Autora explica por que introvertidos estão desbancando barulhentos como líderes no mundo do trabalho

Participar de dinâmicas em grupo e trabalhar constantemente em equipe pode ser um sofrimento aos introvertidos, indivíduos que têm o silêncio como a mais produtiva fonte de energia e criatividade. Essa personalidade, porém, vai contra o que muitos gestores e formadores de opinião consideram “um perfil de liderança”.

Americana defende o silêncio como arma para influenciar pessoas no dia a dia
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Americana defende o silêncio como arma para influenciar pessoas no dia a dia

Todos estão errados, diz Jennifer B. Kahnweiler, autora do livro A Força dos Quietos (Ed. Gente), recém lançado no Brasil.

“Precisamos aprender o poder do silêncio. Ele vale ouro na era dos smartphones e das constantes interrupções”, disse a autora em entrevista ao Delas .

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Para Jennifer, as pessoas extrovertidas e “barulhentas” devem adotar a postura dos quietos em vez de pressioná-los a falarem mais e expressarem melhor os pensamentos.

“Quem fala alto e grita sua ideia é o perfeito estereótipo de líder, mas quase sempre a ideia ‘mais gritada’ não é a melhor”, explicou a pesquisadora. Ela garante ainda que a velha lei ‘ouvir mais e falar menos’ pode ser a solução para alcançar êxito na vida pessoal e profissional.

Ao percorrer cidades dos Estados Unidos como palestrante motivacional, Jennifer (que assume ser uma pessoa extrovertida) transformou-se em uma observadora dos introvertidos. Após ouvir inúmeros testemunhos frustrados de “quietos mal compreendidos e ignorados”, que não conseguiam virar um personagem para serem aceitos nos círculos sociais, ela iniciou uma pesquisa a fim de provar que é possível – e até mais eficaz – fazer a diferença com uma personalidade introvertida. Jennifer criou então o conceito de Influenciadores Silenciosos.

Quem fala alto é o perfeito estereótipo de líder, mas quase sempre a ideia 'mais gritada' não é a melhor

Ouvir, aprender e responder

"Influenciar não é forçar as pessoas a ver os fatos sob a sua perspectiva, mas aprender com os outros e negociar uma solução compartilhada. É a abordagem mais adequada ao temperamento introvertido, pois envolve paciência, planejamento e perseverança", explica no livro. Gritar cada vez mais alto para ser ouvido perdeu espaço para ouvir, aprender e responder. "Gritar ideias é passado". Para ela, todas as pessoas carregam características extrovertidas e introvertidas.

Jennifer Kahnweiler pesquisa o poder dos introvertidos há 35 anos nos EUA
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Jennifer Kahnweiler pesquisa o poder dos introvertidos há 35 anos nos EUA

O segredo para uma vida equilibrada, segundo a autora, é escolher qual lado irá ganhar durante um momento-chave. Durante um atrito no trabalho, por exemplo, bastaria respirar profundamente para acionar o silêncio e encontrar a melhor forma para responder ao outro.

"Escolho adotar minha energia interna, tenho pensamentos mais profundos, mergulho na minha criatividade e me torno uma pessoa mais equilibrada", conta Jennifer, que disse ao Delas ter aprendido certas técnicas com o marido – um superintrovertido – com quem está casada há 40 anos.

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Jennifer acredita que há quatro fortes tendências no mercado e elas apontam que é a vez dos influenciadores silenciosos. São elas: as organizações estão cada vez mais enxutas, o que cobraria mais eficiência nas complexas relações com fornecedores; tornar-se global, a necessidade de influenciar um grupo diversificado; o mundo virtual, onde as mídias sociais determinam a própria comunicação, e o aumento da concorrência, autopromoção e persuasão “no grito” não fazem diferença quando o foco deveria estar no desenvolvimento dos outros. Para os quietos, as notícias são boas.

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