Mandar ou não uma mensagem no dia seguinte? Disfarçar ou mostrar um pouquinho de ciúmes? Experts contam o que não fazer ao iniciar um relacionamento

Apesar do receio de se decepcionar ou de perder tempo com uma relação que talvez não renda frutos, todos desejam uma chance de ser feliz acompanhado. "É normal do ser humano querer criar conexões. Alguns têm mais facilidade, outros menos, mas é raro encontrar alguém que realmente queira ficar sozinho. Até as pessoas que são naturalmente mais solitárias procuram outras que façam bem para elas", diz Renata Arrepia, psicóloga, sócia-diretora da Master Coaching e instrutora licenciada pela Sociedade Brasileira de Coaching.

É comum cometer erros na busca de um novo amor, mas é possível evitá-los - e aprender com eles é o mais importante. Renata, Aílton Amélio da Silva (professor do Instituto de Psicologia da USP e autor dos livros "Relacionamento Amoroso", da Publifolha, e "Para Viver um Grande Amor", da Editora Gente), e Eduardo Santorini (coach de relacionamentos especialista em sedução e táticas de dinâmica social) enumeram os erros mais comuns na procura por sua metade da laranja.

1. Buscar um novo amor para curar o antigo
"O primeiro grande equívoco é iniciar um namoro na ânsia de aliviar o que ficou no passado", diz Aílton. Seja por baixa autoestima - algumas pessoas acreditam que ter um parceiro também é sinal de status - ou falta de uma companhia para se divertir no fim de semana, isso é um erro. Na maioria das vezes, as pessoas ainda não sabem o que querem e acabam aceitando qualquer um apenas para suprir o vazio que sentem.

O que fazer:  "É essencial determinar algumas perguntas: 'quem eu gostaria do meu lado?' e 'o que eu planejo para a minha vida?' Vejo muita gente que não está feliz, mas continua um namoro porque está acomodado", ressalta Renata. É aquela velha história do "ruim com ele, pior sem ele", o que acaba impedindo as oportunidades de conhecer alguém com mais afinidades.

2. Parar com o jogo da conquista
"No início, a amizade e a cumplicidade ainda não foram desenvolvidas. Existe um tempo para as duas partes se aceitarem e se gostarem. No começo, é normal o casal se ouvir, se respeitar, ser cuidadoso e atraente, no entanto isso se perde, o que não pode acontecer", reforça Aílton. Renata concorda e alerta que uma relação não pode se tornar acomodada até o ponto de esfriar. "É preciso se doar, pois o amor nada mais é do que uma troca."

O que fazer:  Depois que a loucura da paixão vai embora, programar uma viagem inesperada, dar um presente sem data comemorativa ou reservar um restaurante aconchegante como surpresa pode aproximar o casal.

3. Tentar mudar o outro
Ninguém é perfeito. E algumas coisas simplesmente são difíceis de mudar, como temperamento e personalidade. Se um dos lados começa o relacionamento sonhando que o outro vai se transformar ou melhorar, ele está fadado ao fracasso. "Costumo dizer que são necessárias cinco qualidades para cada defeito. Claro, às vezes uma coisa ruim vale mais do que dez boas, como no caso de desvio de caráter", diz Aílton.

O que fazer: A saída é ponderar se vale mesmo a pena.

4. Achar que é a alma gêmea no segundo encontro
Calma lá! As pessoas precisam de tempo para se conhecerem melhor e saberem com quem estão. O amor classificado como “Mania” geralmente é desenvolvido por pessoas inseguras e carentes, que necessitam de atenção e constantes provas de amor - e, quando terminam uma história, entram em outra rapidamente. Já o amor batizado de “Eros” é aquele em que a atração física e o fascínio pelo parceiro são imediatos. Ambas as características fazem com que as pessoas criem uma idealização muito forte. E, com isso, vêm cobrança e pressão para que as expectativas sejam atingidas, o que pode acabar comprometendo o futuro namoro.

O que fazer: "A carência excessiva costuma afastar, afinal ninguém aguenta receber tantas mensagens durante o dia – e aí o outro perde o interesse mesmo. Isso também vale para quem começa a curtir todas as fotos no Facebook ou aparece com champanhe e carta apaixonada logo no começo. Uma dose de mistério é sempre bem-vinda”, garante Eduardo Santorini.

5. Colocar-se na “zona da amizade”
A expressão -- “friendzone” em inglês -- é dada para aquela situação em que o relacionamento não vai sair da amizade para se tornar um possível namoro.

O que fazer: É fundamental dar liga amorosa à relação: flertar, olhar nos olhos, segurar as mãos. Não adianta criar um clima amistoso e esquecer do romântico.

6. Ser ciumenta demais
"Ciúme é insegurança, porque o medo de perder não é real. O pensamento gera um sentimento que leva a uma ação. Ou seja, primeiro a pessoa imaginou algo que a deixou mal e a fez entrar na defensiva. Não se deve prender ninguém, isso é falta de amor próprio", comenta Renata. "Tem gente que fica lisonjeada com um pouquinho de ciúme, mas muito pode comprometer e colocar o namoro a perder".

O que fazer: De acordo com Aílton Amélio, não existe regra que mostre qual é o tempo certo para começar a sentir ciúme, o que existe é um tratado de exclusividade - quando estabelecido entre os parceiros -, que aí, sim, pode ser cobrado. Mas nada de surtar quando a amiga de infância do namorado curtir uma foto no Facebook ou quando ele combinar uma partida de futebol com os amigos durante a semana. Ninguém é exclusivo de ninguém e deve-se manter os círculos sociais ativos.

7. Esperar que alguém apareça na sua vida de repente
Segundo uma pesquisa realizada por Aílton Amélio há 15 anos, 40% dos relacionamentos começam entre pessoas desconhecidas, 34% por apresentação, 20% entre desconhecidos, 5% por encontros acidentais (no ônibus, por exemplo), e 1% pela internet - o profissional ressalta que, na versão atualizada do estudo, a porcentagem da web aumentou, mas ainda é considerado o menor índice. E é preciso saber onde procurar.

O que fazer: Tudo é possível, mas a balada é como se fosse uma garimpagem. "É muito cascalho e pouco ouro. É muito baseado na aparência e tem pouca conversa", diz o psicólogo. O trabalho é um local propício, mas é preciso tomar cuidado se o relacionamento não for para a frente, pois pode causar constrangimento no ambiente corporativo.

8. Falar do ex
"Existem alguns tipos de conversas que devem ser evitados, como dinheiro e relacionamentos passados. São zonas perigosas. Minha dica é desviar e falar sobre outros assuntos. E se for questionada, não entre em detalhes, nem comece a desabafar", recomenda Santorini.

O que fazer: De acordo com Aílton Amélio, se a curiosidade bater, o tópico "ex" deve ser abordado superficialmente e sem insistência. "Os dois precisam estar confortáveis e é preciso sensibilidade para não pressionar." O passado serve apenas para aprendizado. "O que você pode fazer de outra forma? O que pode melhorar? São experiências para torná-lo alguém melhor", explica Renata.

9. Não mandar mensagem no dia seguinte
Existem todas essas teorias de que, quando se pega o número do celular de alguém, é melhor esperar três dias para não mostrar interesse demais. Eduardo Santorini garante que esta estratégia não é muito boa.

O que fazer: “Mande uma mensagem no dia seguinte. Não precisa convidar para sair, nem ligar sem ter assunto. Apenas escreva algo como: ‘Adorei te conhecer’”, diz. É um sinal de que gostou e se lembrou. Se passar muito tempo, a atração inicial pode esfriar e o contato deixa de fazer sentido.

10. Falta de assunto
O primeiro encontro depois que o promissor casal se conhece não precisa, necessariamente, ser um jantar seguido de cinema – este nem é muito indicado, porque não é possível conversar e ainda pode forçar uma situação amorosa precipitada.

O que fazer: A ideia é que seja uma ocasião rápida para ninguém se sentir pressionado envolto por silêncios constrangedores: um café, no caso, é uma ótima opção. E, neste momento, a conversa precisa fluir naturalmente, não como uma entrevista de emprego. “Em vez de perguntar ‘o que você faz?’ e ‘onde você mora?’, elabore questões amplas que possam se tornar gancho para outros assuntos”, conclui Santorini.

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