Autoavaliação, atualização focada do currículo e estreitamento dos relacionamentos são importantes se mudar os ares profissionais estiver entre seus planos

A mudança de ano no calendário é, para muitas pessoas, o incentivo necessário para concretizar a busca por um novo emprego. Se você faz parte do grupo que quer uma nova realidade profissional, é hora de colocar um plano em ação. Mas primeiro pondere a motivação desse desejo, até para evitar que a troca seja de seis por meia dúzia.

Antes de procurar um novo trabalho, analise suas motivações para mudar de emprego
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Antes de procurar um novo trabalho, analise suas motivações para mudar de emprego


“Não se dar bem com os chefes ou colegas pode ser um bom motivo para buscar um novo emprego, desde que não seja rotina. A pessoa que considera todos os ambientes insuportáveis precisa promover uma mudança em si, não de emprego. Sempre haverá chefes e colegas com as mais variadas personalidades”, afirma o psicólogo e consultor organizacional Fernando Elias José.

“Na realidade, o trabalho não é o melhor lugar para buscar satisfação afetiva. Naturalmente, é mais agradável trabalhar com quem se gosta, mas algumas pessoas criam expectativas demasiadas na figura do chefe, e recorrentemente se desapontam. Querer mudar porque está ‘de saco cheio’ não costuma ser um motivo promissor”, complementa a psiquiatra, psicoterapeuta e coach pessoal Elizabeth Zamerul. “Uma motivação que tem mais chance de funcionar é ter um plano de carreira, ou seja, que essa mudança de emprego faça parte de um planejamento mais longo para avançar e crescer”, continua.

Salários mais altos, menor distância entre a casa e a empresa e horários mais flexíveis são outros motivos comuns para desejar mudar de emprego. “Se forem fatores relevantes na vida da pessoa, devem ser levados em conta. É preciso entender, porém, que desafios diferentes surgirão por causa deles”, diz Fernando.

Para a coach e consultora de comunicação e sustentabilidade Karen Gimenez, tudo deve fazer parte de uma reflexão abrangente. “Algumas perguntas precisam ser feitas internamente. Que motivos a levaram a trocar de emprego nos últimos anos? O quanto sua comunicação é clara? Você precisa ganhar mais porque o seu salário está fora do mercado e da sua qualificação ou porque você não administra suas finanças adequadamente?”, lista.

Com todas as análises feitas, deixe o medo de lado e vá atrás do progresso. “Trocar de emprego faz parte da vida, não há problema nenhum nisso. Se a pessoa sente uma necessidade grande de mudar, tem que enfrentar esse desafio”, reforça o psicólogo Fernando Elias José.

Confira os dez passos que ele, Elizabeth Zamerul e Karen Gimenez sugerem para que seu plano finalmente saia dos sonhos e se torne realidade no ano que se inicia.

1. Faça uma autoavaliação profissional

Pense em todos os elogios e críticas profissionais que tenha recebido recentemente e os coloque em uma lista – por escrito, para não deixar nenhum de fora. A partir dela, bole maneiras de minimizar ou eliminar seus pontos fracos.

2. Determine que características deverá ter seu novo emprego

Achar que qualquer coisa é melhor do que seu emprego atual é apostar na decepção em curto prazo. Pense nas características que devem ser evitadas e nas que devem ser valorizadas nos anúncios e nas oportunidades que aparecerem daqui para a frente, para saber quando dizer não. Nada de metralhar o currículo só porque as vagas são da sua área de atuação.

3. Atualize seu currículo

Abra o arquivo de seu CV e separe algum tempo para deixá-lo atualizado (veja ao final da página as frases e expressões proibidas para currículos) . Seja realista e objetivo. Tenha em mente que o recrutador não vai gastar mais que dois minutos lendo seu currículo, então dê destaque às experiências realmente relevantes. Não minta sobre experiência ou formação, pois esses itens são facilmente checados e a mentira pode fazer você se queimar no mercado. E lembre-se que o currículo pode precisar ser adaptado para cada vaga, por isso leia cada anúncio detalhadamente para saber o que destacar, incluir ou excluir nessa versão atualizada.

4. Ative sua rede de contatos

Networking é algo que nunca deve ser abandonado. Mas se sua rede de contatos estiver um pouco inativa, marque almoços e cafés com amigos e ex-colegas. Tenha tato: nada de chegar já pedindo indicações, pois parecerá uma aproximação falsa. Converse, conte como andam as coisas, sonde a possibilidade de a pessoa saber de alguma vaga adequada para seu perfil e faça ela perceber que trocar de emprego é algo que você considera interessante no momento.

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5. Inscreva-se em sites de vagas de empregos

Existem muitos sites gratuitos que anunciam vagas, direcionam seu currículo quando você decide se candidatar a elas e disponibilizam seu currículo para pesquisa de recrutadores. Cheque quais são mais focados na sua área e na sua cidade e inscreva-se em todos. Não esqueça de manter seu CV sempre atualizado neles também.

6. Entre em grupos de discussão sobre sua área de atuação

Participe dos tópicos levantados e mostre seus conhecimentos. Fuja de brigas e de polêmicas desnecessárias – recrutadores costumam entrar nesses mesmos grupos para procurar profissionais para suas vagas, e você não quer ser ter uma imagem encrenqueira.

7. Atualize-se com cursos e palestras

Por mais que você execute seu trabalho com maestria na empresa atual, o mercado quer profissionais atualizados. Procure cursos que possam turbinar seu currículo. Se o tempo estiver curto, opte pelos que possam ser feitos online e sem horário marcado. Se o problema for verba curta, procure cursos gratuitos pela internet ou presencialmente. Neste caso, o melhor caminho é o das universidades públicas, que costumam ter cursos de curta duração. Palestras também são uma boa forma de se atualizar, além de propiciarem o networking em seus intervalos. Não esqueça de levar seus cartões a elas.

8. Prepare-se para as entrevistas

Mantenha a seriedade e a objetividade e, ao ser perguntado por que procura um emprego mesmo estando no mercado, ressalte sua vontade de mudar de ares e encarar novos desafios. Não fale mal de seu atual emprego ou de seu chefe, pois isso pega muito mal (quem garante que, em alguns meses, você não fará o mesmo em relação ao emprego ao qual está concorrendo?). Venda suas qualidades ao recrutador, não seu desespero. Veja os erros mais comuns das entrevistas de emprego.

9. Mantenha a produtividade no emprego atual

Nada de fazer corpo mole porque não aguenta mais seu emprego. Tenha em mente que, quando sair dele, precisará mostrar energia na empresa nova, e é muito mais fácil chegar lá no embalo da produtividade do que se reerguer de um poço de desânimo de uma hora para a outra.

10. Ao sair, deixe as portas abertas

Esta é quase uma continuação do item anterior. Ao sair da empresa atual, opte pela elegância e pela discrição. Não queira lavar roupa suja com possíveis desafetos de sua permanência nela e não despeje todas suas frustrações na conversa final com seu chefe ou no formulário de demissão a ser preenchido no RH. Deixe claro que você está saindo em busca de novos desafios e que seus contatos estão à disposição. Não se esqueça: esses ex-colegas agora fazem parte de seu networking, que poderá ser necessário no futuro.

>>> Veja abaixo dez frases e expressões proibidas no currículo:

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