Tema de minissérie, a atual geração feminina de 50 não lembra em nada as mulheres de algumas décadas passadas

“Não trocaria minha idade por nenhuma outra”. A declaração da psicanalista Regina Amaral não deixa dúvidas de que ela se sente, como diziam nossas avós, “na flor da idade”. E é aqui que os desavisados podem tomar um susto: no último aniversário, Regina soprou 55 velinhas.

A mulher de 50 está em alta – não à toa que elas acabam de ganhar uma minissérie na televisão, “Cinquentinha”, de autoria de Aguinaldo Silva e estrelada por Marília Gabriela, Susana Vieira e Betty Lago. Segundo Dorli Kamkhagi, mestre em gerontologia e doutora nos Estudos do Envelhecimento da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), hoje em dia as mulheres começam, desde os 30 anos, a perceber o amadurecimento de forma mais confortável. “É um momento novo. De uns 15 anos para cá, filmes e programas de TV exibem mulheres mais velhas como modelos de identificação”, explica (veja imagens na galeria) .

O aumento da expectativa de vida também é responsável por esse novo sentimento em relação aos 50 anos: de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 1980, a mulher brasileira esperava viver 65,7 anos. Em 2003, a expectativa de vida chegou a 75,2. São quase dez anos adicionados à conta, fazendo com que os 50 sejam percebidos como a idade “do meio” e não “do fim”.

Por isso, se você se imagina aos 50 anos como uma bondosa e pacata vovó, cercada de netos e atada ao seu marido para sempre, esqueça. Hoje, as mulheres de 50 podem tudo – ou quase isso. “É importante saber quais são os limites, o que combina com a idade”, explica Dorli. “O curto do vestido da mulher de 50 não pode ser o curto do vestido da filha dela”, compara. E é justamente ao conhecer bem os seus limites que a mulher de 50 fica mais poderosa e interessante.

Autoconhecimento como chave

As mulheres que chegam aos 50 com capacidade de abraçar a sua própria história são as mais bem-sucedidas em lidar com uma idade que já foi assustadora. “A projeção que eu fazia dos 50, quando estava na faixa dos 30, era de uma velha”, relembra Regina, que tem dois filhos, ambos com mais de 30 anos. “Mas a vida ficou mais leve”, observa.

A geriatria recomenda que a mulher comece a se preparar para a velhice, no campo da saúde física, aos 35 anos. Mas, no âmbito emocional, é preciso tomar atitudes até antes. “Você tem que cuidar da emoção cedo. Comece a perceber as maluquices, os exageros, os sofrimentos à toa, para cuidar deles e chegar aos 50 vivendo tranqüila emocionalmente", recomenda Amélia Nascimento, psicanalista e programadora neurolinguística.

O momento das mulheres de 50 é propício para um balanço. “Reconectar-se” é a palavra-chave: redescobrir suas expectativas, ajustar as metas ao prazer de viver e jogar fora o que você não precisa mais são os conselhos de Dorli. “A beleza também surge ao nos despojarmos de algumas coisas, principalmente do medo. Quanto mais medo de envelhecer a pessoa sente, mais velha se parece”, completa.

O segredo, portanto, é levar em conta as experiências da vida, sem fugir delas ou tentar apagá-las – seja com botox demais ou consciência de menos. “Não é porque se pode parecer mais jovem que se deve negar a idade. É preciso levar em consideração o luto e as lutas, não se pode apagar a vivência”, adverte Dorli.

E, se vamos falar de vivência, uma mulher de 50 está obviamente mais preparada do que suas colegas de décadas anteriores para fazer boas escolhas. “Maturidade é saber quais coisas são realmente importantes”, define Amélia. As cinquentinhas que o digam.

Veja a galeria de imagens de mulheres famosas e personagens na faixa dos cinquenta:

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