Acumular objetos que marcaram um momento especial é natural, mas há um limite para isso. Aprenda a selecionar o mais importante e a desapegar do que só está ocupando espaço

Caixa de recordações: lembranças físicas não devem ocupar espaço demais na vida e no ambiente
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Caixa de recordações: lembranças físicas não devem ocupar espaço demais na vida e no ambiente

Todo mundo tem sua caixinha de Pandora que, uma vez aberta, resgata amores do passado, amizades que se perderam com o tempo, lembranças de entes queridos e momentos inesquecíveis que compõem a história de cada um. São lembranças que, além de armazenadas na memória, sobrevivem por meio de recordações materiais que nos acompanham pela vida. Fotografias, livros, bilhetinhos, cartas e cartões, roupas e objetos que importam pelo valor sentimental e não financeiro.

“Aparentemente podem parecer ‘bobagenzinhas’, mas elas fazem parte da estrutura de cada pessoa. A estória de cada indivíduo é formada por pequenas emoções”, afirma a psicanalista Anna Veronica Mautner.

Para Anna Veronica, não é possível classificar como certo ou errado o hábito de guardar objetos que resgatam um determinado momento, agradável ou não.

“O valor aqui não é quantitativo, porém de intensidade”, afirma. No entanto, é essencial selecionar e organizar isso para que as lembranças do passado não ocupem espaço demais no momento presente.

“Ficar apenas valorizando e guardando coisas do passado, pode nos aprisionar em relação a olhar para o futuro”, alerta o psicólogo clínico Alessandro Vianna.

De acordo com Vianna, o comportamento humano de tentar perpetuar o passado por meio de objetos que remetem, em especial, a alguma boa lembrança é algo natural. Entretanto, afirma o especialista, pessoas mais fragilizadas emocionalmente, mais carentes, com problemas de autoestima e necessidade de aceitação, tendem a ter esse tipo de comportamento com mais frequência.

Quando as quinquilharias sentimentais passam a ocupar muito espaço no ambiente e na vida da pessoa, o risco é transformar as ‘boas recordações’ em um acúmulo preso ao passado.

“Guardar coisas em um pequeno espaço pode fazer sentido justamente por aquele pequeno material fazer parte de uma história. Porém, quando isso extrapola e as pessoas acumulam demasiadamente, gerando transtornos de espaço físico é um sinal de alerta”, reforça o psicólogo.

Tudo em seu lugar

Quando se trata de boas recordações, conjugar o verbo desapegar não é uma tarefa fácil. Você fuça, remexe, relembra, rumina, suspira e acaba voltando tudo para o lugar em que estava. Quem sabe na próxima arrumação, você se enche de coragem e consegue fazer aquela limpeza, não é mesmo? Nem sempre. A maioria das pessoas pensa assim e quando vê não tem mais lugar no armário, nas gavetas e, o pior, nem lembra mais do que está guardado.

Evite o acúmulo exercendo o desapego e selecionando o que pode ir fora
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Evite o acúmulo exercendo o desapego e selecionando o que pode ir fora

Para evitar esse acúmulo de lembranças físicas, o ideal é mexer nelas periodicamente – um vez por ano ou a cada dois anos – e exercer o desapego na prática. Veja como fazer:

1.  Se ainda não está emocionalmente pronta para se desfazer de algumas coisas, concentre tudo em uma caixa, feche-a e deixe-a em algum lugar fácil de encontrar quando estiver pronta para mexer nela

2. Não conseguiu fazer isso sozinha? Peça ajuda de alguém que saiba da importância de tais objetos na sua vida

3. Quando estiver pronta para mexer neles, trabalhe em intervalos curtos. Escolhas difíceis são mais assertivas quando a mente está descansada

4. Caso não consiga decidir entre guardar ou jogar fora algum item, pense se gosta dele o suficiente para usá-lo ou se ele não será mais útil para outra pessoa

5. Seja seletiva: em coleções de coisas, guarde apenas um ou dois itens que tiverem mais significado para você

Veja aqui as dicas da personal organizer Daniela Muniz para organizar suas quinquilharias sentimentais

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