Dicas para você ser mais verde sem precisar descer do salto alto

Em tempos de Rio+20, pega mal dar de ombros para a consciência ambiental. Mas elegância “sustentável” não tem nada a ver com usar sandálias de pneu reciclado ou compostar o lixo da cozinha na sacada do apartamento.

Ser chic e ecológico não são atitudes imcompatíveis. Confira em nosso guia
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Ser chic e ecológico não são atitudes imcompatíveis. Confira em nosso guia

Para Mônica Horta, jornalista, consultora e produtora de moda, além de uma das idealizadoras do EcoChic Day, evento cultural que promove ideias, produtos e serviços que estejam alinhados com valores sustentáveis e criativos, que acontece no próximo sábado, 23, ser ecochic exige uma mudança de hábitos. “Tudo começa quando a gente olha pra dentro de si e faz uma reciclagem de ideias”, ela diz.

Pensando nisso, preparamos um guia de ideias ‘ecochics’ que podem inspirar mudanças de hábito naturais e duradouras.

Porque, ao contrário do que pode parecer, escolhas ecológicas fazem a vida mais gostosa e mais elegante, acredite, “adotar um estilo de vida ecochic significa ser dona de um guarda-roupa matador, sentir-se maravilhosa, comer e beber do bom e do melhor, ser mais conectada aos amigos, à família e à natureza”, ensina Christie Matherson, também jornalista e articulista de moda, gastronomia e estilo, autora do livro “Eco Chic – Salvando o Planeta com estilo” (Ed. Matrix), que inspirou parte de nossas dicas.

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Menos é mais. Você precisa mesmo daquele gadget de cozinha com milhares de funções, a maioria inúteis, anunciado em um programas da madrugada na TV? Imagine viver em uma casa onde cada elemento é escolhido com cuidado, entre objetos e móveis de qualidade e bom design, que seja funcional sem deixar de ser aconchegante. Não importa o estilo, desde que tenha a sua cara e apenas as coisas que você mais gosta. 

Opte pelo feito à mão ”, sugere Mônica. Cada peça vai ser única e exclusiva. A pequena escala valoriza o produto e o artesão que o produziu, além de favorecer uma escolha mais cuidadosa dos materiais e do processo de produção.

Reaproveite tudo, sempre ”. Reduzir o consumo é o primeiro passo. O segundo, no entanto, é reaproveitar, dar uma segunda vida a objetos que ainda podem ser utilizados. 

Pensar duas vezes antes de jogar algo no lixo.  Os japoneses têm uma expressão, wabi sabi , para expressar o requinte das coisas envelhecidas...Faça o exercício de olhar de um outro modo para móveis, utensílios e roupas que parecem não ser mais úteis. Se não conseguir valorizá-las em algum cantinho da casa, nada de jogar no lixo, doe ou separe para reciclagem.

Aprecie culturas locais e regionais e conheça e valorize a cultura brasileira”, aconselha  Mônica. Você vai descobrir um universo de possibilidades criativas de fugir dos objetos padronizados e banais.

Economize recursos. Deixar as luzes da casa acesas sem ninguém dentro e lavar calçada com mangueira, por exemplo, é garantia de vizinho olhando feio. “Você não lê jornal não?”

Fumar em ambientes fechados faz tempo que perdeu o charme . E não é só o costume que mudou: as leis caminham na direção de proibir esse hábito em todo o mundo

Na hora de decorar, considere móveis produzidos em pequena escala, de madeira de lei ou de demolição , são extremamente elegantes, duráveis, aconchegantes e bonitos. Mas não vale se a madeira não for certificada!

Delivery é cafona . Plástico por toda parte, embalagens descartáveis, desperdício e, quase sempre, entregas por moto (o que dá um “bônus” de emissões de carbono considerável) – qual a chance de isso ser elegante? E se o programa envolver comer apressadamente na frente do computador ou da TV então...Se não tiver jeito, use seu próprio guardanapo, talheres, copo e insista com os atendentes para reduzirem ao máximo as embalagens e sacolas.

Xo, plástico!  Materiais naturais e orgânicos são mais agradáveis ao toque, envelhecem melhor e são, em geral, mais bonitos do que os de plástico. 

Ao editar o guarda-roupa, pense em fibras naturais e valorize estilistas comprometidos com propostas mais amigáveis para a natureza. Fibras naturais, como lã, linho, algodão e cânhamo tem toque e caimento especiais. Pegue numa peça de cashmere e em outra, de lã acrílica, e você vai perceber o mundo de diferença. Uma referência inspiradora são as peças artesanais em tricô da estilista Vanessa Monteiro ou as coleções ousadas da Osklen . Ah, só devem caber no seu guarda-roupa peças que você absolutamente adora! E só! Menos é mais, lembra?

Uma vida sem papel é menos bagunçada e mais simples.  Boletos de pagamento, malas diretas, revistas e jornais impressos, tudo isso entulha a vida. Prefira as versões digitais para poupar árvores e se organizar melhor e leia online em tablets e notebooks.

Slow travel é tendência. Reduzir o número de paradas turísticas e viajar com tempo para curtir vilas e cidadezinhas tem sido a opção de cada vez mais pessoas interessadas no charme e nos detalhes da vida dos lugares, muito mais do que em colecionar carimbos no passaporte.

Que tal trocar a garrafinha plástica por jarrinhas de água filtrada? O hábito elegante, já é antigo na Europa e vem sendo adotado por restaurantes bacanas de várias capitais brasileiras. É uma cortesia do restaurante que, além de charmosa, reduz o lixo produzido.

Já que estamos reduzindo plástico, que tal também trocar copinhos descartáveis por uma caneca de cerâmica para o café e um copo de vidro para a água ? Menos lixo, mais elegância. Boa troca, não?

Quem nunca se arrependeu de uma compra por impulso da peça da moda?  Privilegie peças eternas, em vez sucumbir aos surtos consumistas tão típicos das fashion victims. “Tendência é conhecer e valorizar seu estilo”, diz Monica Horta;

Para fazer bonito na mesa, não tem nada mais interessante do que apostar em ingredientes locais, se possível, orgânicos. O frango mais sem graça ganha outro sabor se for marinado no limão-cravo colhido do sítio da sua tia ou temperado com as ervas que você cultiva em floreiras na janela da cozinha. Os maiores chefes do mundo sabem que a melhor comida nasce de ingredientes de primeira qualidade. Nesse quesito, fazer economia não vale! 

Go veggie! Mas se virar vegetariano não está nos seus planos no momento, uma atitude elegante é reduzir o consumo de carne. Muitas cidades e organizações estão adotando a “segunda-feira sem carne”. Um dia só por semana não sacrifica ninguém e já faz uma enorme diferença. Comer atum e outras espécies ameaçadas de extinção é feio também. É simples: essas espécies estão acabando. Então a regra é “evite comer para preservar”, e não “coma antes que acabe”.

Não depender de carro e poder ir para o trabalho a pé ou de bike é um luxo  ainda acessível apenas a poucas pessoas. Mas pelo menos nos pequenos percursos de rotina, como ir à academia ou sair para almoçar, dá para abrir mão do transporte individual motorizado, não? 

Peças com história são únicas. Garimpos e achados podem ser o que falta para quebrar a monotonia de um look com cara de vitrine de loja ou 'acender' uma casa com cara de show room.

Decrete sua alforria das sacolinhas plásticas. Resmungar sobre a falta de sacolinhas no caixa do mercado? Nem comece...Desde a sacola de feira com ar vintage, ecobags de todos os tipos e carrinhos forrados de lona, todas são opções que substituem o descartável fazem bonito na fila do supermercado.

Reciclar: não tem nenhum motivo para não fazer . É civilizado, ajuda a movimentar a economia gerando renda para esse setor, economiza matéria-prima e energia e reduz o lixo. Se onde você mora não tem coleta seletiva, muitas redes de supermercado recolhem o lixo separado e encaminham a cooperativas. 

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