Grávida de 8 meses, a webdesigner Elaine Costa está reajustando as contas para acomodar a renda no novo tamanho da família

A webdesigner Elaine Costa, 35 anos, sempre foi financeiramente independente e organizada. Mãe de Gabriel, 12 anos, filho do seu primeiro casamento, mora com o parceiro, o jornalista Rafael Rigues, 32 anos. Elaine está grávida de 8 meses, e devido a complicações, precisou parar de trabalhar. Agora, encara o desafio de receber Carmen sem dívidas, contando com o salário de Rafael e um auxílio financeiro temporário dos avós do bebê.

Grávida de 8 meses do segundo filho, Elaine Costa está tendo de usar a criatividade e muita disciplina para o orçamento fechar
Rodolfo Buhrer - Fotoarena
Grávida de 8 meses do segundo filho, Elaine Costa está tendo de usar a criatividade e muita disciplina para o orçamento fechar

Elaine e Rafael vão precisar rever o orçamento da família, já que a renda caiu pela metade enquanto as despesas vão aumentar. Como o casal não tem família em São Paulo, Elaine está morando em Curitiba, com os pais de Rafael, até o bebê nascer e poderem viajar para São Paulo, onde o jornalista trabalha – o que implica em despesas extras de viagem. A gravidez foi inesperada e, em vez de fazer um colchão financeiro para recebê-la, o casal teve de entrar em suas reservas financeiras e está fechando o mês no vermelho. O iG pediu ao Instituto Dsop que analisasse os gastos e receitas da família e indicasse caminhos para as contas fecharem.

Receber Carmen no azul
Elaine quer se organizar ao máximo para fugir do endividamento. “Em casa eu acompanhava minha mãe fazendo contas enlouquecidamente por causa das dívidas do meu pai”, lembra. “Aprendi também quando fiquei doente e perdi tudo, inclusive minha poupança.” Este ano Gabriel começou a tomar um remédio caro, e precisa colocar aparelho ortodôntico. Ela ainda precisa encaixar no orçamento um plano de saúde para o bebê, além das despesas comuns com uma recém-nascida. A primeira recomendação de Reinaldo Domingos, do Dsop, é fazer um diagnóstico preciso dos gastos, já que itens como o aparelho ortodôntico de Gabriel, por exemplo, não estavam orçados. “A partir daí, reúna toda a família para apresentar a atual situação e focar neste primeiro momento, nos sonhos individuais e coletivos. É preciso assumir o controle da saúde financeira da família”.

As principais sugestões de Reinaldo após o diagnóstico é cortar em pequenos excessos, que podem chegar a um valor entre 20% e 30% da despesa atual da casa. Reinaldo alocou valores para planos de previdência para Elaine e Rafael, e Gabriel e Carmem ganharam fundos que deverão custear estudos. “Até que Elaine não volte ao trabalho, os sonhos terão seus valores reduzidos. Na previdência privada da Carmen pode ser investida metade do valor, e os outros sonhos também deverão seguir reduções que caibam no orçamento mensal”, exemplifica o educador.

Corta e estica
“O que mais gostei na planilha é que ela levou em conta necessidades que estão sendo deixadas de lado no planejamento familiar como previdência privada. O exercício de colocar no papel as contas ajudou a clarear e definir decisões que já estavam sendo cogitadas”, conta Elaine. “De cara, iremos reduzir o custo com celular luz e trocar o telefone fixo separado, tevê a cabo e internet por um combo, reduzindo o valor dos três”, diz a webdesigner. Estão nos planos zerar as despesas segundo cartão de crédito, reduzir o valor das compras de supermercado e farmácia, o que será um desafio, já que os remédios são caros. Itens como a faxineira vão ter ajustes. “Ela é de confiança e está conosco há mais de um ano, não vamos trocar por uma desconhecida. Mas vamos reduzir as idas para 3 vezes ao mês para chegar no valor sugerido”.

Em vez de morder a poupança do casal, a meta é que volte a sobrar dinheiro no fim do mês. “Tínhamos colocado parte das despesas no papel, mas a planilha deixou alguns pontos mais claros e ajudou a ter novas idéias do que fazer”, afirma Elaine. “Algumas mudanças só poderão ser feitas a médio prazo, como mudar de casa e trocar a escola do Gabriel”, diz. “Tem a questão de voltar a trabalhar após a Carmen fazer quatro meses, que precisa ser planejada com calma. Não temos parentes para ajudar e a situação das creches em São Paulo é complicada”, pondera a webdesigner, que pretende trabalhar remotamente, de casa, nos primeiros meses. “Será um desafio interessante focar em não só reconstruir nossa poupança/reserva de dinheiro, como dividir parte dele entre as previdências sugeridas, porque vai exigir uma reeducação”

Gabriel vai participar mais das decisões que são tomadas pelo casal. “Além de entender o que está acontecendo em casa, ele vai poder participar ajudando a economizar na luz, demorando menos no banho, etc”, diz a webdesigner. Livros de educação financeira vão entrar na pauta – inclusive para o menino. “Essa reestruturação em casa vai ser um bom exemplo para ele. Creio que, conseguiremos chegar perto dos valores sugeridos. Estávamos meio perdidos com tantas mudanças, agora temos um rumo e novas idéias”, comemora.

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