Postura de quem assume papel de vítima faz com que se conforme com a própria infelicidade

Atitude impede que as pessoas enxerguem sua parcela de responsabilidade diante do que dá errado em sua vida
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Atitude impede que as pessoas enxerguem sua parcela de responsabilidade diante do que dá errado em sua vida
Você tem anos de empresa, mas um funcionário recém-contratado consegue a promoção que você desejava. Um cara interessante que você conheceu e apresentou para suas amigas agora está namorando uma delas. A vida é injusta. E você, a vítima favorita dela.

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A tendência de se fazer de vítima diante de diversas situações não é incomum e impede que as pessoas enxerguem sua parcela de responsabilidade diante do que dá errado em sua vida.

Era justamente isso que acontecia até pouco tempo atrás com a administradora de empresas Nathalia Peixoto, 25. “Acho que não nos fazemos de vítima por mal. Não chegamos a perceber que estamos agindo desta forma. Mudei minha postura faz pouco mais de um ano. Antes disso, colocava a minha vida nas mãos das outras pessoas”, confessa.

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Nathalia diz que sua mãe tentava alertá-la de que ela era muito passiva e não batalhava pelas coisas que queria. O que a deixava ainda mais irritada com a mãe e o mundo. A mudança veio depois que teve um filho e começou a perceber que outras pessoas também comentavam sobre essa sua tendência de nunca se responsabilizar por nada. “Quando eu parei para pensar, vi que eles estavam certos. Culpando os outros eu me isentava de tudo. É bem mais fácil agir assim do que assumir responsabilidades.”

Sabotadores
“A pessoa que se vitimiza com frequência coloca-se sempre como uma consequência. Ela nunca é a protagonista do ato. ‘Não deu certo por culpa dele’ ou ‘ele não reconhece o meu valor’. Estes são pensamentos comuns para pessoas que se fazem de vítima. Elas se isentam de responsabilidades. Se você encontra desculpas nas outras pessoas para seus erros ou fracassos, certamente está assumindo a postura de vítima”, afirma Ana Gabriela Andriani, doutora em psicologia pela Unicamp e psicoterapeuta individual e de casais.

A coach da Sociedade Brasileira de Coaching Richeli Sachetti explica que a pessoa se torna paciente dos acontecimentos ao seu redor. “Temos muito sabotadores que inibem nosso sucesso. Muitas vezes eles estão escondidos em pensamentos e crenças limitantes. É o que acontece com alguém que se faz de vítima e acaba se conformando com a própria infelicidade.”

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Richeli ensina que precisamos sempre nos questionar sobre como usamos nosso cérebro. Se a maior parte do tempo usamos para encontrar justificativas e para nos lamentar sobre coisas que deram errado, é preciso rever essa postura. “Temos que usar nossa capacidade para encontrar respostas para os desafios e não justificá-los a todo momento colocando a culpa no mundo”, analisa. Ana Gabriela completa: “O mundo não deve nada para ninguém. Precisamos parar de pensar dessa forma e ter atitudes construtivas a fim de atingir um objetivo.”

A mudança
“O vitimismo é um estado de autodefesa constante. Uma crítica não será vista como algo construtivo, que pode te ajudar a melhorar. Quem se autovitimiza não vê isso”, afirma a psicóloga clínica Camila Mareze. Segunda ela, não é fácil tomar consciência do que está acontecendo. “Nem sempre a pessoa consegue perceber sozinha. Uma boa dica é ficar atenta aos comentários dos outros sobre você. Se te disserem muitas vezes que você não toma uma atitude para alcançar um objetivo, é preciso parar para pensar e ver que, talvez, eles tenham razão.”

A empresária Fernanda Bosnich teve um período bastante nebuloso anos atrás. “Eu não conseguia ver perspectivas positivas no meu futuro. Tinha pena de mim. Sofria bastante diante desta situação”, diz. Ela conta que a mudança veio quando conheceu seu marido, o fotógrafo Douglas Costanzo. “Ele passava por um momento parecido com o meu. Juntos, percebemos que tínhamos muita vontade de crescer e que éramos capazes disso. Mudamos a nossa forma de encarar os desafios.”

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Ganhos
Fernanda conta que sua vida se transformou completamente. “Além de conquistas materiais, como nossa empresa e o estúdio fotográfico, que vieram porque entendemos que as coisas não caem do céu, também assimilei que somos responsáveis por tudo que acontece de bom e de ruim conosco. Foi como tomar as rédeas da nossa vida novamente.”

Um dos maiores problemas para quem quer mudar é justamente o fato de que é difícil assumir responsabilidades. “A mudança de atitude demanda força de vontade porque pede que você saia de uma zona de conforto, de uma posição conhecida. Mas o esforço vale a pena. Quem se faz de vítima tem prejuízos importantes como a perda de autonomia diante do seu futuro.”, explica Ana Gabriela.

Nathalia Peixoto concorda. “Deixei de ser dependente dos outros e deu super certo. Arrumei um bom emprego e tomo as decisões de acordo com os meus desejos e necessidades. Isso não tem preço. A sensação é ótima.”

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Dicas
Se você percebeu que se faz de vítima em alguma situação e deseja mudar, veja os três passos recomendados pela coach Richeli Sachetti para atingir seu objetivo:

1 – Elabore um plano de propósito: “Precisamos ter um propósito, um objetivo futuro de vida. Quando sabemos o que desejamos, podemos começar a nos movimentar para atingir este objetivo.”

2 – Determine prazos: “É uma etapa muito importante. Se não temos um prazo pré-estabelecido tendemos a ter recaídas e a nos desviar do foco. Não pode. O foco é a chave para uma mudança de atitude.”

3 – Tome uma atitude: “As pessoas precisam tomar decisões, ir atrás de objetivos. Quando você tem um plano de propósito, passa a focar no que deseja e suas decisões serão guiadas por este objetivo estabelecido anteriormente. Nesta etapa, a pessoa é responsável por suas escolhas. Com a mente ocupada, trabalhando não há tempo para se vitimizar e arrumar justificativas para tudo.”

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