Leia respostas de Margareth Carbinato, advogada trabalhista e presidente de honra do Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo

A advogada trabalhista Margareth Carbinato é presidente de honra do Sedesp (Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo), fundado por ela em janeiro de 1989. Segundo seu website, o órgão tem como objetivo “restabelecer o equilíbrio sócio-jurídico da relação patrão e empregado doméstico, orientando a classe patronal sobre seus direitos, cautelas e obrigações nesta relação jurídica”.

Leia também as respostas de Eliana Menezes, do Sindicato das Domésticas

iG: Na sua opinião, quais devem ser os deveres e direitos da empregada?
Margareth Carbinato: Os direitos: todos aqueles que a lei estabelece. Os deveres: os empregados domésticos devem se profissionalizar. Tem que entender que, se foi contratado, é para trabalhar e executar os serviços com primor e responsabilidade.

Margareth Carbinato, presidente de honra do Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo: reclamação mais comum são as faltas indiscriminadas
Edu Cesar
Margareth Carbinato, presidente de honra do Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo: reclamação mais comum são as faltas indiscriminadas

O empregado doméstico não deve ser encarado como ente da família

iG: Na sua opinião, quais devem ser os deveres e direitos dos empregadores?
Margareth Carbinato: Os deveres: jamais pagar o empregado sem exigir recibos; registrar o empregado e cumprir o que a lei determina. Os direitos: exigir e ter mecanismos legais para que o empregado cumpra com suas obrigações e deveres.

iG: Cinco anos atrás, como você definiria a relação entre empregador e empregado?
Margareth Carbinato: Não há diferença de cinco anos atrás e hoje, quando não existe a responsabilidade do dever cumprido. Refiro-me à responsabilidade da obrigação proposta, desde o ato da admissão.

iG: Hoje em dia, como é esta relação?
Margareth Carbinato: Ainda não há, por parte dos empregadores, o entendimento de que o empregado doméstico não deve ser encarado como ente da família. É uma relação meramente profissional, devendo deixar de existir certos procedimentos – como, por exemplo, a preocupação com alimentação e outros, pois o empregado doméstico está no local de trabalho para trabalhar e não se beneficiar com outras coisas, a não ser trabalho e salário.

iG: Qual a reclamação mais frequente da categoria que você representa?
Margareth Carbinato: A maior reclamação é o desrespeito de certos empregados, que faltam indiscriminadamente ao serviço, não valorizando o emprego e o salário que recebem.

iG: Como você imagina sua vida sem empregada?
Margareth Carbinato: Imagino que seria muito bom não depender de alguém para executar certas atividades domésticas, uma vez que hoje existem inúmeros mecanismos de apoio, tais como: lavanderias, empresas limpadoras, comida congelada, etc. Assim eu teria menos encargos do que a PEC das Domésticas está impondo.

iG: Como a empregadora gostaria de ser tratada pela empregada?
Margareth Carbinato : Não digo como a empregadora gostaria de ser tratada, mas sim compreendida. Gostaria que a empregada doméstica compreendesse que patrão não é vilão. É aquele que paga o ordenado do empregado. Portanto, o empregado deve ter respeito pelo mesmo.

(Reportagem: Raquel Paulino)

Leia também

Patroas 'versus' empregadas
Por unanimidade, Senado aprova PEC das Domésticas em primeira votação

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.