Amigos adolescentes, festa, um jipe caindo aos pedaços e uma viagem para o litoral - na hora, Mario Canna não pensou no risco

Mario Canna (de xadrez) durante a viagem de jipe que, por sorte, não acabou em tragédia
Arquivo pessoal
Mario Canna (de xadrez) durante a viagem de jipe que, por sorte, não acabou em tragédia
Dias antes de comemorar o aniversário de 18 anos, o empresário Mario Canna, 32, estava numa festa com amigos, em São Paulo, quando alguém lançou a ideia: “Vamos descer para a praia?”. Não haveria nenhum problema, se o carro usado pelo grupo estivesse em condições de rodar, se os amigos que se revezaram no volante não tivessem bebido nem tivessem varado a madrugada acordados.

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As cinco pessoas do grupo, alguns menores de idade, juntaram os trocados que tinham no bolso e colocaram combustível em um jipe que estava no meio de uma reforma. “Era todo mundo molecada. Já era bem tarde, a gente saiu umas cinco horas, da sexta para o sábado”, lembra. “O jipe estava para ser reformado e tinha sido desmontado para ser pintado. Não tinha retrovisor e vidros. Fomos com o estepe, mas ficou em algum lugar no meio do caminho”, diz o empresário.

Canna não lembra quantas panes mecânicas o jipe teve no meio da estrada. “Antes de sair, tivemos que desmontar o carburador, na rua. Montamos de novo. Na ida, quebrou algumas vezes. A cada vez, a gente parava e resolvia do jeito que dava. Outro problema foi que a bomba de gasolina também tinha parado. Fizemos funcionar na base da gravidade, segurando um galão de gasolina de três litros acima do motor, com uma mangueirinha. Paramos mais de dez vezes”, conta.

Mesmo com os percalços e paradas forçadas, eles conseguiram chegar ao litoral. Na volta, o carro pifou de vez, na Rodovia dos Imigrantes. Apareceu um guarda. “Ele disse que a gente era louco, mandou guinchar, levou a gente até o Riacho Grande e disse para a gente sumir, antes que ele se arrependesse”. Nessa hora, no mínimo, Canna percebeu que tinham escapado de uma pilha de multas, apreensão do veículo, prisão ou algum acidente grave. Para piorar, ele sumiu de casa sem ter avisado ninguém. “Fui ligar para casa na noite de sábado, meus pais estavam desesperados, à beira de ir avisar à polícia que eu tinha desaparecido”. Ele admite que a carraspana foi merecida, e suficiente para ele não repetir esse grau de irresponsabilidade de novo. “Nunca mais entrei nessa. Não morri, aprendi.”

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