Listamos as principais crenças que podem levar sua vida financeira para o abismo. Aprenda a lidar com elas, reverta a situação e saia do vermelho já!

A menos que você tenha dinheiro de sobra, equilibrar as contas e fechar o mês sem dívidas não é uma tarefa fácil. Ainda mais com a oferta de produtos e serviços disponíveis para consumo mediante o simples apertar de botões. O celular do ano, aquela bolsa incrível e até a viagem de final de semana com os amigos podem transformar a vida financeira em um caos.

Mas, qual o melhor caminho para não se tornar um refém das dívidas? Para o médico, professor e pesquisador em Medicina Comportamental da Unifesp, Jô Furlan, um dos principais equívocos de quem gosta de gastar é pensar que fazer compras é algo terapêutico.

“A distração da mente caminha para a busca e aquisição de produtos e serviços, o que costuma dar uma acalmada em possíveis situações que estão gerando estresse ou desconforto. Por isso a pessoa fica com a sensação que esse ato é terapêutico, mas na verdade trata-se apenas de uma fuga”, explica.

Some a isso a facilidade para obter crédito, a falta de educação financeira e de planejamento, e o caminho está aberto para as dívidas. De acordo com o especialista em investimentos Bruno Hora, sócio da BankRio Financial Planning, excesso de compras parceladas, nenhum controle sobre os gastos fixos, muitos cartões de crédito e contas bancárias são o caminho certo para o endividamento.

Faça o teste: Você é uma compradora compulsiva?

O primeiro sinal de que as coisas saíram do controle, segundo especialistas, é quando mais da metade do salário é usada para pagar dívidas, ou quando a pessoa abandona a parcela de algum empréstimo por não conseguir pagá-lo. Neste momento é fundamental mudar de postura e deixar para trás o perfil de gastador.

“Estabelecer objetivos de curto, médio e longo prazos, definir um bom planejamento para alcançá-los e não sabotar o orçamento, trarão enormes resultados que manterão a pessoa longe dos gastos desnecessários”, orienta José Luiz Martins, mentor financeiro e coordenador do Programa de Desenvolvimento da Inteligência Financeira da Universidade da Inteligência (PRODIFI).

Se você faz parte do time dos que brigam com as dívidas, nada de drama. Tudo tem solução e ela pode começar justamente por uma mudança na forma de pensar e de se comportar diante das tentações financeiras. Conheça a seguir alguns pensamentos que você precisa mudar para voltar a ter as finanças equilibradas:


"Comprar me faz tão bem...É uma terapia!"

Essa frase é muito comum entre as mulheres. É fato que o ato de comprar aciona o centro de recompensa no cérebro, que nos traz satisfação e prazer. No entanto, a sensação é passageira e não deve ser usada como desculpa para abusar dos gastos. Muitas vezes, o ato de comprar é mais uma fuga da realidade, justamente para evitar problemas de ordem prática. Aprenda a se controlar. Se não conseguir fazer isso sozinha, busque ajuda.

"Vou parcelar no cartão e depois eu pago"

Os especialistas são unânimes em indicar o cartão de crédito como um dos maiores vilões do descontrole financeiro. Afinal de contas, você está gastando um dinheiro que ainda não recebeu e terá que pagar a conta assim que chegar. Se atrasar, os juros são muito altos e as prestações tendem a causar um efeito “bola de neve” na dívida. Segundo Bruno Hora, a dica é ter apenas um cartão de crédito na carteira, com um limite baixo, que não comprometa mais da metade da sua renda.

"Não é que eu queira, eu preciso deste sapato!"

Essa frase é perigosa e costuma acabar com o planejamento financeiro de muitas mulheres. Acredite: você não precisa de mais um par de sapatos de salto se mal usa os que já tem em casa. Se deseja comprar um sapato, planeje-se, junte dinheiro durante dois ou três meses e faça a compra à vista. Melhor ainda: espere o item entrar em liquidação e pague menos pelo mesmo produto.

"Eu trabalho tanto, que mereço me dar um presente"

Cuidado! Justamente por ralar duro para ganhar seu dinheiro é que você deve ter critérios para gastá-lo. Você pode e deve comprar coisas que lhe agradam, mas pense antes na real necessidade destes itens. Você realmente precisa de mais um casaco preto para juntar aos outros que você já tem em casa?

"Depois eu pago, não vou pensar nisso agora"

O raciocínio aqui é simples: se você deve, terá de pagar. E adiar o problema não fará com que as contas desapareçam. Pelo contrário, isso só fará com que você pague mais juros e acabe acumulando dívidas. É muito comum que pessoas endividadas queiram fechar os olhos para os problemas financeiros, simplesmente reagindo às pressões de cobrança.

“O recomendado é buscar soluções por meio de negociações e parcelamentos. Admitir que existe um problema que está aumentando é o primeiro passo para assumir o controle da sua vida financeira.” – diz Jô Furlan.

"Vou levar, pois está em liquidação"

Eis outro caso em que o bom senso precisa ser acionado. É comum que a gente se empolgue com as promoções e termine gastando mais do que devia. Além disso, não é incomum comprar produtos por impulso que acabam sem uso. Pense bem antes de ser uma vítima das promoções.

"Mas essa marca é muito melhor do que a outra"

Todos temos predileções por determinados produtos, mas cuidado para não se deixar levar pelos apelos do marketing. Se está tentando economizar para pagar dívidas, talvez seja o momento de usar marcas mais baratas. É uma boa opção para seu saldo bancário e ainda pode fazer você descobrir produtos tão bons quanto os que está acostumada.

"Todo mundo vai estar lá. Também tenho de ir"

Seus amigos vão a uma balada muito cara? Marcaram uma viagem para a praia? Ou uma grande amiga vai casar? Talvez seja melhor deixar passar os convites e sugerir um passeio que envolva menos custo, como uma ida ao parque. No caso da amiga que vai casar, explique a situação e compre um presente simbólico. Ela irá entender.

"Todo mundo tem um desses hoje em dia"

Com os lançamentos do mercado e a lógica capitalista é natural que sempre estejamos cobiçando algum novo produto nas vitrines, seja um celular, um tênis ou um carro. No entanto, para manter a saúde financeira é preciso ir até onde você pode pagar. Se quiser um carro potente, faça um planejamento e compre-o em condições melhores após um ou dois anos. É preciso limitar o padrão de vida, aceitando que em momentos difíceis será necessário economizar.

"Odeio ficar em casa no fim de semana"

Aceite que sair sempre vai custar mais do que ficar em casa. Se você é uma pessoa sociável e que gosta de estar sempre em movimento, opte por atividades que não gerem custos muito altos, como ir até a casa de amigos ou comer uma pizza no bar perto do trabalho.

"Eu adoro presentear"

Muitas vezes a atitude de comprar coisas para pessoas que você ama é uma forma de justificar seu consumismo. Ao comprar para os outros, você não se sente culpada e pode continuar tendo a sensação prazerosa de gastar. Portanto, se a ideia é guardar dinheiro, chega de presentes. As pessoas não vão gostar menos de você por isso.

"Não gosto (ou não sei) lidar com dinheiro"

Esse é um dos piores pensamentos que você pode ter com relação ao seu dinheiro. E você não está sozinha. “É alarmante a tamanha falta de conhecimento de pais, filhos e principalmente professores quando se trata de assuntos relacionados a dinheiro. Muitos não estão preparados para ensinar”, aponta José Luiz Martins. É importante buscar ajuda profissional e informações para adquirir mais intimidade com sua vida financeira e assim poder desfrutar das coisas boas que o dinheiro oferece.

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