Amadas por muitos e odiadas por outros, as tevês dividem as atenções. Veja como lidar com elas sem entrar em pé de guerra com seu interlocutor

A televisão chegou ao Brasil em 18 de abril de 1950. Os aparelhos, caros e raros, eram a atração do bairro: a casa com um televisor geralmente era onde os vizinhos se reuniam no horário nobre para assistirem juntos às poucas horas da programação noturna.

A televisão pode potencializar o fim das conversas
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A televisão pode potencializar o fim das conversas

Em apenas 50 anos telas de TV de todos os tipos e tamanhos se espalharam pelos cômodos de quase todas as casas do planeta, ocuparam espaços públicos, como bares, restaurantes e praças, estão dentro dos carros, nos elevadores, nas salas de espera de médicos e hospitais, tornaram-se o ponto focal de ambientes privados e públicos e reinam, absolutas, no cotidiano das pessoas.

Isso não significa que o papel agregador da televisão tenha se perdido. Qualquer final de campeonato importante está aí para provar que ela ainda une pessoas por afinidades.

Jogos, posse de presidente da república, todo mundo gosta de assistir junto”, diz a consultora de etiqueta Célia Leão. “Nessas circunstâncias, a tevê ligada num canal de notícias em escritórios ou numa sala de espera é inclusive de utilidade pública”, diz a consultora.

Mas fora de situações de interesse específico, o que leva amigos ou casais a saírem para jantar e deixarem o papo morrer diante do estímulo da tela?

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Antonio Carlos Amador Pereira, psicólogo, psicoterapeuta e professor no Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, acredita que, se as vozes calam enquanto o olhar gruda na tela, a culpa não é da tevê. “O problema não é um aparelho de televisão no local. As pessoas não se falam no elevador, mal se cumprimentam. O aparelho de tevê só potencializa algo que já existe”, acredita o professor.

Ele compara esse silêncio diante da TV ao de um casal que lê jornais ou revistas no café da manhã de um domingo. “As pessoas tendem a se isolar, principalmente em cidades grandes. Vivem em função dos próprios problemas, de forma individualista. Elas têm seu computador, seu iPad, seu smartphone, sua televisão; se isolam. Vivemos como em um automóvel, em bolhas.”

Apesar da presença maciça, a tevê está longe de ser uma unanimidade, pelo menos nos espaços públicos. Como resolver o conflito entre os fãs de ambientes com tevês e os que não as suportam? Preparamos um pequeno manual para a tevê não se tornar motivo de guerra.  

1 – Evite o silêncio
“Sempre que estiver na presença de outras pessoas, o ideal é interagir”, acredita a consultora de boas maneiras Lígia Marques. Claro que numa sala de espera, entre desconhecidos, não tem problema focar na tevê. Mas convidar alguém para um chope e perder o rumo da conversa por causa dela é desagradável.

2 – Marcando: com ou sem tevê?
Se você foi convidado para um lugar com telas por toda parte e não gosta delas, escolha seu lugar estrategicamente. Sentar de costas para elas ajuda. “Sua prioridade tem que ser quem está à mesa, então tente ficar longe da dita. Se não for possível, você vai ter que se esforçar para manter a atenção na pessoa com quem está”, diz Lígia.

3 - Pode pedir para mudar de canal?
De jeito nenhum! “É falta de educação. Só se muda o canal da tevê da própria casa”, diz Célia. Se você não mudaria por conta própria a decoração de um bar, não faz sentido pedir ao dono do estabelecimento para escolher a programação. Já Lígia acredita que se a pessoa estiver sozinha numa sala de espera ou se ninguém mais estiver acompanhando o conteúdo da tevê, o constrangimento é menor.

4 – Pode pedir para desligar ou abaixar o volume?
Se estiver incomodando demais, atrapalhando as conversas ou causando um desconforto no ambiente, pode. “Diga que está alto demais e não está conseguindo conversar. Mudar de lugar é uma boa opção”, afirma Lígia.

5 – A TV dispersa o grupo
O papo começa animado, mas os gols da rodada, a abertura da novela ou até o começo do jornal disputam a atenção com a conversa. O que fazer? Célia Leão sugere dar um toque. “Viemos para beber e conversar ou ver tevê? É você que tem que dar um toque no parceiro – com sutileza”, recomenda. “Ser humano bom de papo é bom ouvinte. Que deselegância você falar e a pessoa estar ligada no futebol, no Faustão”, diz Célia.

6 – Mudar de endereço
Se o foco for mesmo a convivência e a conversa e não for possível conciliar com o lugar escolhido, propor uma mudança de endereço pode salvar a reunião. Nada pior do que não estar no clima do ambiente... “É uma ótima ideia se a TV está fazendo o encontro ficar dividido”, diz Lígia.

7 – E na hora de reunir os amigos em casa? TV or not TV?
Na intimidade do lar, cada família tem suas regras. A programação da tevê pode se tornar o assunto central do bate-papo ou exterminar de vez a conversa. Uma boa solução são DVDs de shows, que dão um clima agradável à reunião, tanto com a tela da tevê ligada quanto desligada. “Outros programas dispersam a conversa. Se ligar a tevê no futebol, não conte com a participação dos homens na festa!”, brinca Lígia.

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