corações se derrete na presença de cãezinhos. Pense num folheto de lançamento de imóveis: se for direcionado para famílias, são grandes as chances de um golden retriever ou um labrador estarem bem ali do lado das crianças. Em propagandas de bancos ou empresas de telefonia, são presença constante e carismática. Para isso, os animais são treinados, contratados e pagos. São bichos modelos.

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A produtora Ana Paula Amaral, 38 anos, descobriu esse nicho de mercado com Lancelot, seu beagle, adotado de um abrigo. Como o cão destruía a casa se ficasse sozinho, ela passou a levá-lo para toda parte. Foi durante um passeio com Lancelot que ela recebeu a primeira proposta para ele participar de uma campanha publicitária. Depois da estreia, começou a agenciar os pets de amigos também, e acabou criando a Cão Modelo. “Sempre precisei de bichos em produção de fotos”, conta. “Comecei a cadastrar os cachorros e faço um teste fotográfico para ver se ele se dá bem com a rotina de sessão”, afirma.

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Lancelot, o beagle que deu origem à
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Lancelot, o beagle que deu origem à "Cão Modelo"
Pet estrela
Diferentemente dos padrões rigorosos a que as modelos humanas se submetem, não há grandes pré-requisitos para a carreira no mundo animal. Todo bicho de estimação, a princípio, pode ser modelo. “Ele tem que ser dócil e sociável com pessoas, e se possível, com outros cachorros”, explica Ana Paula. Não precisa ser de raça nem ter pedigree; há todo tipo de demanda, desde raças com ar aristocrático a simpáticos vira-latas.

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Também não é necessário que o cachorro tenha adestramento. Quando é preciso algo específico, geralmente a campanha tem um adestrador para treinar o cão. “Já tenho mais de mil pets cadastrados”, conta Ana Paula. A maioria são cães, mas há também gatos, calopsitas... até miniporcos.

Os campeões de audiência são os golden retrievers e labradores, cães sempre associados a companheirismo e aconchego. “São os cachorros da família”, diz Ana Paula. Para editoriais de moda, cães fashionistas, como buldogue francês, lulu da pomerânia e whippet, fazem sucesso.

Bicho rico?
Quem pensa em fazer dinheiro com as campanhas pode desistir da ideia. Os cachês médios variam entre R$ 100 e R$ 800, dependendo do tempo de trabalho, mas não há garantia de trabalhos constantes. Filmes e séries, pelo longo tempo de duração, podem render um valor um pouco maior. “Meus cachorros não trabalham mais do que 4 horas, para garantir o bem-estar deles. Mais do que isso, contrata dois, para não cansar o cachorro.”

A arquiteta Camila Brito, 36 anos, até agora não fez dinheiro com a boxer Teca, mas ganhou mil elogios na família e na vizinhança. “Ela é simpática, toda fofa. Todo mundo tirava foto e ela saía super bem. Resolvemos tentar”, conta. Teca já fez duas sessões, uma de foto e outra de vídeo. “Ela adora gente, brincou, fez farra. Já reclamei que nos próximos tem que ter cachê”, diverte-se.

A gatinha Nikole é um dos focinhos mais conhecidos no mercado voltado para felinos. A dona, Cecy Passos, adotou a gata há 11 anos e se apegou de tal forma que a levava para todos os seus compromissos. Dócil, Nikole se deixa ficar no colo, posa para fotos, é tranquila mesmo com mudança de ambientes – característica pouco comum em gatos. “Eu viajo o Brasil com ela fazendo palestras, dando cursos”, conta Cecy, que abriu uma consultoria para o mercado de felinos e associou a gata à diversas linhas de produtos.

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