Redes sociais ajudam a lembrar as datas. Mas tornam o "parabéns" automático e impessoal

Esquecer o aniversário de um amigo costumava ser algo descomplicado. A desculpa era pedida e a gafe, perdoada. Mas entre as muitas mudanças trazidas por redes sociais como o Facebook, o calendário de aniversários também trouxa controvérsia aos antigos costumes.

“Eu costumo esquecer datas, mesmo quando se tratam de pessoas muito queridas”, diz Marcella Ruble, uma advogada de Los Angeles. “Sempre dependi de minha mãe para me lembrar de aniversários, e agora o Facebook faz esse papel.”

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Sem falar no papel de cartão de ‘parabéns’. “O que aconteceu com os cartões de ‘feliz aniversário’”?, pergunta Pam Koner-Yohai, fundadora da ONG contra a fome Family-to-Family em Hastings-on-Hudson, Nova York. “As pessoas ficam tão satisfeitas consigo mesmas por se lembrarem de dar um ‘parabéns’ genérico, mas isso é parte desse movimento de distanciamento dos relacionamentos. E o aniversariante escreve de volta: ‘obrigada por se lembrar’. Mas ninguém lembrou”.

Alguns internautas consideram que receber uma avalanche de felicitações de aniversário é docemente nostálgico, uma viagem de volta à época da escola, com bolinhos na sala de aula e um coro de parabéns. Para aqueles que seguem os lembretes, há o benefício adicional de parecerem atenciosos.

Sem graça
Mas há os que lamentam o recurso.

“O Facebook tirou toda a vida dos aniversários”, diz Inga Treitler, uma antropóloga de Knoxville, Tennesse. “Eu não quero receber ‘parabéns’ sem sinceridade, e estou me agarrando à idéia de que as pessoas realmente sentem o que dizem. Receber os cumprimentos pelo Facebook é impessoal, mas há algo pior: ele se torna competitivo. Se você dá os parabéns, quer receber crédito por isso. Se você recebe, pode se vangloriar de suas toneladas de amigos. É tudo para alimentar o ego”.

Agradecimentos
De fato, os agradecimentos após um aniversário no Facebook com freqüência se parecem mais com um discurso de agradecimento de Sally Field no Oscar. “Eu me senti surpreendemente querido e contente, mesmo sabendo quão pouco sentimento as mensagens requerem” diz Jordan Lyon, uma psicóloga de Seattle.

O marido dela tomou um outro caminho.

“Eu parei de desejar feliz aniversário pelas redes sociais e até de checar os avisos de aniversário”, diz Aaron Lyon, pesquisador da University of Washington em Seattle. “Voltei para meu método antigo de simplesmente tentar lembrar as datas e fazer algo um pouco mais pessoaI para que as pessoas saibam que me importo. Mandar uma mensagem de texto, por exemplo.”

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