Apesar do clima de confraternização, a comemoração de fim de ano dos funcionários de uma empresa não deixa de ser um evento profissional, no qual devem ser evitados os excessos

Era só mais uma festa de fim de ano como tantas outras que acontecem nas empresas nesta época do ano. Mas a confraternização saiu do roteiro previsto quando uma funcionária, que tinha bebido além da conta, se empolgou na pista de dança e resolveu tirar a calcinha e colocá-la na cabeça. Obviamente, a cena virou assunto entre os funcionários, não só na própria celebração como nos corredores da empresa nos anos seguintes.

Real, a cena acima foi relatada por sua protagonista num programa de rádio ao consultor Ricardo M. Barbosa, diretor executivo da Innovia Training & Consulting, especializada em educação executiva. A dúvida da moça desinibida era saber se a tal situação teria influenciado no fato de ela não ter sido promovida após cinco anos na empresa.

“É claro que outros fatores podem ter influenciado na ausência de promoção, mas dificilmente a imagem de alguém se recupera depois de passar por uma situação como essa”, avalia Barbosa sobre o episódio, acrescentando que o mais indicado no caso da funcionária era tentar a sorte numa nova empresa.

Erros que queimam o filme na festa de fim de ano da empresa: 

Apesar de extrema, esta situação é bem ilustrativa de como um deslize na confraternização da firma pode ser prejudicial para a carreira de alguém. “O fato de você ter boas amizades no trabalho não transforma a festa da empresa num evento de amigos ou mesmo numa balada, na qual você tem liberdade para se comportar. É um evento profissional, isso precisa ficar claro”, afirma Licia Egger, professora de Comportamento e Cerimonial da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Licia diz ainda que ainda que as empresas usam esses momentos para avaliar aspectos comportamentais de seus funcionários. “O que está em jogo não é a sua competência profissional, mas a sua competência social. A capacidade de se relacionar num evento social em que você esteja representando a empresa”, explica a professora.

A pedido do Delas, Licia e Barbosa apontaram algumas situações que funcionam como verdadeiras armadilhas na festa de fim do trabalho, com potencial para queimar o filme de qualquer um o ano todo.

Pirando no open bar : fartas, de graça e dos mais variados tipos, as bebidas alcoólicas disponíveis nas festas fazem muita gente perder a linha. “O álcool costuma dar o start para todos os outros problemas. A pessoa bebe demais e acaba falando ou fazendo o que não deve. É preciso ter autocontrole e não exagerar. Em último caso, se a pessoa não consegue se conter, é melhor ficar na água ou no refrigerante”, aconselha Barbosa.

Soltando a língua: Por mais que o ambiente de festa estimule a conversa, certos assuntos devem ser evitados neste tipo de evento. “As pessoas já começam errando ao falar mal da própria festa, é claro que a empresa não vai gostar. Da mesma forma, a confraternização não é lugar para falar mal dos colegas, do patrão ou dos subordinados, pega mal”, orienta Licia. Também não vale, segundo a especialista, aproveitar o papo descontraído com o (a) chefe para pedir um aumento ou promoção para ele (a).

Derrapando na pista: você pode até ter um molejo igual ao de Marcelo Mello Jr. , o vencedor do “Dança dos Famosos” 2014, mesmo assim é melhor se conter um pouco na pista de dança da confraternização. “Não tem problema em dançar e se divertir, mas não precisa dar um show e chamar mais atenção do que qualquer outra coisa da festa. Quem se expõe demais pode ter a imagem fragilizada, com a fama de que não é sério ou confiável”, avalia Licia.

Errando o figurino: “As pessoas acham que podem se vestir como em suas casas ou em uma balada, mas isso não é verdade, roupas muito curtas, roupas com mensagens agressivas e excessos podem pegar mal, fazendo com que se torne alvo das conversas”, aponta Barbosa, citando alguns excessos na hora de se vestir para a festa da empresa.

Não é amor, é cilada: é comum o surgimento de relacionamentos no ambiente de trabalho, mas a confraternização não é o melhor lugar para expô-los. Quem faz o contrário fica em evidência na empresa, correndo o risco de ter a fama não ter o trabalho como foco principal. “Se surgir algo na festa não tem problema. Porém, o casal deve ser discreto e combinar de se encontrar depois”, aconselha Licia.

Queimando o selfie: todas as armadilhas citadas acima contam agora contam com um agravante: as redes sociais. Ou seja, tudo os equívocos que as pessoas cometem numa confraternização podem acabar sendo registrados por um simples celular e expostos logo depois na internet. “Antes, as pessoas tinham as histórias das festas na memória, agora elas podem estar eternizadas em imagens e até em vídeos”, pontua Licia. A professora recomenda comedimento nas fotos do evento. Do mesmo modo, ela indica que as pessoas tenham a elegância de não expor os colegas.

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