Diversas redes reúnem grupos de amigos que estão em busca de saúde, praia e diversão

Não é preciso andar muito pela orla do Rio de Janeiro para notar a nova mania que tomou conta das redes esportivas neste verão. Se antes o beach tennis era esporte apenas para ex-tenistas ou amantes do frescobol, hoje cariocas de todas as idades descobriram na prática um jeito divertido de queimar calorias, conhecer novos amigos e reforçar o bronzeado. Da ponta do Leblon até o Flamengo, são diversos grupos que hoje vestem a camisa do esporte e ajudam na divulgação para os atletas profissionais brasileiros, atualmente muito bem rankeados na lista mundial.

Flavia Muniz é uma delas. Professora de beach tennis do Posto 12, no Leblon, ela atingiu em 2013 a marca de quarta melhor jogadora do mundo (a lista é encabeçada pelas brasileiras Samantha Barijan e Joana Cortez). A paixão pelo esporte foi tanta que Flavia deixou as quadras para montar seu escritório na areia, em meados de 2009, quando um amigo apresentou a novidade vinda da Itália.

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“A gente começou com umas quatro, cinco pessoas. Só ex-tenistas jogando todo fim de semana. E começou a aumentar o grupinho. Antes, só tinha uma rede em Ipanema – era conhecida como Ipanema 500, porque fica na Avenida Vieira Souto, altura do prédio de número 500. Hoje acho que só ali tem umas quatro”, relembra a professora.

As regras são simples e se assemelham ao tênis de quadra. A contagem é a mesma, normalmente o jogo é em dupla (quando é simples, a quadra é menor), a bolinha é sem pressão, daquelas levinhas mesmo, e a raquete é própria para o jogo. “Antes era bem difícil conseguir raquete, porque tinha que pedir da Itália. Hoje em dia tem material vendendo aqui. Rede, marcação, bola, raquete… Tudo. Os preços das raquetes variam entre R$ 190 e R$ 400 aqui no Brasil”, avisa.

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“Não é uma necessário saber jogar tênis para jogar beach tennis. É um esporte fácil, qualquer um joga. É divertido, ao ar livre, na praia… Eu tenho muitos alunos iniciantes que não acertavam uma bola na primeira aula e na terceira já estavam brincando”, conta Flavia.

Segundo a professora, em relação à faixa etária dos praticantes, o esporte é democrático – apesar de ainda pouco praticado pelos menores. “Infelizmente, no Brasil ainda não temos muitas crianças jogando, porque os pais não sabem que é um esporte para qualquer idade”, explica.

Em termos de saúde e beleza, o esporte pode ser uma ótima pedida para quem busca alternativas para perder alguns quilinhos. “Jogar é fácil. O que dificulta é a areia, porque se mexer na areia é pesado. É bom para trabalhar perna, resistência, explosão. Eu mesma emagreci seis quilos jogando beach tennis e fazendo treinamento funcional na areia”, fala a professora.

Fora que dá para pegar uma corzinha: “Meu escritório é na praia, estou sempre na área...”, cantarola ela, rindo.

Para fugir do trânsito, da academia, do estresse...

Cristina Blois, de 53 anos, é novata da turma e já está completamente apaixonada pelo esporte. Como sempre foi atleta, mas sofre com problemas no joelho, ela encontrou no beach tennis uma forma de fortalecer a musculatura e ainda fugir do trânsito. “Eu trabalho no Leblon e moro em São Conrado. Normalmente, levo muito tempo no carro para realizar esse trajeto. Hoje troquei o estresse pela aula. Eu conheci várias pessoas com mesmos gostos que eu, consigo me exercitar, dar um mergulho no mar... É uma delícia. Quero adotar para minha vida inteira”, garante a arquiteta.

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Durante a semana, Flavia monta a rede para aulas no Posto 12 entre 16h e 18h e fica até perto das 22h. Já no fim de semana, o local virou ponto fixo do encontro da galera. “Montamos um clube, trocamos mensagens por WhatsApp e passamos o sábado e o domingo curtindo a praia e jogando”, diz.

Em outros locais do Rio essa faceta social promovida pelo esporte também existe. Patrícia Andrade, de 27 anos, é moradora do Leme e faz parte do grupo de atletas da área. “É um esporte muito agregador. Você joga com pessoas de várias idades, umas melhores e outras nem tanto, e está tudo certo. Nós fizemos até festa de réveillon nesta virada do ano”, conta a jovem, que optou por praticar aula individual. “Meu condicionamento está bem melhor. No início eu não aguentava uma hora de aula sozinha. Hoje levo na boa”, pontua.

Nathy Costa, de 23 anos, dava aulas de vôlei de praia, mas há seis meses só carrega a raquete de beach tennis para cima e para baixo. “E olha que eu era uma negação no tênis de quadra”, brinca. “Fui convidada para treinar, hoje sou patrocinada, participo de torneios e nunca mais peguei em uma bola de vôlei”, diz.

Eu não tenho praia. E agora?

Não tem problema. Diversos clubes de cidades sem praia já estão oferendo aulas de beach tennis. É o caso do Paineiras do Morumby, em São Paulo. Coordenado por Carmem Ribas, o treino pode ser feito de segunda a segunda, em horários alternados (a partir dos 12 anos e apenas para associados). Já o Clube Esperia tem aulas toda quinta-feira, das 14h às 22h (uma hora por turma). Quem comanda o grupo é Marcela Evangelista e a idade limite é de 14 anos.


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