Já pensou que tudo o que você posta na internet pode permanecer online para sempre? Especialistas explicam porque é importante controlar o que você publica hoje

Pouco se pensa sobre o tema, mas postagens afobadas podem gerar problemas até após a morte
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Pouco se pensa sobre o tema, mas postagens afobadas podem gerar problemas até após a morte

Um pertinente desafio moderno está na aceitação e no planejamento da vida virtual após a morte, além da criação de um "testamento virtual", algo raramente pensado, que define como queremos - e se queremos - continuar a existir virtualmente depois de mortos.

Refletir sobre a relevância e a ética que empregamos a cada postagem são pequenos atos fundamentais que devem ser exercidos diariamente para evitar distorções após a morte, quando não será mais possível editar ou excluir um comentário, foto ou vídeo.

"Temos exemplos de pessoas que falecem e se descobre depois que tinham outra família. Não poste aquilo que não falaria em público. Tudo que é compartilhado um dia pode se voltar contra você, inclusive na sua morte", diz ao Delas a psicóloga Ana Luiza Mano.

Em dados levantados pelo especialista em mídias sociais Walter Thompson ao site ReadWrite, o Facebook acumulava cerca de 30 milhões de perfis de pessoas mortas em 2012. Isso significa que, a cada um minuto, morrem três pessoas com perfis nessa rede.

Dá para planejar?

Os dados compartilhados - fotos, vídeos, textos, áudios - nas inúmeras redes sociais existentes podem ficar disponíveis por muito tempo e com alcance fácil em ferramentas de pesquisa.

Perfis públicos, com configurações de privacidade abertas, têm ainda mais chance de se manterem "vivos" nas redes. Como, então, é possível se preparar para deixar apenas as melhores lembranças para a posteridade online?

"É importante pensar no que vai postar e ter cuidado com algumas mídias. No Facebook, você pode criar grupos de familiares, de amigos ou mesmo grupos fechados para conversar de maneira mais informal", sugere Ricardo Barbosa, diretor executivo da Innovia Training & Consulting.

O planejamento das informações compartilhadas no presente é fundamental se há intenção de garantir "tranquilidade" online pós-morte, visando a manutenção de uma imagem póstuma coerente com o comportamento da pessoa em vida e o principal: não prejudicando ninguém com isso.

Conteúdo monitorado

Ana Luiza alerta: é interessante pensar se o que você publica na internet hoje é algo que geraria arrependimento no futuro. É preciso ter cuidado com a desinibição online. Pensar que a internet é uma terra sem lei e que pelo nickname ninguém está vendo o rosto do outro lado é um erro. É possível punir quem publica imagens ou informações privadas sem consentimento .

Exposição na web: muitas vezes quem paga pelo erro são os mais próximos
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Exposição na web: muitas vezes quem paga pelo erro são os mais próximos

"Antes de escrever algo, tem de estar ciente do que se publica. Ao fazer uma crítica ou comentário em uma foto, por exemplo, o que era para ser uma brincadeira pode ter um cunho preconceituoso para alguém", aconselha Ricardo.

"Sempre digo para que as pessoas postem algo que seja relevante para o seu público, para quem está dentro de sua rede de relacionamento. Se você coloca coisas bacanas, é uma pessoa legal para seguir, gera conteúdo e informação para outras pessoas."

"Tudo aquilo que colocamos na internet pode ficar online e nos assombrar por muito mais tempo. Muitas vezes, é a família quem paga por isso", lembra Ana Luiza.

Testamento virtual

Já existem serviços que ajudam no direcionamento da vida virtual depois da morte , com agendamento de mensagens para enviar a pessoas queridas (ou não) automaticamente, como faz o site Eternity Message. O AssetLock armazena senhas, arquivos e outras instruções para serem enviadas aos "inventariantes" do testamento virtual de acordo com o desejo da pessoa falecida. Os serviços do Google podem ser configurados para serem automaticamente deletados , com o encerramento de contas como Gmail, YouTube e Blogger. O Facebook permite que o perfil seja transformado em um memorial para os amigos conectados à pessoa morta.

Em geral, se os amigos ou familiares apresentarem atestado de óbito e outros comprovantes, é possível deletar todos os perfis das redes. No entanto, é importante ter em mente que alguns traços virtuais ainda podem ficar online por muito tempo.

A psicóloga Ana Luiza compartilha uma ideia surgida dentro da própria família para lidar com a vida online após a morte.

"Temos um lugar onde todo mundo deixa as senhas. Isso começou como uma ideia da minha avó, que também usa o Facebook."

Com o controle das senhas, os parentes e amigos podem, com mais facilidade, apagar a vida online da pessoa morta ou transformar em memorial o legado virtual daqueles que expressaram a vontade de continuar a viver virtualmente.

Leia também: É saudável manter online o perfil de alguém que já morreu?

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