Vizinha da escola de samba Vai-Vai, em São Paulo, Carolina não quer saber da folia e faz de tudo para fugir dos batuques carnavalescos

Carolina Ferrari, 39, vive há sete anos no bairro da Bela Vista, em São Paulo. O local é famoso por sediar a tradicional escola de samba Vai-Vai. Uma vizinhança para carnavalesco nenhum botar defeito. O problema é que a professora de inglês não quer saber de folia. Pelo contrário, Carolina não se acanha em repetir a frase: “Eu odeio carnaval”.

Carolina Ferrari odeia o carnaval
Edu Cesar/Fotoarena
Carolina Ferrari odeia o carnaval

“Em primeiro lugar, eu não gosto do ritmo samba, de batucada. Mas isso é o de menos, o problema mesmo é a mesmice dos desfiles. O tema muda a cada carnaval, mas parece que você está assistindo a mesma coisa. Fantasias e carros alegóricos poderiam ser repetidos todo ano que ninguém ia perceber”, provoca Carolina. “Tem sempre uma arara, uma onça no enredo, que sempre acabam falando do Egito e da África”, prossegue.

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Mas a aversão da professora não se restringe ao carnaval das escolas de samba. “Um dos meus maiores pesadelos seria ficar presa no meio daquela multidão em Salvador, ouvindo axé no volume máximo. Me arrepia só de pensar”, confessa a paulistana, que tem o mesmo sentimento em relação ao frevo de Recife.

Cientes da fobia carnavalesca da paulistana, os amigos não perdoam. “Tem sempre um engraçadinho me convidado a ir à Bahia nessa época do ano. Do mesmo jeito, me chamam para algum baile de pré-carnaval. Já virou piada entre nós, eu levo as provocações numa boa”, conta Carolina, que obviamente diz não a esses convites.

Além dos ritmos que não a agradam, Carolina se incomoda com o clima de ‘oba-oba’ que toma conta de muita gente neste período de folia. “Não suporto essa coisa das pessoas beberem até cair só porque é carnaval. Acho ridícula essa cultura do vale-tudo por quatro dias”, critica a professora. “Outro problema é essa ideia de que o ano só começa depois do carnaval, de tudo ficar em compasso de espera”, continua.

A professora de inglês sentiu os efeitos desse ‘congelamento’ de decisões até o fim da folia no bolso. “Muitos alunos usam o carnaval como desculpa para adiar o começo das aulas. Como se eles não pudessem aprender nada antes desse período”, brinca.

Nem sempre Carolina teve esse horror à folia. “Eu nunca fui apaixonada por carnaval, mas na época da minha adolescência, eu ia aos bailes e às festas com os meus amigos e até me divertia”, revela. “Mas, com o tempo, fui perdendo a paciência e hoje simplesmente não suporto”, completa.

Kit de sobrevivência

Para sorte de Carolina, o carnaval de rua é pouco difundido em São Paulo, com a folia se restringindo mais aos desfiles das escolas no sambódromo do Anhembi, que fica na Zona Norte da cidade, bem longe do apartamento da professora de inglês. Mesmo assim, ela prefere restringir as saídas de casa no feriadão carnavalesco.

Aliás, a paulistana já preparou o seu kit de sobrevivência para o feriado carnavalesco. Ela vai aproveitar esse período para ver filmes e livros que há tempos estavam em sua lista. “Geralmente, eu vou à locadora e saio com uma boa quantidade de DVDs, o suficiente para me manter ocupada nessa época”, diz Carolina. Ela também só assiste TV a cabo nos dias de folia. “Evito até os jornais para não ter que ver as matérias sobre o carnaval e os compactos do desfile”, conta.

A trilha sonora dela no feriadão, obviamente, passa longe do samba e do axé. “Estou sempre de fone de ouvido nessa época, ouvindo rock, principalmente”, revela Carolina. A música serve de ‘combustível’ para outra atividade que Carolina planejou para o período: uma arrumação geral em seus armários e gavetas.

Para Carolina, vale tudo para se manter bem longe da folia que se espalha pelo Brasil. Ao contrário da modelo e estudante de moda Suelen Carvalho, 25, musa da Mocidade Independente de Padre Miguel – que sempre respirou carnaval.

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