Women’s Fórum, evento voltado para mulheres líderes e empreendedoras, discute como a mulher vai intervir e provocar mudanças nas sociedades do futuro

O Brasil foi o primeiro país a receber uma edição nacional do Women’s Forum , evento que existe há 7 anos em Deauville, na França, e que reúne lideranças femininas de empresas, governos e organizações não-governamentais para discutir boas práticas. O tema dessa primeira conferência internacional com foco nas vozes femininas, é "Como construir o país do futuro".  “Escolhemos o Brasil porque precisamos de otimismo e fé no futuro”, disse Véronique Morali, presidente do Women’s Fórum .

Maria das Graças Foster, presidente da Petrobrás, é um dos destaques do evento
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Maria das Graças Foster, presidente da Petrobrás, é um dos destaques do evento

A agenda do evento pretende discutir temas como a passagem de uma economia exportadora para uma economia voltada para o consumo doméstico; o avanço e o impacto das jovens mulheres da Geração Y nas próximas décadas; o fortalecimento da educação no Brasil e as várias formas de integração de consumidores e empreendedores da base da pirâmide – tudo sob uma perspectiva feminina. Mas faz sentido discutir economia e sociedade a partir de uma perspectiva de gênero?

“A posição das mulheres brasileiras é extraordinária", observa Véronique Morali, "Não somente pelo fato do Brasil ter uma mulher como presidente e várias ministras e senadoras, mas porque as mulheres aqui estão assumindo cada vez mais posições de liderança em seus próprios negócios, nas organizações e na sociedade civil. Nós vemos esse fórum como uma importante troca de experiências em várias áreas. As mulheres têm muito que aprender umas com as outras, desde como lidar com um cultura de negócios que ainda é muito masculina até como afimar-se como líderes bem-sucedidas que conseguem equilibrar suas vidas profissionais e pessoais"

Participante do painel que abriu o evento, Anne Lauvergeon é membro da UN Compact , braço das Nações Unidas que discute sustentabilidade, e foi CEO do Grupo Areva, uma das maiores holdings francesas, forte no setor de energia. Ela participou de quase todas as edições do Women’s Forum , de Davos, da Eco 92, da conferência de Estocolmo e estará presente na Rio+20, que dará sequência às discussões sobre mudanças climáticas.

“Fóruns como esse são importantes não apenas pela programação oficial, mas pelos contatos feitos no corredor. Homens e mulheres cultivam o networking de forma diferente. Os quebra-gelos, quer sejam sobre maquiagem ou vida pessoal, podem levar a boas trocas”, disse ela ao iG.

Para Anne, uma diferença fundamental no modo de gestão de homens e mulheres é que mulheres são pragmáticas, diretas e objetivas. “Não temos tempo para perder. Quem tem filhos em casa esperando precisa ir direto ao ponto”, afirma.

Ela acredita que trocas de experiência como as promovidas no fórum impactam a vida das pessoas de várias maneiras. “Ao ver outras mulheres em postos de liderança, você sabe que também pode chegar lá. Além disso, não ter diversidade de gênero é negativo para as empresas, é ruim para os negócios. É impossível refletir a sociedade sem diversidade.”

Foco em sustentabilidade
Uma das principais palestrantes na abertura do evento foi a senadora e ex-candidata à presidência da República, Marina Silva. “Em menos de 100 anos aprendemos tudo que os homens sabem por conta de um acervo feminino silencioso, estabelecido nas relações com outras mulheres, com os homens e com a natureza, que se manteve por muito tempo invisível. Então é bom que os homens também aprendam com as mulheres”, disse.

A senadora acredita que as alterações no tecido social nos últimos 100 anos por conta de uma maior participação feminina são um exemplo de como certas as mudanças são inevitáveis. “Ou o sistema produtivo muda ou não temos futuro. Defender sustentabilidade é o que pode nos dar uma chance”, disse ao iG.

Outro painel esperado com ansiedade era o de Maria das Graças Foster, presidente da Petrobrás . Foster recuperou para o público sua trajetória na empresa, onde entrou como estagiária, e há 5 anos se tornou diretora. “Das 56 posições de gerência atuais, 48 são ocupadas por homens e 6 por  mulheres. Existiram e existem barreiras, mas vejo-as como obstáculos a superar. Como gestoras, devemos combater o preconceito. Nas empresas, ele é  destrutivo, perverso e causa prejuízos. Diversidade é um superbônus para uma empresa”, afirmou a diretora da Petrobrás. Foster presenciou a mudança de perfil da empresa: há 35 anos, ela relata que havia diversos cargos para os quais mulheres não podiam prestar concurso, impedimento que hoje não existe mais.

Cotas de gênero
O painel se encerrou com um tópico polêmico: Foster é contra a política de cotas para favorecer a ascensão de mulheres à cargos de liderança. “Diversidade de gêneros, de nacionalidade e de orientação sexual devem ser estimuladas nos programas de captação de talentos”, diz a a presidente da Petrobrás.

Anne Lauvergeon concorda ainda que em termos: “cotas são a última solução possível para trazer diversidade para a empresa. São humilhantes. Você nunca vai saber com certeza se foi contratada por causa da cota ou se por mérito.” Thais Corral, co-presidente da Global Leadership Network , participante do painel, discorda. “Sou a favor da meritocracia. Mas quando você tem uma cultura muito arraigada, precisa dede recursos que provoquem rupturas mais drásticas”.

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