Gunnar Garfors rodou o globo e não pensa em parar: “estive em todos os países do mundo, mas não em todos os lugares”. Leia entrevista

França, Inglaterra, Espanha, Estados Unidos. Gunnar Garfors, viajante compulsivo e apaixonado, não estará por aí. O norueguês, que também é CEO de uma companhia de TV móvel , idealizou e realizou um projeto interessante: conhecer os 25 países menos visitados do mundo. Essa empreitada está dentro de outra maior, a de conhecer todos os países do mundo – coisa que Garfors também já fez. Em entrevista ao iG, ele fala de como arruma dinheiro para todas as viagens e dá dicas para quem quer explorar destinos menos populares. Ao fim, veja a lista dos países visitados por Gunnar.

iG: Há quanto tempo você vem visitando os países menos conhecidos?

Gunnar Garfors: Em 2008, decidi visitar todos os países do mundo. Até agora já estive em todos os 198. A ideia da jornada me deixou curioso sobre os menos visitados. Eu já havia viajado para o primeiro dos 25 [menos visitados] em 1992, Liechtenstein, e completei a lista em abril, com Kiribati – que também foi o penúltimo país de todos do mundo. Visitei o último, Cabo Verde, no dia 8 de maio de 2013.

iG: De onde surgiu essa ideia?
Gunnar Garfors: Sou muito curioso. Quero experimentar as coisas por mim mesmo, amo geografia e sou muito determinado. Quando decido fazer alguma coisa, eu faço. Minha razão para visitar todos os países do mundo foi principalmente para fazer exatamente isso. Devo dizer que não existe um país para o qual eu não queira voltar. Experimento essa adrenalina todas as vezes que visito um país novo, e com certeza vou sentir falta disso.

Pedalando em Tuvalu, que recebe 1.200 turistas por ano
Gunnar Garfors
Pedalando em Tuvalu, que recebe 1.200 turistas por ano

iG: E o que você pensa em fazer daqui para a frente?

Gunnar Garfors: É ótimo ter atingido meu objetivo e fico feliz de ter conseguido levar isso a cabo sem muitos incidentes. Estive em cada país, mas é claro que ainda há lugares que não vi ou não visitei. E estou intrigado para revisitar lugares. Uma das minhas fascinações nisso é ver o que é novo, o que mudou. Com certeza eu mudei, será que esta cidade, montanha e ilha também? Só há uma maneira de descobrir...

Leia também:

Viagens para mulheres
Viajar para destinos exóticos com os filhos é um projeto possível

iG: Como você seleciona os países, além do número de visitas? Você considera a região ou continente?
Gunnar Garfors: Para a lista dos 25, só dependia do número de visitantes. Para todos os 198, a ordem dependia de onde era conveniente ir naquele momento. E se eu estava em um país, sempre tentava visitar pelo menos outro em cada viagem.

iG: Qual desses países foi o mais interessante? E o menos?
Gunnar Garfors: Essa é uma pergunta muito difícil e injusta. Cada país me fascinou de uma maneira ou de outra! Com frequência conheci ótimas pessoas, experimentei comidas novas, vi novas paisagens ou apenas experimentei coisas novas, e cada lugar foi diferente. Fico animado em conhecer lugares novos e isso me ajuda a aprender sobre mim mesmo, sobre outras pessoas e outras culturas.

Também fico muito mais interessado em lugares onde já estive. Então, depois de ter visitado 198 países, costumo ler tudo o que sai de notícias sobre eles. Gasto muito mais tempo lendo as notícias agora. Ter estado no país, mesmo que por pouco tempo, faz com que ele se torne mais relevante para mim.

Uma das razões que torna estes países tão únicos é haver tão poucos turistas. Você é bem-vindo de uma maneira muito mais pessoal

iG: Qual a diferença entre um país mais visitado e sua experiência nos menos conhecidos?

Gunnar Garfors: Eu recomendaria às pessoas visitarem o máximo de países possíveis entre os 25 citados. Todos eles são únicos e uma das razões para isso é que há tão poucos turistas. Isso significa que você será bem-vindo de uma maneira muito mais pessoal. As pessoas veem você de maneira individual, como um convidado. Em muitos pontos turísticos, as pessoas olham para os turistas como fontes de dinheiro e isso faz com que a experiência seja muito menos “real”, na minha opinião.

iG: Você acha que qualquer um pode visitá-los e gostar da experiência?
Gunnar Garfors: Não qualquer um, infelizmente. É preciso ter muita determinação e você vai ter que fazer alguns sacrifícios. Por exemplo, eu não tenho mulher, filhos, carro ou animal de estimação. Gasto todo o meu dinheiro em viagens. Prefiro, portanto, gastar com memórias do que com móveis, carros, ou qualquer coisa material. Alguns dos países são difíceis de entrar devido às rígidas regras de visto, então você precisa ser paciente e determinado. E uma mulher não pode entrar na Arábia Saudita a menos que esteja viajando com um parente do sexo masculino ou que consiga um visto de negócios e esteja lá para trabalhar.

Gunnar Garfors nas praias de Tonga
Gunnar Garfors
Gunnar Garfors nas praias de Tonga

iG: Como você consegue dinheiro para fazer essas viagens? Algum tipo de patrocínio?

Gunnar Garfors: Quem me dera! Gasto todo o meu dinheiro nisso. Também sou bom em encontrar passagens e acomodações mais baratas. Algumas vezes fico com amigos, alugo apartamentos modestos ou encontro um quarto de hotel barato ou bangalô. É claro que o luxo dos hotéis é ótimo, mas prefiro gastar meu dinheiro indo para mais lugares do que viajando menos e gastando muito por essa experiência.

iG: Que conselhos você daria para alguém que quer conhecer esses países?
Gunnar Garfors: Separe algumas semanas todos os anos e visite pelo menos de dois a cinco deles em cada viagem. E sempre pareça confiante, mesmo que você não esteja. Um turista que parece perdido é uma presa fácil para criminosos e vigaristas. E quando for viajar para África, Ásia e Oceania, sempre carregue dólares em espécie. Em muitos lugares não são aceitos cartões de créditos.

iG: Qual é o seu próximo destino?
Gunnar Garfors: Vou para Istambul, na Turquia. Mas é uma viagem a trabalho. Vou falar em uma rádio e em uma conferência de TV. Uma das minhas próximas viagens exóticas será para a Antártica, único continente em que não estive. Acho isso bem estranho, especialmente depois de visitar cinco continentes em apenas um dia, em 2012. Também estou ansioso para visitar o Brasil, Argentina e Paraguai novamente, além da Groenlândia.

Confira a lista completa dos países visitados por Gunnar:

- Afeganistão - 17 mil visitantes por ano
- Butão - 37 mil turistas por ano
- São Tomé e Príncipe - 8 mil turistas por ano
- Tuvalu - 1.200 turistas por ano
- Turcomenistão - 7 mil turistas por ano
- Tonga - 45 mil turistas por ano
- Somália - 500 turistas por ano
- Nauru - 200 turistas por ano
- Estados Federados da Micronésia - 26 mil turistas por ano
- Kiribati - 4.700 turistas por ano
- Ilhas Marshall - 5 mil turistas por ano
- Guiné-Bissau - 30 mil turistas por ano
- Coreia do Norte - 35 mil turistas por ano
- Chade - 71 mil turistas por ano
- Guiné Equatorial - 6 mil turistas por ano
- Dominica - 73 mil turistas por ano
- República Centro-Africana - 54 mil turistas por ano
- Liechtenstein - 53 mil turistas por ano
- Djibuti - 53 mil turistas por ano
- Serra Leoa - 52 mil turistas por ano
- Timor Leste - 40 mil turistas por ano
- Líbia - 34 mil turistas por ano
- Mauritânia - 29 mil turistas por ano
- Ilhas Salomão - 23 mil turistas por ano
- Comores - 15 mil turistas por ano (*)

* Segundo o site de Gunnar. Clique aqui para visitá-lo.

Leia mais:
Dicas para viajar de avião com seu filho
Casas estranhas pelo mundo
Top 10: sabores do mundo

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.