Seja dentro do estúdio ou em uma externa, criar intimidade é essencial para capturar os melhores ângulos dos animais

Três fotógrafos e uma paixão em comum: os animais. Além de dominar as técnicas da arte da fotografia, eles ainda inventam as suas maneiras para atrair a atenção dos bichos e conduzi-los em um ensaio fotográfico. “Mais do que gostar de animais, é preciso criar intimidade com eles durante a foto. Você tem que senti-lo toda hora, o animal não mente”, diz Johnny Duarte , fotógrafo especializado em clicar animais há 13 anos.

O talento foi herdado do pai, Marçal Duarte, que a vida inteira se dedicou a registrar cavalos. “Comecei a fotografar de maneira informal e logo meu olhar começou a ser valorizado. Em 1996 eu mandei uma foto de um dobermann, o meu primeiro trabalho, para um concurso nos Estados Unidos, e ela foi premiada”, conta Johnny.

Nessa mesma época, o argentino Lionel Falcon deixou os tapetes vermelhos e os flagras das celebridades para se dedicar a uma vida “mais espiritual”, como ele próprio define. “Foi a melhor decisão da minha vida. Não tem aquela vaidade toda e não precisa de muita firula, produção, cabeleireiro, maquiador. Trabalho mais com a espontaneidade”, argumenta Falcon, um dos precursores da área no Brasil e fotógrafo há 50 anos.

Com o boom do mercado de pets, o trabalho do fotógrafo especializado em animais pode ser direcionado para diferentes nichos, desde fotos para publicidade, exposições e workshops até produtos cosméticos e farmacêuticos. “Tenho uma linha com mouse pad, ímã, jogo americano, porta-copos, adesivos, entre outras coisas”, lista Falcon, que trabalha em parceria com a Pet Center Marginal desde 2002.

Em sessões ao ar livre, trejeitos e manias do animal são valorizados
Pet Retrato
Em sessões ao ar livre, trejeitos e manias do animal são valorizados

Pet books

Em uma época em que até os amigos de quatro patas têm perfil no Facebook, os pet books, ou álbuns encomendados pelos donos dos próprios bichos, também estão com tudo. Ricardo Ferraz, fotógrafo e dono do Pet Retrato , agência de fotos aberta em maio deste ano, aposta em ensaios ao ar livre. “O nosso foco é externa. Como o cão não dura muito, em média 15 anos, a gente quer que os donos tenham uma lembrança de seus animais da maneira que eles eram. Mas sem tirá-lo da rotina dele, como se fosse um bicho de pelúcia”, pontua Ferraz.

Os trejeitos e manias do animal são valorizados durante a sessão. São fotos do cachorro pulando no lago, correndo no Ibirapuera, com a cabeça para fora do carro, com a bola na boca. A ideia da seção é registrar a convivência entre o dono e seu melhor amigo. Dez fotos tratadas e editadas de um domingo no parque não saem por menos de R$ 320.

Já dentro de um estúdio, donos chegam a desembolsar R$ 800 para ver seu animal de estimação no papel de modelo. “É o segmento que mais cresce no Brasil. Percebo que os donos não medem esforços para paparicar seus pets. Às vezes, gastam mais do que com os filhos”, opina Ferraz.

Petisco e cafuné

Com os cães, regalias como ossos e biscoitos ajudam o profissional por trás das lentes a conseguir o que quer. “Petiscos e cafuné ajudam a prender a atenção do animal. Tem que tocá-los e saber quando dar um tempo. É preciso estar calmo e transmitir tranquilidade, para não pressioná-lo”, explica Falcon.

Os donos também têm papel fundamental na sessão -- e nem sempre positivo. “Quando percebo que o dono está agitado, peço para ele sair do estúdio, para não deixar o animal ainda mais excitado”.

Cachorros tímidos ou que já passaram por algum trauma requerem cuidados especiais. “Tenho técnicas para contornar esses bloqueios”, salienta Duarte.

Pequenos agrados funcionam bem com os cães. Já os gatos, muito territorialistas e reservados, não caem nessa. “Os gatos não vivem em sociedade, vivem sozinhos, então tem que sempre seduzi-los na hora da foto. Uso feromônios associados à amizade e cat nip, a erva do gato. Comida não adianta, só se ele estiver com muita vontade”, explica Duarte.

Para animais selvagens como tigres e leões, o contrário: é bom que eles sejam saciados com muitos pedaços de carne, evitando os perigos para o fotógrafo.

Foto de Lionel Falcon: argentino trocou fotografia de celebridades por vida
Lionel Falcon
Foto de Lionel Falcon: argentino trocou fotografia de celebridades por vida "mais espiritual"

Pássaros, répteis, anfíbios e até insetos também rendem belas imagens, mas são menos comuns. O importante é buscar seu próprio caminho e se reinventar a cada trabalho, o que é sempre um desafio. “Não é fácil pegar determinados ângulos, fazê-los olhar para a câmera”, afirma Ferraz.

Vale ressaltar que é preciso ter carinho, paciência e muito jogo de cintura com todos os protegidos por São Francisco de Assis. “Se não tem boa relação com bichos, não rola. O resto é treinamento, prática, macetes que o fotógrafo vai pegando com o tempo”. E neste caso vale tudo, até descobrir barulhos e fazer sons com a boca para segurar a atenção do modelo. “Não tem jeito, tem que saber dirigir o animal”, conclui Duarte.

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