Tatuadores e técnicos de remoção dão conselhos para acertar na escolha do tema, do desenho e do profissional, evitando erros que ficaram famosos. Veja galeria com os piores

Se nada é definitivo na vida, a tatuagem parece ser uma exceção. Embora tratamentos ajudem a clarear os pigmentos sob a pele, o local nunca será o mesmo. “Não tem retorno, não sai mais. Por isso é preciso inteligência emocional nessa hora”, avisa o tatuador Nany, do Led's Tattoo, um dos estúdios mais famosos de São Paulo, em funcionamento desde os anos 80.

Passar por sessões a laser custa quase o triplo de fazer uma tattoo, como é chamada pelos amantes desta arte. Sem falar na dor da queimadura. Então, o arrependimento tem de ser grande. “O meu cliente vem ao estúdio para o clareamento de tatuagens muito ruins ou antigas. Também tem aquele que se cansou do desenho e quer fazer outra tatuagem em cima, ou mesmo quer apagar um nome de ex”, conta o técnico em laser Ricardo Alonso, 48 anos, também do Led's. “É na minha seção que chegam as coisas mais bizarras”, diz. 


Já vi um kanji super bem tatuado, só que em vez de ‘paixão’, estava escrito ‘feito de madeira

Não é só a falta de cuidados básicos com material (que deve ser cerificado pela Anvisa), profissional (procure alguém bem recomendado e com portfolio) e higiene que pode causar problemas. A escolha do desenho da tatuagem e da mensagem que ela vai transmitir costuma estar no centro do arrependimento. “Quando o cliente vem sem ideia, digo para voltar para casa e pensar”, diz Patrícia Gea, do estúdio Tattoo You, o mais antigo de São Paulo, inaugurado de 1979. Senão, o risco de ele cometer um dos erros abaixo (e terminar com uma tatuagem como as mostradas na galeria acima) é maior:

Tatuagens de time de futebol e símbolos que incitam o preconceito e a violência jamais entrarão no portfólio de M. Ramos, do Polaco Tattoo, estúdio inaugurado em 1983. Ele explica: “Esses dias vieram rapazes com desenhos de flâmulas da época de Roma e que, hoje, são símbolo do nazismo. Eu me recusei a tatuar”.

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Nomes de amores do passado também são um clássico na seção de laser. “Os que tatuam o nome da pessoa amada se arrependem porque sonharam com a eternidade do relacionamento”, diz Nany.

Tatuar rostos de pessoas, ou “portraits”, exige muita experiência. O profissional tem que ser especialista nesta categoria. Do contrário, são feitas tatuagens desfiguradas e incompatíveis com a foto de referência. “Dos 15 tatuadores do estúdio, apenas três ou quatro fazem retratos. Tem que ter cautela”, diz Nany.

Peças escritas em japonês, aramaico, árabe, hebraico, entre outras, sempre precisam passar pela avaliação de um professor do idioma. “As letras japonesas, por exemplo, estão ao contrário, então é preciso tirar o decalque, e inverter. O que deve ter de kanji errado por aí...”, imagina Nany. Não se pode confiar no tradutor do Google. “Já vi um kanji super bem tatuado, só que em vez de ‘paixão’, estava escrito ‘feito de madeira’”.

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O ideal é que a tatuagem seja personalizada, ou seja, criada em cima de descrições específicas, passadas pela pessoa, que já deve ter pesquisado um estilo que lhe agrada. Quem opta por um desenho pronto corre mais o risco de ser vítima de modismos passageiros. “Se com uma roupa já é assim, ninguém quer ver o outro com o mesmo sapato ou vestido, imagina com a tatuagem”, compara Ricardo, que relembra: “Teve época que todo mundo veio ao estúdio para remover temas do mundo das fadas, gnomos e duendes. O golfinho, o tribal, as estrelinhas e o símbolo do infinito também já tiveram a sua febre”.

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Tatuar desenhos pequenos demais ou em lugares muito escondidos também limita o trabalho do tatuador. “Não dá para tatuar um nome dentro de dois centímetros. Com o tempo, o traço dilata e a tatuagem pode virar um borrão”, alerta Patrícia.

É comum ver frases ou nomes com erros de português em sites de tatuagens esdrúxulas. As pessoas ficam tão ansiosas na hora de tatuar que se esquecem do nome da própria mãe. “Uma moça teve o nome da mãe tatuado errado. Eu disse: ‘Você que tem que saber o nome da sua mãe’”, lembra Nany.

Mas também há a grafia errada que é tatuada com um propósito. “Às vezes representa alguma coisa para a pessoa. Um exemplo é a moça que tatuou ‘Aja o que Ajar’ [e teve a imagem compartilhada nas redes sociais] , mas era como ela se relacionava com o marido. Significava para ela”, conta M. Ramos.

Como em toda profissão, eles fazem coro ao dizer que existem as lendas e as histórias fantásticas de gente que pede tatuagens que ninguém em sã consciência faria. Mas eles preferem não comentar. Pela seleção feita na galeria acima, dá para imaginar o que eles querem dizer.

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