Inventado há 38 anos, sutiã esportivo trouxe proteção aos seios e liberdade de movimento durante atividades físicas

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O sutiã esportivo foi criado a partir de uma espécie de cueca
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O sutiã esportivo foi criado a partir de uma espécie de cueca

S.O.S Malibu, o seriado sobre um grupo de salva-vidas na famosa praia do estado americano da Califórnia, era famoso pelas imagens da atriz Pamela Anderson correndo pelas areias, em sua missão para salvar banhistas, na pele de seu personagem, C.J. Parker.

Isso sem demonstrar o menor incômodo diante do fato de usar um maiô apertado e de seus seios avantajados sacudirem. Sua face jamais mostrou uma pista de dor. Também não havia sinal de que seus mamilos estavam machucados.

A memória de C.J. Parker torna difícil acreditar que as míticas amazonas da Grécia Antiga cortavam um dos seios para atirar melhor com flechas. Ou que a piloto francesa Violette Morris passou por uma dupla mastectomia nos anos 20, por que os seios "atrapalhavam" a condução do carro.

Roupa suja

A realidade é que mulheres esportistas sempre tiveram que lidar com dores nos seios e recorrer a vários expedientes para protegê-los. Até que, 38 anos atrás, foi inventado o sutiã esportivo.

Hinda Miller, a inventora do sport bra, lembra dos dias em que era difícil correr sem o devido suporte. Era um tempo de seios balançantes e homens incomodando.

"Víamos mamilos sangrando em corridas de 5 km", disse Miller à Rádio 5 Live da BBC.

Já no segundo ano de comercialização, o sutiã esportivo teve vendas de 500 mil dólares
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Já no segundo ano de comercialização, o sutiã esportivo teve vendas de 500 mil dólares

"Sabíamos que era algo que não poderia ser saudável. Se os seios quicam muito, pode haver danos aos ligamentos de Cooper, que mantêm o formato dos seios. Não faz bem para a amamentação e outras coisas que as mulheres precisam fazer na vida".

Miller e duas amigas, Lisa Lindahl e Polly Palmer-Smith, decidiram unir forças para resolver um problema que nos anos 70 atrapalhava mulheres de todo mundo num momento em que a corrida e a boa forma se transformavam em manias.

O momento eureka veio sob a forma de uma brincadeira inocente do marido de Lindahl.

Ele pegou no cesto de roupa suja seu suporte atlético e o vestiu como um sutiã. Dali surgiu o Jogbra - algo como o "sutiã para o jogging".

"Compramos dois pares de suportes atléticos, costuramos eles e usamos o elástico para fixá-los em torno da costela", conta Miller.

"Fizemos um sutiã que era para ser vestido por sobre a cabeça".

'Timidez'

Em 1979, o produto estava pronto para chegar às lojas de esporte. Alguns comerciantes, porém, hesitaram em exibir os sutiãs, que inicialmente foram vendidos em caixas pretas. Mas a série de 40 produzidos como teste foi logo vendida. No segundo ano, as vendas já tinham chegado a meio milhão de dólares.

Mas qual foi o impacto do sutiã para as atletas profissionais? A mais bem sucedida ginasta britânica, Beth Tweddle, credita ao sport bra o sucesso em três Campeonatos Mundiais.

"Pude prestar atenção no meu esporte em vez do que meu corpo estava fazendo", contou ela.

Existem três tipos de sutiãs esportivos, que variam de acordo com o tamanho dos seios: os de compressão, mais apropriados para seios pequenos, eles "espremem" os seios contra o tórax; os de encapsulamento, parecidos com sutiãs comuns, que "separam" os seios e os levantam, sendo mais apropriado para tamanhos medianos. O terceiro tipo, o combinado, junta os dois primeiros, e também ajuda no caso de seios maiores.

Não usar o sutiã esportivo pode causar lesões, dores e mesmo danos cosméticos aos seios. Mas, mesmo assim, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Portsmouth, a maioria das mulheres que pratica exercícios regularmente não usa a peça.

Num questionário enviado a 2 mil jovens, 46% disseram que seus seios eram um obstáculo para participar em atividades esportivas.

"É preciso educar meninas para que elas façam as escolhas corretas para sua saúde. Isso inclui a escolha do sutiã esportivo correto", afirma Amanda Brasher, pesquisadora da Universidade de Portsmouth.

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