Em entrevista, Stephen Kanitz fala de seu novo livro e defende que é preciso fazer todas as escolhas colocando a família em primeiro lugar

Stephen Kanitz garante que nenhum sucesso profissional compensa o fracasso no lar
Flavio Moraes/Fotoarena
Stephen Kanitz garante que nenhum sucesso profissional compensa o fracasso no lar
Para Stephen Kanitz , nenhum sucesso profissional compensa o fracasso no lar. Articulista da revista Veja desde 1998, o consultor e conferencista, formado em Administração de Empresas pela Harvard, encontrou na vida familiar uma vocação pessoal. Aos 63 anos, 35 de casamento e 2 filhos, ele acaba de lançar o livro "Família Acima de Tudo"   (editora Thomas Nelson) e conversou com o iG sobre a instituição mais criticada e mais fundamental da história humana: a família.

iG: A quem se dirige o livro?
Stephen Kanitz:
Esse livro foi escrito para se dirigir a dois grupos: um é o do casal que está esperando um filho, o outro é para quem está pensando em se separar. Para o primeiro grupo, quero propor uma reflexão maior, algo como: o que você está fazendo quando está tendo filhos. As gerações de hoje pensam mais nisso, mas antigamente, era uma coisa natural, você se casava e tinha filhos, pronto. O livro explica porque é legal ter filhos. Para o segundo grupo, aquele em que um dos dois está pensando em se separar, quero lembrá-los de que eles não estão se separando só um do outro, mas também dos filhos.

Mas não tem como continuar ao lado da família separado da esposa?
Stephen Kanitz:
Na realidade, não. O homem, por exemplo, que sai de casa e vê o filho só aos sábados e domingos não está presente. Pelo contrário, ele quer agradar e não fazer a parte do pai "chato", aquele que estabelece limites para os filhos. Dessa forma, não há relação pai e filho que aguente. Você vai ter uma deterioração do relacionamento e acaba deixando de ser pai.

Existe um modelo de família que deve ser seguido?
Stephen Kanitz:
Sim. A palavra família, do ponto de vista genético, remete às pessoas que compartilham genes. Famílias não-consanguíneas podem querer emular uma família - e podem ter sucesso. Mas o ideal que a natureza propõe, geneticamente, é que a gente tenha uma família consanguínea, pois pessoas que compartilham genes são mais colaborativas entre si.

Novo livro de Kanitz:
Reprodução
Novo livro de Kanitz: "Família Acima de Tudo"(editora Thomas Nelson)
Há uma receita de sucesso para a família?
Stephen Kanitz:
No casamento, começa o sonho de toda mulher: "eu vou ter o meu par perfeito". E o homem também imagina: "tenho uma mulher que me ama". Mas o que na verdade o parceiro está procurando é um bom pai ou uma boa mãe para seus filhos. A qualidade que se devia procurar no seu par é a maternidade ou a paternidade, não a alma gêmea. O respeito, essencial para a vida a dois, vem quando você percebe o carinho que sua esposa tem com o filho - e vice-versa. Escolher a melhor mãe para o seu filho é melhor do que escolher a melhor mulher para você mesmo - e é uma forma de começar uma família de sucesso.

Vale a pena continuar um casamento infeliz pelos filhos?
Stephen Kanitz:
No orkut, uma das comunidades mais tristes de se ler é a "Sou Filho de Separados". Em uma pesquisa, percebi que nenhum deles queria a separação dos pais. Não é verdade que para as crianças é melhor ter os pais separados. As crianças querem a própria felicidade. Separar-se é trocar a sua felicidade romântica pela felicidade dos filhos.

As mudanças de trabalho na sociedade se refletem na família atual. Muitas mulheres se sentem divididas entre o trabalho e a maternidade. É possível conciliar os dois?
Stephen Kanitz:
Há uma coisa que mudou nos últimos 50 anos e para a qual ninguém atentou. Hoje, a mulher pode viver até os 95 anos de idade, diferentemente do índice de décadas atrás, quando a expectativa de vida era de 62 anos. Então, surge uma coisa que ninguém discute: por que não se permite às mulheres ter filhos antes, por volta dos 25, quando ela está biologicamente preparada, e começar a carreira depois, a partir dos 35, quando está mais madura? O movimento feminista devia pensar em pressionar as empresas para mudar esta mentalidade.

Enquanto não é assim, para as mães que já tiveram seus filhos e também querem trabalhar fora, existe alguma maneira prática para tentar conciliar o trabalho e os filhos?
Stephen Kanitz:
Existe: a internet. Na minha família, usamos o laptop na hora do almoço, conectados ao Skype, para almoçarmos juntos mesmo à distância. As empresas têm que parar com essa bobeira de não permitir o uso da internet no trabalho. Assim as mães podem estar junto dos filhos que estão no berçário a partir da mesa de trabalho, não o tempo todo, mas em pequenas intervenções importantes.

Quais as coisas que são mais importantes na vida em família?
Stephen Kanitz:
Em primeiro lugar, estimular a autoestima dos filhos. Em segundo lugar, deixar os filhos opinarem nas decisões. E, por fim, não quebrar as promessas com as pessoas que mais amam você. Seu chefe vai te esquecer um mês depois de te mandar embora, mas seus filhos jamais te esquecerão.

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