Iniciativa pela autoestima feminina gera a hashtag “Ame suas marcas” com fotos de barrigas marcadas na gravidez e corpos com cicatrizes de batalhas travadas contra o câncer

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Karly Vedan tinha apenas nove anos quando notou as primeiras estrias aparecendo nas pernas. “Cresci muito e muito rápido. Elas pareciam realmente assustadoras, como se algo tivesse arranhado os meus joelhos”, conta. 

Bem, uma década mais tarde, as linhas das pernas linhas têm companhia de sobra. Antes de dar à luz, um ano atrás, com 35 semanas de gravidez, as marcas haviam tomado conta da barriga inteira dela. 

“No começo, eu estava apenas um pouco preocupada”, conta a estudante canadense de 21 anos de idade, moradora de Edmonton, Alberta. “Parecia tão estranho, era como se eu tivesse um monte de patinhas de aranha espalhadas por toda a minha barriga. Perguntei ao meu médico sobre isso e ele me disse que eram apenas estrias, que eu não devia me preocupar com isso", prossegue ela.  


Ela escutou o conselho e estava radiante, alguns meses atrás, quando tropeçou em uma campanha no Instagram incitando outras mulheres a fazerem o mesmo. O esforço que tem ressoado na web, com Vedan e centenas de outras mulheres, começou há cerca de sete meses com Alex Elle, escritora, e Erika Layne Salazar, fotógrafa, ambas mães. 

Apropriadamente batizada de “Ame suas marcas” ( LoveYourLines em inglês), uma conta foi criada no Instagram com o pedido de que as mulheres postassem fotos de suas estrias e falassem como se sentem em relação a elas e especialmente em relação aos padrões idealizados de magreza e perfeição. 

Inundadas com imagens, elas seguiram firme e deram à luz a hashtag #LoveYourLines, usada em postagens de internautas  mostrando suas próprias estrias não apenas no Instagram, mas no Tumblr, no Facebook e em outras tantas redes sociais. 

A diferença da iniciativa da dupla de mães em relação a outras campanhas de defesa da autoestima feminina é o fato de que elas transformaram cada imagem postada em arte em preto-e-branco, como uma forma de evitar a distração causada pelas marcas em si e focar nas histórias por trás delas. 

Com a promessa de anonimato para todas as que assim desejarem, mulheres de todo o mundo estão derramando suas aparentemente sinceras alegrias, angústias e desesperos sobre suas estrias, barrigas pós-parto e ferimentos de batalha de lutas valentes travadas contra o câncer. 

Se algumas, como Vedan, permitiram ser identificadas por suas postagens, outras tantas anônimas, como um que postou recentemente no perfil, têm falado de suicídio: 

“Ninguém vai me amar ou me escolher quando há tantas belas e encantadoras mulheres lá fora”, escreveu a mulher que postou um close da própria barriga e se identificou apenas como ‘sem filhos de 24 anos’. Em resposta a esse post, quase 300 pessoas deixaram comentários de encorajamento.

Rachel Hollis, mãe de três meninos, de Los Angeles, não tinha ouvido falar da hashtag quando postou uma foto de si mesma no Instagram de biquíni, em férias em Cancun, México. 

“Eu tenho estrias e uso biquíni. Tenho uma barriga que é permanentemente flácida por conta de três gestações de bebês gigantes e eu uso biquíni sim. Meu umbigo é flácido (algo que eu nem sabia que era possível) e uso biquíni. Uso biquíni porque sou orgulhosa da minha barriga e de cada marca nela” escreveu Hollis na rede social.

Rachel Hollis, mãe de três meninos, de Los Angeles:
AP/Reprodução
Rachel Hollis, mãe de três meninos, de Los Angeles: "Tenho uma barriga que é permanentemente flácida por conta de três gestações de bebês gigantes e eu uso biquíni sim"


A declaração de Rachel sobre o biquíni rapidamente se transformou em viral na internet e incentivou mais e mais mulheres a postarem fotos das próprias marcas, muitas delas contando suas histórias. Em entrevista à AP, Rachel contou que há 10 anos não colocava um biquíni. De férias com o marido e os filhos de oito, seis e dois anos, Rachel decidiu colocar a peça e, na beira do mar, pediu ao marido que tirasse a foto. 

“Foi incrível, quase instantaneamente, outras mulheres começaram a colocar fotos das próprias marcas. E não foram apenas de estrias da gravidez, mas gente com cicatrizes de queimaduras ou sequelas de quimioterapia. Me fez pensar que coisas assim são algo que as pessoas querem ver: a realidade, em vez de constantemente a olhar para a perfeição.” 

*Com iG São Paulo

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