Saiba como não perder a linha quando visita alguém, quando recebe visitas e mesmo diante de estranhos usando água em suas próprias casas

A diminuição do nível de armazenamento do Sistema Cantareira e a consequente crise hídrica que atinge a região metropolitana de São Paulo acendeu um alarme por um uso mais consciente deste recurso natural no estado e em todo o Brasil. A situação vem mexendo não apenas com os hábitos de consumo de água de cada um, mas também com aspectos do convívio social.

Questões como “quanta água pode ser usada quando se visita alguém?” e “como reagir ao ver outras pessoas esbanjando água?” começaram a se fazer necessárias. 

“O cenário está ficando muito crítico, e estamos precisando pensar em situações que nunca havíamos imaginado”, afirma o engenheiro especialista em recursos hídricos Germano Hernandes Filho. 

Veja dicas de etiqueta no uso de água na galeria: 

Para a consultora em etiqueta Célia Leão, esta é a hora de a população enxergar que a elegância está em atitudes conscientes e dirigidas ao bem coletivo. “ Cafona é andar de carro lavado, pois basta limpar os tapetes internos e passar um paninho na poeira do painel para usá-lo com conforto. Cafona é esbanjar água, cafona é não entender que ou a gente cuida disso agora ou o futuro fica comprometido. Chique é ser solidário e econômico ”, decreta. 

Teste: Quem é você na crise da falta de água?

Célia Leão, Germano Hernandes Filho e Monayna Pinheiro, professora do curso de Etiqueta Social do Senac Penha (SP), explicam como lidar com as dez principais situações ligadas ao uso e à economia de água que podem gerar dúvidas de etiqueta no dia a dia. 

1. Não se ofereça para lavar a louça na casa alheia
Para começar, Célia explica que é falta de educação querer assumir um processo de organização na casa dos outros. “O máximo que o convidado pode fazer é ou oferecer uma ajuda ou fazer o que o anfitrião pedir, se ele pedir”, orienta.

Além disso, a forma como o convidado lava a louça pode não ser a melhor para economia de água naquela casa. Germano detalha: “Desde que ligada só quando estiver cheia, a máquina de lavar louças é o modo em que mais se economiza água na limpeza de pratos, copos e talheres. Mas se o anfitrião não tiver uma máquina, ele já tem seu método de economia e não precisa gastar tempo ensinando isso para um convidado em uma reunião social”. 

2. Lave as mãos rapidamente no lavabo de seu anfitrião
Nada de ficar com a torneira aberta enquanto ensaboa as mãos distraidamente e se olha no espelho. “O processo deve ser: abre a torneira para molhar as mãos, fecha a torneira, ensaboa as mãos, abre a torneira para enxaguar as mãos e fecha a torneira bem fechada, sem deixar água escorrendo ou pingando”, ensina Germano. 

3. Use o mesmo copo durante toda a reunião na casa de amigos
É uma questão de lógica: quanto menos copos um convidado sujar, menos copos precisarão ser lavados e menos água será gasta. “Basta ficar sempre com o copo à mão ou ao alcance da vista. Isso de largar copos pela casa é muito indelicado”, afirma Célia. 

4. Reduza o uso de louças quando receber visitas em casa
Aqui funciona o mesmo princípio de cada convidado usar um copo, mas do ponto de ação do anfitrião. “Só faz sentido trocar a louça várias vezes em refeições extremamente formais, o que, cá para nós, é cada vez mais raro”, opina Célia. Portanto, um prato e um jogo de talheres para entrada e refeição e outro prato e jogo de talheres para sobremesa são mais do que suficientes. 

5. Dê a descarga com menos força ou use os baldes d’água disponibilizados 
Salvo raras ocasiões, não precisa apertar a válvula até o fundo para dar a descarga. “Com menos força, gasta-se menos água e dá para ser mais discreto, inclusive”, diz Célia. E, se o anfitrião deixar baldes d’água no canto do lavabo, pode entender que eles devem ser usados para substituir a descarga. “Certamente são de água reservada para ser reutilizada”, esclarece a consultora em etiqueta. 

6. Não controle os hábitos de seus vizinhos; converse com eles

Se um vizinho está demorando no banho ou regando as plantas ricamente todos os dias, não se deve confronta-lo, mas levar a questão para uma reunião de condomínio, onde ele terá chance de se explicar e todos poderão chegar a uma delimitação oficial de limites. “O banho pode ser demorado por motivos de saúde, a água usada para regar pode ser de reuso. É muita grosseria acusar e partir para a agressão sem entender as razões do outro”, diz Monayna. 

7. Nada de “denunciar” atitudes de estranhos nas redes sociais
As redes sociais despertam um instinto denunciador em muitas pessoas, que chegam a fotografar desconhecidos fazendo o que elas consideram errado e postar as imagens como forma de repreensão. “É super de mau tom, uma postura inquisidora. Além do mais, usa-se um fragmento da situação, sem conhecimento do contexto. Alguém está lavando a calçada? Pode ser água reservada da máquina de lavar sendo reutilizada. É grave postar em redes sociais, isso pode acarretar em crime de difamação contra o denunciante”, alerta Monayna. 

A necessidade urgente de economizar água no Brasil não pode ser motivo para grosseria e falta de educação
Thinkstock Photos
A necessidade urgente de economizar água no Brasil não pode ser motivo para grosseria e falta de educação


8. Quando hospedar alguém em casa, explique a dinâmica para uso da água
Essa informação pode ser inserida de maneira natural na apresentação dos cômodos. Monayna dá a dica de como ser delicada ao fazer isso: “Ao chegar ao banheiro que o hóspede usará, basta dizer com naturalidade algo como ‘aqui a gente está economizando água e tomando banhos de cinco minutos’. A visita vai se sentir melhor com uma orientação sutil”. 

9. Caso não goste de como seus anfitriões economizam água, vá para um hotel
Se você se sentir mal com a ideia de tomar banhos curtos, Célia aconselha que você converse com os donos da casa e explique que preferirá ficar em um hotel. “Não tem nada de mais e é mais educado do que desrespeitar os hábitos de seus anfitriões”, garante. 

10. Se sobrar água das suas reservas, doe-a para o condomínio ou vizinhos
O momento é de economia e solidariedade, pois a crise de distribuição de água afeta cidades inteiras. Caso a água reservada em sua casa comece a sobrar, a sugestão de Célia é que ela seja doada para vizinhos ou para o condomínio: “Devemos ser menos individualistas. Se o prédio ou um vizinho deixa de usar água novinha da torneira para lavar chão, todos saem ganhando”.

Leia mais no Delas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.