Saiba como levar seu cachorro sem saia-justa nas casas que aceitam animais de estimação

Paola e Samuca, frequentadores de restaurantes em Ipanema
Arquivo pessoal
Paola e Samuca, frequentadores de restaurantes em Ipanema
Samuca faz o maior sucesso em Ipanema. No quarteirão onde mora, chama a atenção, brinca com crianças, interage e ganha agrados de todos. O boxer tigrado de três anos e meio é tão querido que ganhou passe-livre em alguns dos restaurantes frequentados pela a dona, a produtora de eventos Paola Burle, 29 anos. Um dos lugares preferidos é o restaurante Alessandro e Frederico, em que cachorros são benvindos nas mesas da varanda. “Nós adoramos. Quando vejo um cachorro passando na porta, brinco, aviso que pode entrar, e o cliente já volta”, diz a hostess do restaurante, Carla Nunes de Araújo.

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De cachorros grandes e tranquilos, que ficam calmos debaixo da mesa durante a refeição dos donos, até pets pequenos e agitados que cabem numa bolsinha, a casa recebe todos, desde que sejam comportados e que seus donos tenham bom-senso. Pensando nisso, Paola descobriu um truque para garantir que Samuca dê menos trabalho. “Dou uma canseira nele antes, na pracinha. Senão ele quebra o restaurante inteiro. Ele tem que chegar lá “morto” e incapaz de se movimentar”, explica. “Samuca é benvindo em todas as lojas da região. As pessoas se derretem e chamam para entrar. Ele é extremamente conhecido: os bicheiros, o pessoal da farmácia, guardadores de rua, todos pedem para passear tirando onda. É importante ele sair comigo, cachorro que fica muito em casa fica muito agitado.”

Etiqueta à mesa
A estratégia de Paola está correta, segundo especialistas em comportamento animal. Leonardo Ogata, do site Tudo de Cão, afirma que, para o cachorro não se tornar um problema na vida de quem decide adotar um animal, ele precisa ficar bem integrado à vida da pessoa. “O ideal é que o cachorro possa ir ao maior número possível de lugares com os donos e que saiba se comportar”, diz. É comum as primeiras vezes serem mais tensas, até que o cachorro se habitue.

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Socializar o cão gradualmente ajuda também. “O dono pode começar por locais públicos como parques ou praças, em que é mais fácil controlar o cão. Depois, sair para tomar uma água de coco com o cão deitadinho no pé”, diz. Em casa, o cão precisa aprender a não pedir comida durante as refeições da família e aprender a ficar perto, deitado debaixo da mesa. “Quando ele estiver se comportando, já pode ir ao restaurante”, diz Ogata.

O especialista explica que toda raça tem uma média de comportamento, sendo mais ou menos sociável. “De qualquer forma, é obrigação do dono socializar bem seu cachorro”, diz. Outra dica é alimentar e dar água aos cachorros antes de sair, e ensinar o cão a fazer xixi sob comando. “Assim, o dono pode dar o comando de fazer xixi e só depois entrar no restaurante.”

Firmeza com os peludos
No Zena Caffé, em São Paulo, os cachorros podem ficar no terraço. “A gente oferece até água para eles. É da minha cultura, por ter trabalhado na Europa, onde isso é mais comum. Tem restaurantes lá em que os donos entram com os cães no colo”, conta o chef Carlos Bertolazzi, dono de um maltês que esporadicamente aparece no Zena. “Aqui, nos Jardins, as pessoas andam muito com seus cachorros”, comenta o chef, que tem diversos habitués que volta e meia aparecem com seus donos. “Um cliente até parou de vir depois que o cachorro morreu. Eram muito companheiros, vinham sempre”, lembra.

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Clientes do Zena, o casal formado pelo o empresário José Octavio de Castro Neves, empresário e por Érika Siqueira de Castro Neves, gerente de marketing, sempre almoçam no restaurante com Mister Big, um Spitz alemão anão. “A gente fala para ele ficar quieto, mas só funciona quando ele quer”, diverte-se José Octavio, que frequenta outros restaurantes acompanhado de Mister Big. “Já fomos com ele também no Espírito Santo, no Spadaccino, no Martin Fierro. Nos lugares que a gente foi nunca tivemos problema, mas dá para ver que algumas pessoas não aceitam tanto.” Geralmente, o casal vai aos lugares onde já sabe que o lulu da pomerânia é benvindo, e, para não ter surpresas em lugares onde vão pela primeira vez, sempre liga antes perguntando se cães são aceitos. “A gente procura restaurantes em função disso, é uma forma de estar com ele, que fica mais calmo. Ele chega em casa cansado, gasta energia.”

Mas os cães não são uma unanimidade. “O cliente da mesa do lado pode não querer um cachorro do lado dele”, conta a gerente de um restaurante nos Jardins, em São Paulo. “O dono do pet acha que o cachorro dele é o bicho mais lindo e bonzinho do mundo. Adoro cachorro, mas, se chega um cliente com um golden retriever, a pessoa da mesa do lado pode se incomodar. É diferente de pensar num animal de pequeno porte, que fica quietinho no seu espaço na mesa, numa bolsa”, conta. Hoje, a casa até faz vista grossa para cães de pequeno porte, mas já teve que recusar clientes com cachorros maiores.

O certo é evitar desconfortos com quem não gosta de animais. “Bom senso é bem escasso hoje em dia. Cachorro bem-comportado é um cachorro que ninguém nota que está lá. Só quem gosta vai perceber e buscar interagir. Do nosso ponto de vista , é o ideal”, afirma Ogata, do Tudo de Cão. Paola, dona de Samuca, conta que enfrenta as caras feias pondo limite no seu pet. “As pessoas têm direito de não gostar de cachorro. Eu mantenho ele bem perto, na coleira, para ele não invadir o espaço de ninguém”.

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