Levantamento da Universidade Northwestern mostrou que atitude auxilia na recuperação da identidade de quem foi deixado; veja dicas de especialistas para sobreviver a um fora

Quando alguém toma um ‘pé na bunda’ não faltam amigos e familiares propondo programas e atividades para distrair e fazer a ‘vítima’ do fora esquecer o assunto. Mas essa atitude tão comum (e compreensível) pode não ser a melhor maneira de superar o fim de uma relação, a julgar por um estudo recente da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos.  De acordo com a pesquisa, falar bastante do (a) ex ajuda a cicatrizar as feridas da separação.

Comandada pela cientista Grace Larson, o estudo separou dois grupos de pessoas que passaram por separações nos últimos seis meses. Um deles fez uma série de testes e atividades, como falar sobre a antiga relação e do ex e preencher questionários a respeito de seus sentimentos. A outra turma fez apenas uma atividade de completar frases. Os pesquisados, num total de 210, tinham entre 17 e 29 anos. 

Nove semanas depois, o levantamento revelou que os participantes do primeiro grupo estavam mais aptos a lidar com a separação. Esse melhor processamento do rompimento estaria ligado a uma reconstrução da identidade de quem toma o fora.

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Falar bastante do (a) ex ajuda a cicatrizar as feridas da separação, de acordo com pesquisadores americanos  da Universidade Northwestern
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Falar bastante do (a) ex ajuda a cicatrizar as feridas da separação, de acordo com pesquisadores americanos da Universidade Northwestern


“É normal que as pessoas se vejam como ‘nós’ em uma relação. O conceito de ‘eu’ fica diluído. O processo de separar as consciências é doloroso. Nosso estudo fornece evidências que o conceito de voltar a perceber-se como ‘eu’ traz melhorias ao bem-estar”, aponta Grace.

Apesar do estudo ainda ser inicial, Grace entende que ‘mexer na ferida’ ajuda a superar a dor da rejeição. “É importante que a pessoa vá além dos fatores que estavam na relação. Ela deve refletir sobre aspectos de si mesma que ela pode ter negligenciado durante o relacionamento e então voltar a nutrir esses aspectos. Isso pode ser muito útil para relações futuras”, pondera a pesquisadora. 

Parceiro de Grace no estudo, o pesquisador David A. Sbarra reconhece que não é nada agradável ficar remoendo sobre o ex e a relação que acabou.  "É um equilíbrio delicado entre ficar envolvido e evitar um evento estressante”, definiu Sbarra, em entrevista ao The New York Times. “Ao tocar na questão, você pensa a respeito dela, a coloca para fora e reflete, criando uma espécie de distanciamento, por fim”, completou ele, lembrando o benefício do processo. 

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DESCONSTRUÇÃO DO AMOR

Apesar de considerar o estudo americano interessante, o psicólogo Ailton Amélio entende que o processo de superação do fim de um relacionamento é mais profundo do que sugere o levantamento. Autor do livro “Relacionamento Amoroso” (Publifolha), Amélio explica que o amor para existir precisa da combinação dos fatores admiração, reciprocidade e esperança.  A desconstrução deste sentimento precisa então estar focada nestes quesitos. 

Em seu consultório, Amélio realiza um processo que ajuda pacientes a superar rompimentos, batizado por ele como ‘Terapia do Desapaixonamento’ . “Sem distorcer a realidade, eu faço a pessoa ver não apenas o lado positivo do ser amado, mas o outro lado também. Ela precisa perceber que, muitas vezes, já não há mais equilíbrio entre os componentes citados. A admiração vai, aos poucos, esvaziando-se. Esse é o primeiro passo para aceitar o fim da relação”, explica o psicólogo.

Amélio ainda aponta a necessidade de se recuperar a autoestima, que fica fragilizada com o rompimento. Quem é deixado acaba se sentindo diminuído e sem referencial. Ele cita como exemplo os homens que saem de casa deixando as mulheres com os filhos e a rotina. “Eles perdem completamente o referencial de quem são. Neste caso, é importante recompor a vida desta pessoa, para que ela possa ter bases para superar a ex”, recomenda o psicólogo. 

Mas o período de recuperação deve ter uma duração limitada. “Não é bom permanecer na lamentação eterna. Se a pessoa fica o tempo inteiro remoendo sentimentos passados e deixa de ter uma vida social normal por conta disso, é preciso buscar ajuda”, analisa a psicóloga Renata Castro, do Equilibrium Spa da Mente.

Além do mais, é sempre bom ter em mente que o futuro pode reservar coisas boas. “Viver um novo relacionamento ajuda muito a superar um ex. O amor é capaz de reconstruir a pessoa e dar a ela a força que ela precisa para abandonar o passado”, lembra Amélio.   

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