É possível encontrar equilíbrio em meio à turbulência da vida a dois. O exemplo mais famoso é o de Diego Rivera e Frida Kahlo

Frida e Diego: união calcada nos conflitos
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Frida e Diego: união calcada nos conflitos
Quando Frida Kahlo conheceu Diego Rivera, ela tinha 15 anos e ele 37; ela se impressionou pela figura do muralista, e colocou na cabeça que iria conquistá-lo. Dito e feito: seis anos depois, os dois se casaram. A história da vida em comum dos dois é contada agora pelo escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, no livro “Diego e Frida” (editora Record).

Tudo seria perfeito se Rivera não fosse mulherengo e Frida não tivesse um temperamento explosivo. O casamento percorreu caminhos tortuosos até culminar em uma separação onze anos depois – e, depois disso, em uma reconciliação. Apesar das peculiaridades, os aspectos gerais desta relação apontam para uma característica comum a muitos casais: a turbulência como ponto de equilíbrio.

O psicólogo e especialista em relacionamentos Ailton Amélio, professor do Instituto de Psicologia da USP, explica que há casais do tipo “volátil”, cuja personalidade forte faz com que briguem bastante, mas não se separem. “Existem pessoas que não põem nada embaixo do tapete, que não colocam panos quentes. É bem difícil conviver com alguém assim. Mas, ao mesmo tempo que essas pessoas têm o lado negativo, elas têm muita vida”, diz Amélio. Sobre as brigas, o psicólogo salienta que “o importante é como se briga e a qualidade dos bons momentos”.

Zonas de combate

A psicoterapeuta de casais Kelen de Bernardi Pizol diz que existem diferentes zonas de comunicação entre duas pessoas: na zona azul, a conversa flui; na amarela, o conflito começa, mas se limita à troca de opiniões em um “tom de voz que ainda é amistoso”; na zona vermelha, a discussão foge do controle e ocorre agressão pessoal – seja ela física ou psicológica. “O casal saudável não chega a essa zona vermelha, ou, quando percebe que chegará, dá um tempo e para a discussão”, afirma Pizol.

Dentro desta questão há o fator equilíbrio. A psicóloga Regina Vaz, autora de “Vamos Discutir a Relação?” (Editora Planeta), diz que muitos casais tendem a confundir equilíbrio com comodismo. Nesse caso, é preciso analisar e questionar se a relação não está ficando danosa demais.

De acordo com Ailton Amélio, a personalidade do casal depende das personalidades individuais dos dois. Por isso, cada casal cria um estilo. “Não há um modelo só. Se o casal brigar de um jeito que não seja destrutivo, não é ruim. É um estilo. O importante é saber reconciliar-se”, completa o psicólogo. Ele sugere uma regra que pode ser aplicada para analisar se uma relação é ou não danosa: a regra dos cinco. “Para cada coisa ruim, precisa ter cinco coisas boas para compensar”.

Conflito e superação

Ozzy e Sharon Osbourne: reconciliação e superação dos conflitos
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Ozzy e Sharon Osbourne: reconciliação e superação dos conflitos
Mas o que une os casais que vivem em conflito? “Há pessoas que, inconscientemente, buscam no outro o seu lado negativo. Normalmente, a autoestima desta pessoa é baixa – e ela acaba encontrando alguém que vai afundá-la ainda mais”, diz Regina Vaz. No caso de Frida, apesar da relação ter sido emocionalmente instável, ela foi primordial para que Kahlo se tornasse uma pintora conhecida. Os altos e baixos dela com Diego iam direto para suas telas. Foi por essa capacidade de demonstrar o que sentia de maneira tão verdadeira que ela foi reconhecida no mundo das artes.

Outro casal que transformou a turbulência em arte foi Ozzy e Sharon Osbourne. Com ele passando boa parte do começo do casamento sob o efeito de drogas, o casal era bastante violento um com o outro. Depois de sete anos, Sharon decidiu separar-se de Ozzy. A separação durou três meses, Ozzy foi para a reabilitação, os dois voltaram – e continuam juntos até hoje.

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