A resposta para esta pergunta não é tão simples quanto parece e exige coragem para correr riscos. É o que diz o psicanalista e autor Jorge Forbes

A sensação é de uma quase morte, uma grande vertigem. Perde-se a identidade e é como se tivéssemos no olho do furacão. É assim que nos sentimos quando realizamos um desejo. Mas este estado dura pouco. Logo vem o desinteresse pela conquista, talvez uma pequena depressão como se tivesse perdido algo e então uma vontade intensa de vivenciar novamente essa busca particular.

Desejos: a realização do que queremos nos coloca em posição perigosa
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Desejos: a realização do que queremos nos coloca em posição perigosa


É exatamente a singularidade que difere o simples querer do complexo desejar. “O desejo não tem explicação óbvia e se legitima no testemunho da pessoa”, diz o psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes, autor de “Você Quer o Que Deseja?” (Editora BestSeller), título inspirado em Jacques Lacan, professor dele na década de 1970 -- Forbes é um dos responsáveis por trazer a psicanálise lacaniana ao Brasil e acaba de lançar edição revisada de "Inconsciente e Responsabilidade - Psicanálise do Século XXI" (Manole).

O livro é um convite para cada um buscar sua própria resposta a este questionamento. Com medo de se arriscar, o ser humano opta pelo caminho mais fácil: o de ser mais um em meio à massa humana. Ser genérico, Forbes salienta, não faz o indivíduo sair de sua zona de conforto.

“Querer o que se deseja implica no risco da aposta e na coragem de expor sua preferência”, define o psicanalista. Como diria o provérbio, “cuidado com o que você deseja, pois poderá ser atendido”.

“Se você obtém aquilo que pediu, não tem mais nenhuma desculpa. Não pode mais se queixar. E a queixa é a esperança. Nada que alguém possa querer é suficiente para satisfazer o desejo”, observa. Para Lacan, desejar é sempre desejar outra coisa, a ponto de podermos agradecer a quem não nos dá o que foi pedido.

O psicanalista Jorge Forbes: 'o desejo não tem explicação óbvia'
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O psicanalista Jorge Forbes: 'o desejo não tem explicação óbvia'

A atitude do homem pós-moderno passou por uma transformação: ele saiu do piloto automático. Em vez de fechar os olhos e caminhar em frente, há a necessidade de calcular cada passo e pensar onde se quer chegar.

A obrigatoriedade por se optar frente a múltiplas possibilidades é um dos problemas da globalização.

Cada escolha, uma renúncia. O risco existe e isso gera estresse, que nada mais é do que a consequência do medo de deixar para trás alguma oportunidade melhor do que a escolhida. “Decisão e paixão estão juntas”, avalia.

Devemos nos responsabilizar pela busca da felicidade, assumindo os riscos e as consequências das nossas próprias decisões. “A felicidade é uma responsabilidade humana, não é para os covardes”, avisa.


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