Grupo "La Barbe" invade reunião de partidos políticos e de empresas para criticar domínio dos homens nessas instituições

BBC

Um grupo de feministas francesas, o "La Barbe" (A Barba), adotou uma forma bem humorada de protestar por igualdade de direitos das mulheres. 

As mulheres do grupo se infiltram em reuniões de partidos políticos, empresas e outras instituições das quais só participam homens ou nas quais eles são a grande maioria. No meio do encontro, as ativistas se levantam e colocam suas barbas falsas, enquanto uma representante do grupo lê um manifesto irônico parabenizando os homens por sua "supremacia".

Ativistas do La Barbe usam barbas postiças em protesto ao domínio dos homens em partidos políticos e empresas
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Ativistas do La Barbe usam barbas postiças em protesto ao domínio dos homens em partidos políticos e empresas

A expressão "La Barbe" significa "A Barba" em francês, mas em linguagem coloquial também quer dizer algo como "já basta" ou "isso já é demasiado". Segundo as representantes do grupo, o uso da barba falsa nos protestos tem como objetivo ridiculizar as atitudes antiquadas dos homens.

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"Essa é minha barba de discurso", diz Colette Coffin, tirando o adereço cheio de pelos da bolsa. "Tenho uma outra barba mais vasta, mas essa é a que me permite discursar sem nenhum desconforto."

Para Ilana Eloit, estudante de ciência política, o único problema da barba falsa é que ela "coça muito". A estudante explica que no século 19 todos os homens respeitados na França tinham barba. "Não mudou muito o modo como os homens se comportam e pensam na França", acredita.

Origens

O La Barbe inclui mulheres de todas as idades e com diferentes perfis. O grupo foi criado há quatro anos, em meio às eleições presidenciais francesas, quando pela primeira vez um grande partido francês - o Partido Socialista - lançou uma mulher como candidata.

A socialista Ségolène Royal acabou perdendo a votação para Nicolas Sarkozy , de centro-direita. Agora, seu ex-marido, François Hollande , é o presidente do país.

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Durante a campanha de 2007, muitas mulheres reclamaram de manifestações de machismo na imprensa francesa e na campanha eleitoral. Laurent Fabius , socialista que disputou com Royal a nomeação do partido, chegou a questionar publicamente quem cuidaria de seus filhos se ela fosse eleita presidente.

Criado nessa época, o La Barbe tem como um de seus principais alvos os partidos políticos, além de reuniões de acionistas de grandes empresas.

Protesto em Cannes

Recentemente, o grupo recebeu atenção da mídia francesa e internacional quando apareceu no Festival de Cinema de Cannes para protestar pelo fato de nenhum dos 22 filmes selecionados para a competição oficial ter sido dirigida por mulheres.

Na ocasião, o tapete vermelho, reservado para artistas famosas vestidas com roupas de grife, foi invadido por mulheres barbadas.

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"Geralmente, as manifestações feministas costumam se concentrar sobre os problemas das mulheres", diz Colette. "Nossos protestos têm como alvo os homens, porque o problema para nós são os homens, não as mulheres."

Recentemente, as mulheres do La Barbe invadiram o tapete vermelho do Festival de Cannes
Divulgação
Recentemente, as mulheres do La Barbe invadiram o tapete vermelho do Festival de Cannes

Nem sempre as manifestações do La Barbe são bem recebidas. Após uma tentativa recente de protestar em um seminário organizado pela organização maçônica Grande Oriente da França, as integrantes do grupo acabaram sendo empurradas de forma violenta para fora do local do evento por homens que pareciam ser seguranças e integrantes da organização.

A reação foi testemunhada por esta jornalista da BBC, a quem um desses homens também tentou arrastar. A polícia foi chamada para resolver a situação. "Nos últimos quatro anos fizemos cerca de 100 ações, mas essa é a primeira vez que tive que prestar queixa por agressão", disse Colette, abalada.

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