Diferenças de idade, religião e até de personalidade não impediram que essas mulheres comemorassem o Dia do Amigo

Nem os 22 anos de diferença impedem que tia e sobrinha sejam melhores amigas
Arquivo pessoal
Nem os 22 anos de diferença impedem que tia e sobrinha sejam melhores amigas
“A amizade é um vínculo simétrico, em que vemos o outro ser humano como nós. É um espelho”, afirma a psicóloga Cecília Zylberstajn, de São Paulo. Para ela, é muito saudável se preocupar com o outro e ter quem se preocupe com a gente. Por isso, quando o assunto é amizade, as diferenças de idade, comportamento e até crenças são minimizadas. O que importa é ter com quem compartilhar e zelar para este sentimento manter-se fortalecido.

Leia também:
Melhores amigas para sempre
Minha amiga foi traída: conto ou não conto?

Alguns relacionamentos de amizade são tão improváveis que parecem ter tudo para não vingar. Mas vencem as barreiras. É o caso de Rosilene Poffo, 46, psicopedagoga que, aos 22 anos, viu a sobrinha Nathalia Poffo Beltrame, nascer. “Quando vi aquele bebê nem imaginei que seríamos tão amigas”, conta.

CURTA A PÁGINA DO DELAS NO FACEBOOK E SIGA NO TWITTER

O tempo passou, Nathália cresceu e a Rosilene passou de tia a confidente. “Cumpria meu papel de tia que leva a sobrinha para passear. Depois, veio o primeiro namorado, segredinhos de garota, e notei a confiança que ela depositava em mim. Foi fácil identificar que estava nascendo uma verdadeira amizade”, diz a tia. Nathália concorda, e lembra que, quando menina, adorava ir trabalhar com a tia. “Também gostava dos sapatos dela, e imaginava que quando ela não quisesse mais, me daria”, recorda, aos risos.

Na adolescência, essa aproximação se solidificou. “Comecei a dar meus primeiros beijos e ia toda empolgada contar sobre os meus ‘namoradinhos’ para ela. Sempre foi um privilégio ter uma pessoa tão próxima para contar os segredos, desabafar, pedir conselhos e sair para barzinhos”, enumera a sobrinha.

Leia também:
Escolas americanas estimulam o fim do “melhor amigo”
Genes podem influenciar na escolha das amizades

E a diferença de idade não atrapalha? Nathália garante que não, ao contrário. “É muito bom compartilhar momentos importantes, e não fico um dia sem falar com ela”, afirma. Já Rosilene diz que as amigas da sua geração morrem de inveja dela. “Esses 22 anos de diferença nunca nos impediram de falar abertamente uma com a outra. Ela até prometeu me levar para conhecer uma loja de sex shop”, cobra a titia. Para Rosilene essa amizade é tudo em sua vida. “Quando estou viajando meu coração até dói de saudade; e é tão grande que levo uma foto dela na bagagem”, confidencia.

Silvia e Verônica: as religiões mudaram, mas a amizade não
Arquivo pessoal
Silvia e Verônica: as religiões mudaram, mas a amizade não
Fé na amizade, apesar de religiões distintas
“Fizemos a Primeira Comunhão juntas, mas com o tempo, cada uma seguiu por caminhos diferentes. Eu me tornei Espírita Kardecista e a Verônica, Evangélica”, conta Silvia Helena da Cunha, 33, professora. A amizade das duas começou na infância, quando eram vizinhas e, mesmo com crenças diferentes, nunca foi abalada. “A amizade envolve, acima de tudo, amor. E amor cobre todas as diferenças”, avalia Verônica da Silva Braga, 35, arquiteta.

Para Verônica, a receita para uma amizade vingar é respeitar os limites de cada uma. “E não precisamos estar sempre juntas, mas torcendo uma pela outra”, afirma. Hoje, Silvia é casada, e Verônica não. Isso faz com que muitos programas não sejam mais compartilhados. No entanto, estão sempre dividindo momentos importantes.


Leia também:
Amizade colorida: ter amigos de transa dá certo?
Amizades no trabalho: dá para misturar?

“Ela foi minha madrinha de casamento”, lembra Silvia. E para a professora, o fato de seguirem crenças opostas nunca as afastou. “Deus é um só, o modo que cada uma de nós escolheu para chegar até ele é diferente, mas nos respeitamos”, acrescenta. E prova disso é que, há alguns anos, Verônica resolveu realizar um Culto para comemorar seu aniversário. “Fui numa boa. Para mim, mais importante era compartilhar uma data tão especial, o aniversário de uma amiga tão querida”, considera.

Quietinha e bagunceira: Bianca e Priscyla na época da escola
Arquivo pessoal
Quietinha e bagunceira: Bianca e Priscyla na época da escola
Os opostos se atraem também na amizade

Elas também se conheceram na infância. Também eram vizinhas e estudavam na mesma escola. Mas enquanto Priscyla Borges Barcellos, 32 anos, coordenadora de compras era a descolada, Bianca Martins Angelo, 31 anos, arquiteta, era a certinha. “Embora diferentes, nos divertíamos juntas. Ela era muito tímida e eu falava pelos cotovelos. Ela adorava vestidinhos rodados e tranças no cabelo, eu vivia de tênis sujo, jeans e camiseta”, revela Priscyla.

E as diferenças não param por aí. Bianca sempre foi estudiosa e Priscyla se aproveitava disso colando da melhor amiga na escola. “Desde pequena, gosto desse jeito da Pri, que vive a vida intensamente. Ela sempre enxerga o lado positivo das coisas”, conta Bianca. Para ela, não há nada na amiga que a incomode. “Apenas a risada escandalosa quando estamos em algum local mais reservado”, confidencia a amiga tímida.

Leia também:
Somos apenas amigos
Por que meu filho não tem amigos?

Em contrapartida, Priscyla afirma que a passividade de Bianca já a tirou do sério. “Mas não posso negar que esse jeitinho meigo, até meio inocente, faz dela uma pessoa muito especial”, diz. E completa: “Com certeza, sou a complicada e ela a perfeitinha. Juntas, somos mulheres de fases”, diz Priscyla.

A amizade, como qualquer relação, precisa se acomodar às mudanças. Para que ela continue, os dois lados precisam reinventar e se esforçar para manter o contato e encontrar gostos em comum para que a amizade se justifique. “Portanto, uma amizade que perdure pela vida precisa acompanhar o ritmo das mudanças e aguentar as oscilações da vida. Este é o segredo”, finaliza a psicóloga Cecília Zylberstajn.

E mais:
Vigiar perfis em redes sociais pode virar vício
Dez maneiras como o trânsito pode afetar sua vida
Cachorros são “melhores que pai e mãe” para moradores de rua

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.