Em “Women Food and God”, a escritora Geneen Roth conta como a relação com a comida está ligada a sentimentos não revelados

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"Women Food and God" liga comida com as emoções deixadas de lado
Parece que os livros que misturam autoajuda e comida estão mesmo em alta. Na França, Stéphane Clerget fez sucesso com o " Les Kilos émotionnels ", que liga a influência das nossas emoções no ganho de peso. Nos Estados Unidos, a estrela do gênero é a escritora-guru Geneen Roth, autora de oito livros que variam sobre o mesmo tema: desvios alimentares revelam problemas emocionais sérios.

O mais novo deles, "Women, Food and God – An Unexpected Path to Almost Everything”, lançado  nos Estados Unidos, e já campeão na lista de Bestsellers do New York Times, bate na mesma tecla: a compulsão por comer menos ou comer mais é gerada por sentimentos distintos – que não a fome.

Desde a adolescência, Geneen Roth ganhou e perdeu muitos quilos, oscilando durante anos entre a obesidade e a magreza. Nesta época, ela odiava quase tudo sobre si mesma e acreditava que o seu corpo era o seu principal inimigo. A autora, que já fez sucesso com "When Food is Love", afirma que o modo como lidamos com a comida está relacionado às nossas crenças sobre a vida. Para ela, mesmo que algumas pessoas tenham em mente que o que as faz engordar é a maneira como se sentem, ansiosas ou deprimidas, por exemplo, é preciso ir mais a fundo ao que realmente está fazendo com que você coma mais ou menos do que deveria. A questão colocada e respondida por ela é: ‘Se a maneira como você se alimenta não é o principal problema, então, o que você está tentando evitar ao voltar-se para a comida?’

Em entrevista dada à Oprah Winfrey, Roth conta que muitas pessoas a procuram para livrar-se dos quilos a mais da maneira rápida. Para ela, porém, este não é o melhor caminho: “A menos que você realmente veja o que está te fazendo comer mais do que o ideal, seja acreditar que ‘o amor não é para mim’ ou ‘eu não mereço isso’, estas crenças continuarão a moldar a sua vida”.

Segundo a escritora, ao invés de se torturar para entrar em uma calça dois números menor, é preciso entender o que acontece dentro de si mesmo. Em trecho do livro, a autora afirma que: “Quando começamos a nos definir por aquilo que pode ser medido ou pesado, algo profundo dentro de nós se rebela”. Para que isso não aconteça, ela explica que todos os sentimentos devem ser bem-vindos e tratados com ternura, por mais que tenhamos vontade de dissolvê-los por meio da hiperalimentação.

Geneen Roth, autora de
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Geneen Roth, autora de "Women Food and God”, guru da autoajuda alimentar
De acordo com Maria Marta Ferreira, psicóloga clínica e autora do livro “Psicologia do Emagrecimento” (Editora Revinter), de Curitiba, Paraná, essa compulsão por comida pode ter origem desde nossos primeiros dias de vida. “Primeiramente, nos alimentamos no seio de nossa mãe. Depois, muitas vezes os pais nos presenteiam com algum doce ou salgado, somos recompensados por algo que fizemos de bom. Ainda, a maioria das interações sociais está ligada à comida, então é comum que mais tarde, diante de situações angustiantes ou frustrações, busquemos a comida como um anestésico”, afirma Ferreira.

Quando comer se torna um vício

Muitas pessoas tentam nutrir um vazio na vida com a comida. "E o pior é que isso não vai trazer uma solução e gera outros problemas, como o sobrepeso”. Além disso, um recente estudo publicado na semana passada revelou que os mecanismos do corpo que provocam vício em drogas são os mesmos que geram a compulsão por comer alimentos calóricos, tornando ainda mais difícil se livrar da compulsão alimentar.

Segundo a autora de “Women Food and God”, quando você come sem estar com fome, você acaba usando a comida como uma droga, para se livrar dos sentimentos que te trazem incômodo. No entanto, você só estará criando um problema secundário, um vício que pode ser a comida, mas também o álcool, o trabalho, o sexo ou a cocaína, por exemplo. No entanto, Roth afirma que ao chegar neste ponto, não é a alimentação o que você mais preza: é a inconsciência do acontece na sua vida.

A resposta não está na balança

Roth procura dar a saída para não usar a comida como uma válvula de escape e ir atrás do principal mal-estar. “Nós pensamos que somos infelizes por causa do quanto pesamos. Mas se passamos os últimos cinco, 20 ou 50 anos insistindo em emagrecer os mesmos cinco ou dez quilos, há outra coisa muita errada. Algo que não tem nada a ver com peso”, escreve.

Reconhecer este problema é o início para deixar a vida mais equilibrada. Roth ainda afirma que há o costume de acreditarmos que as dietas que realizamos não mudarão apenas nosso corpo, mas também nossa vida. E assim, nós fazemos um sacrifício enorme para sermos melhores. No entanto, não dá certo. Ferreira explica que é preciso tirar da mente que se fizermos uma dieta maluca ficará tudo acertado. “Isso não adianta, a alimentação é como uma teia de aranha e está relacionada a todas as áreas de nossa vida”, explica.

Embora pareça difícil, Roth afirma que a relação que temos com a comida, por mais conflituosa que seja, é a porta para a liberdade. Em seu site pessoal, www.geneenroth.com , ela explica que, ao analisarmos o que comemos – e o tanto que comemos - diariamente, desmistificamos a necessidade da perda de peso e chegamos à revelação pessoal que tanto afugentávamos por meio da hiperalimentação.

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