Para Valdir R. Bündchen, sociólogo e coautor de “Singular”, manter a mentalidade correta é mais importante do que ter qualidades como inteligência e talento

Nunca existiu uma modelo como Gisele Bündchen. Única übermodel do mundo, a terminologia em alemão - cujo significado é “acima de todas” - foi criada especialmente para designar o sucesso atingido pela brasileira, inédito até então no mundo da moda. Mas sua singularidade não se deu por acaso. O pai, o sociólogo Valdir R. Bündchen, é considerado seu mentor e gestor de sua carreira como modelo mais bem paga da história – segundo o ranking da Forbes, ela lucrou R$ 100 milhões entre julho de 2012 e junho de 2013. Gisele já declarou inúmeras vezes que não seria quem é sem a ajuda do pai.

Repetir a trajetória de Gisele, no entanto, não fará com que outra modelo ocupe seu posto. “Caminhar por caminhos já trilhados não leva à singularidade, o nosso bem mais valioso. Tem que optar pelo que é diferente e isso exige autoconhecimento”, diz o sociólogo e coautor do recém-lançado “Singular – O Poder de Ser Diferente” (Editora LEYA). Resultado de duas décadas de pesquisas, a obra propõe uma nova maneira de pensar a vida. “Não é um livro de receitas, e sim de reflexões”, ele explica. “A natureza nos deu um presente que ainda não conhecemos tão profundamente. Só iremos descobri-lo olhando para dentro.”

'Singular': livro ensina como transformar habilidades em ferramentas de sucesso
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'Singular': livro ensina como transformar habilidades em ferramentas de sucesso

Teses como dar crédito à sorte ou ao acaso, bem como justificar o sucesso pela inteligência, são desconstruídas pelos autores. O método proposto por Bündchen e pelo filósofo Jacob Pétry é baseado em quatro ideias. O indivíduo é aquilo que ele pensa de si próprio, o que os outros pensam dele e seu resultado de vida, desde que nasceu até o momento presente.

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A partir dessas ideias nascerão evidências, que são as aptidões. Para reconhecê-las, basta recapitular o passado, onde está todo o registro da pessoa. As qualidades, natas ou adquiridas, e os pontos fortes surgem durante o caminhar de cada indivíduo.

Segundo Valdir, o ponto de partida para entender quais são os seus talentos é fazer um diagnóstico desse cruzamento de informações. “Só a repetição transforma o talento em grandes habilidades”, acredita. Feito isso, é hora de preparar o chamado solo fértil: estudar o mercado e ver onde sua singularidade ou o seu talento desenvolvido poderá ser usado. Identifique o que você tem a oferecer: se é relacionamento, influência, dinheiro, entre outros, e estabeleça as suas fontes de poder.

“Reflita sobre quem você é. Sair do automático exige introspecção. Tem que conhecer a si próprio para conhecer o outro”, explica Valdir. Também é importante ter parceiros com crenças e filosofias parecidas com as suas. Depois faça um projeto piloto, um pequeno ensaio, para ver se funciona. Crie um plano de ação por escrito e realize-o. “Tenha indicadores que possam medir os avanços e resultados, e depois disso, pense grande e comece pequeno, para poder suportar os riscos”, recomenda.

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O sociólogo Valdir Bündchen e o filósofo Jacob Pétry: a mentalidade correta é mais importante que o talento
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O sociólogo Valdir Bündchen e o filósofo Jacob Pétry: a mentalidade correta é mais importante que o talento

Do futuro ao presente

Descoberta a sua singularidade, faça uma ampliação dela. De trás para frente. Bündchen aposta em um contraponto interessante: o livro parte de uma ideia de futuro que volta até o momento presente. “É uma viagem inversa. Crie uma causa final que servirá de âncora para suas decisões e escolhas”, sugere. Se algo der errado no percurso, é porque os padrões mentais que geram angústia não foram removidos.

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“Se não estou feliz, é porque não estou usando plenamente a minha singularidade”, ele alerta. A mentalidade correta é, portanto, mais importante do que a inteligência, o talento, a criatividade e o entusiasmo. Quem tem mentalidade errada jamais conseguirá progredir, por mais que a pessoa seja brilhante e criativa. Para saber se a mente está correta, Bündchen recomenda observar os próprios condicionamentos.

E dá uma dica prática: “Anote tudo o que gasta, todos os dias. Ao gastar o dinheiro, a gente mostra quais são nossos hábitos de vida. Hábitos constroem resultados. Só assim você passa a conhecer seus resultados e então pode transformá-los”. Transformar os resultados consiste em alterar os padrões existentes. O fracasso, de acordo com Bündchen, é o sentimento secreto de que não nos consideramos suficientemente inteligentes. “Precisamos ter autoconfiança e não nos diminuirmos. É possível ter autoestima sem ser arrogante”, diz.

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Parafraseando o médium espírita Chico Xavier, o sociólogo aconselha não desanimar diante da dificuldade: “Embora a gente não possa fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. Com base na história de grandes estrelas e empresários (ver a galeria acima), a dupla de autores ensina que qualquer pessoa pode e deve tornar-se singular. “Pegue todos os ensinamentos maravilhosos que seus pais transferiram para você. São esses os valores que você irá praticar por toda vida. Olhe isso com mais sinceridade e verá quem realmente deseja se tornar. Perceba o poder extraordinário que você tem por ser diferente dos demais e estará pronto para ser feliz em toda a sua singularidade”, conclui.




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