“A maternidade mostrou que eu sou bonita”
A cantora Gaby Amarantos, a diva brasileira da periferia, encontrou a autoestima após bulimia, lipo e outras maldades com o corpo
As formas arredondadas continuam idênticas às que enfeitavam a descontente menina Gabriela Amaral dos Santos. Mas prestes a apagar 30 velas no bolo de aniversário, a varinha de condão da autoestima a transformou em Gaby Amarantos, a mais recente diva popular brasileira, que atende também como Beyoncé do Pará ou Lady Gaga da Amazônia.
“Gostoooooosa”, com a sílaba “to” prolongada, é a sua autodefinição predileta quando está de microfone em punho e figurino extravagante. Um elogio que volta em eco - e em coro - da plateia, cada vez mais numerosa e diversificada nos espetáculos pelo País inteiro.
A simpatia de “coar café na calcinha só para enfeitiçar” - estrofe do hit “Xirley”, endêmica em periferias brasileiras e festas luxuosas – não foi a responsável por toda essa confiança após o trigésimo ano de vida. Gaby Amarantos, descendente de índios, negros, mãe solteira e “brega com orgulho” só passou a se sentir, assim gostooooooosa, depois da maternidade. “Eu me amo assim”, diz.
Eu me amo assim, diz Gaby Amarantos, descendente de índios, negros, mãe solteira e “brega com orgulho”.
A trajetória da cantora paraense começa na escala para integrar o grupo da missa dominical no bairro Jurunas, em Belém. A menina de 14 para 15 anos abriu a boca (provavelmente uma música sertaneja), agradou os ouvidos do padre e fieis e entrou para o coral.
“Mas naquela época não existia padre Marcelo e dançar música católica não agradava”, lembra. As coreografias – e provavelmente o tamanho do short e do decote (acredita) – fizeram com que fosse convidada a não comparecer mais entre os cantores. E, no mesmo dia, em bilhete escrito “canta comigo?”, repassado pelo cantor de um barzinho, a levaram para as noites musicais, fazendo o estilo MPB, banquinho e violão.
Durou pouco a interpretação de músicas de Maria Bethânia e Marisa Monte. Logo ela pediu para tocar brega, colocar um som de “aparelhagem” nos versos e a reação de “felicidade, dança e alegria” do público do barzinho convenceram Gaby de que aquele era o seu estilo.
O Davi, meu filhote, trouxe uma vibração louca. A maternidade fez eu me sentir bonita. Completa.
Ficou nesse esquema de “castigar” o corpo até três anos atrás, quando engravidou. Não foi o amor do parceiro o transformador do reflexo do espelho. “Fui mãe solteira, mas o Davi, meu filhote, trouxe uma vibração louca. A maternidade fez eu me sentir bonita. Completa”, agora aos 33 anos.
A Gabriela virou Gaby e saiu das festas de tecnobrega do Belém para “ser um peixe que navega em qualquer mar” nos palcos do Brasil.
A projeção nacional, as danças sensuais e o gogó de respeito trouxeram as comparações para Gaby Amarantos.
As estrelas Beyoncé e Lady Gaga são só algumas. Mas a “diva tupiniquim” não titubeia quem são suas musas inspiradoras. “As meninas da periferia”, diz, para completar que elas se sentem lindas sem se importar com o tamanho do quadril e nem mesmo com a raiz do cabelo para retocar.
Is my Love, is my Love. O seu amor na vitrine não vale um swarovski.
Aos homens e ao público que não valorizarem todo o seu conteúdo, Gaby Amarantos - que já sofreu feito o diabo por causa dos amores não correspondidos – dá como resposta a parte de sua nova música, ainda não lançada e com promessa de entrar para turma de hits. “Is my Love, is my Love. O seu amor na vitrine não vale um swarovski.”
Assista ao vídeo exclusivo da TV iG com a entrevista com a Gaby Amarantos