Confira entrevista com a atriz Fabiana Karla, a gordinha apaixonada da peça "Gorda", que estreia 19 de setembro no Rio

Fabiana Karla e o elenco da peça
Rodrigo Castro
Fabiana Karla e o elenco da peça
Quanto pesa o amor? Na peça “Gorda”, um executivo se apaixona por uma mulher com 30 quilos a mais que ele. Mas o que pesa mesmo, neste caso, é o preconceito da sociedade.

Helena (Fabiana Karla) é uma pessoa de bem com a vida sem a preocupação obsessiva que a maioria das mulheres modernas tem: ter uma silhueta perfeita. Na peça escrita pelo norte-americano Neil Labute, ela vive uma história de amor com Tony (Michel Bercovitch), um executivo bem-sucedido que acaba suportando as piadas hostis dos colegas no trabalho, tudo por causa do amor.

Sucesso de público e crítica nos EUA, Europa e América Latina, a peça estreia no Brasil em setembro sob a direção do argentino Daniel Veronese. Para Fabiana Karla, casada na vida real com um homem que sempre namorou gordinhas, “o preconceito sempre será uma pedra no sapato da sociedade”. Confira entrevista para o iG.

Ser magra e bonita é quase um requisito básico para qualquer mulher. Como essa ditadura da beleza atrapalha as relações humanas?
Fabiana Karla
Acho que atrapalha quando as pessoas resolvem ficar com a mesma cara, o mesmo corte e mesma cor de cabelo... Isso perde a individualidade de cada um, a beleza ímpar que cada um pode ter. Acho que perde a identidade mesmo. O que é bonito pra você pode não servir pra mim e por aí vai.

Como lidar com esse olhar torto que a sociedade tem para quem não é uma Gisele Bündchen?
Fabiana Karla
Tendo uma personalidade confiante e sabendo usar a moda a seu favor. Sem contar que uma alma feliz deixa o rosto iluminado e se não for dessa forma você pode ser uma Gisele que não vai externar essa felicidade que alegra e ilumina o rosto.

A discriminação sutil é muito pior que preconceito direto?
Fabiana Karla
Não vejo diferença entre os dois... Preconceito sempre será uma pedra no sapato da sociedade.

Fabiana encara a questão de não se enquadrar
nos padrões com humor
Rodrigo Castro
Fabiana encara a questão de não se enquadrar nos padrões com humor
A estreia será no Rio de Janeiro, uma cidade em que a beleza e o corpo perfeito estão sempre em evidência. Qual a sua expectativa?
Fabiana Karla
Que as pessoas saiam de lá refletindo mais sobre os seus preconceitos com as minorias, pois a questão da obesidade só serve como ponte para alertar em relação aos excluídos em geral.

As pessoas têm dificuldade e lançam muito preconceito com o que está diferente do pré-estabelecido. Qual a melhor forma de lidar com isso e desmistificar esses padrões?
Fabiana Karla
Não tem uma receita. O que se pode fazer é promover um espetáculo como "Gorda", para que as pessoas repensem sua postura e olhem mais pra dentro de si – e, quem sabe, consigam sair menos preconceituosas.

E no amor? Os homens têm vergonha em assumir que estão apaixonados por uma mulher acima do peso?
Fabiana Karla
Isso é muito relativo, depende muito de cada um. Tem pessoas que têm dificuldade em assumir uma namorada negra, por exemplo. Meu marido sempre namorou gordinhas e eu fui a gordinha escolhida para ser a mãe dos filhos dele, e olha, ele é um gato! (Risos)

Você já passou por situações constrangedoras por ser gordinha?
Fabiana Karla
Não posso considerar constrangedora, mas já passei situação desconfortável na hora de comprar roupas, pois as lojas nem sempre ofereciam o meu tamanho, então demandava mais tempo e isso desanimava um pouco. Agora já existem grifes que facilitam minha vida. O mercado está atendendo melhor aos usuários de tamanhos maiores.

E já se deu bem também por ser gordinha?
Fabiana Karla
Sim, ganhei uma cadeira só pra gordos num teatro bacana aqui no Rio de Janeiro! (Risos)

O que você acha do movimento Fat Proud (“Orgulho Gordo”)? Como isso pode ajudar a sociedade a enxergar o outro e a si mesmo de maneira menos cruel?
Fabiana Karla
Acho maravilhoso! Isso é uma forma de proteção da liberdade de expressão, assim como os gays fazem no "Orgulho Gay", contra os absurdos padrões de beleza que a sociedade nos empurra goela abaixo, pois é bom vermos que existem pessoas como nós, no caso do "Fat Proud", e que são felizes como são!

Qual recado você manda para as leitoras que neuróticas com dietas, regimes e aulas na academia, que não conseguem se dar bem com o espelho e o próprio corpo?
Fabiana Karla
Vivam – e assistam "Gorda"! Vocês sairão com um olhar diferente para si mesmas. Beijo da Gorda! (Risos)

Gorda
Estreia 19 de setembro, às 21h30
Quinta, sexta e sábado, às 21h30
Domingo, às 20h
Teatro das Artes – Shopping da Gávea (Rua Marquês de São Vicente 52/ 2º piso – Gávea. Tel.: (21) 2540-6004
Capacidade: 456 lugares
Classificação etária: 14 anos
Duração: 1h30m
Ingressos
Quinta e domingo: R$60,00 (inteira)/ R$30,00 (meia)
Sexta: R$70,00 (inteira)/ R$35,00 (meia)
Sábado: R$80,00 (inteira)/ R$40,00 (meia)

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