Para elas, a medida é preconceituosa, atrapalha a interação social e, além de tudo, prejudica a paquera

As recorrentes brigas entre as torcidas de times de futebol fizeram alguns bares de São Paulo e de outras cidades, como Curitiba, tomarem uma medida drástica. Estão barrando pessoas com camisas de agremiações esportivas. Em Belo Horizonte, a Câmera de Vereadores está até discutindo um projeto de lei para oficializar a proibição. As mulheres, que se envolvem muito menos do que os homens nestes conflitos, também estão sendo impedidas de frequentar baladas com roupas deste tipo. O iG conversou com um grupo de amigas corintianas para saber o que elas acham da decisão. A resposta não foi nada positiva.

Torcedora fanática do timão, a produtora de eventos Sabrina Ribeiro de Camargo, 33 anos, já foi barrada numa balada no bairro paulistano da Bela Vista por estar usando uma camisa de time. Contrariada com a decisão e sentindo-se vítima de preconceito, ela chegou a chamar a Polícia Militar para tentar entrar no lugar, mas não teve jeito. “O policial disse que não podia fazer nada, que era um direito da casa me barrar. Ele ainda me aconselhou a trocar de roupa”, conta a paulistana, que não aceitou a sugestão. “Acho a decisão preconceituosa. Porque fica implícito que quem gosta de futebol é violento. E isso não é verdade”, completa.

Torcedora do Corinthians, Sabrina Ribeiro de Camargo acha a medida preconceituosa
Arquivo pessoal
Torcedora do Corinthians, Sabrina Ribeiro de Camargo acha a medida preconceituosa

A estudante de serviço social Paula Carolina Vecchi Rodrigues, 19, também passou pela experiência, nada agradável. “Era um barzinho e a camisa nem era de jogo, era uma daquelas casuais de torcedor. O modelo ainda era feminino”, relembra Paula. “Cheguei a discutir com o segurança, mas para não criar confusão, fui com meu namorado para outro lugar, no qual entrei sem problemas”, prossegue a torcedora, ressaltando que nunca viu uma mulher brigar por causa de futebol.

Gerente de uma casa noturna, a James, em Curitiba, Paty Rudy, 40 anos, adora usar camisetas do seu Corinthians, mas, apesar disso, adota a prática de barrar torcedores uniformizados. “É realmente um preconceito, mas é uma medida de precaução que temos que adotar. A camisa é um estopim para violência, principalmente se as pessoas abusam da bebida”, reconhece a curitibana, que faz uma confissão. “Nunca mais voltaria num lugar se eu fosse barrada por causa da minha roupa”, afirma.

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As três torcedoras acreditam que a vida nos bares vai ficar muito menos interessante se essa medida, que está sendo discutida em Belo Horizonte, for oficializada e se espalhar por outras cidades do Brasil. “A camisa ajuda na hora da interação nos bares. Você brinca com um torcedor do seu time, tira sarro de quem é do time rival. É um jeito legal de puxar conversa, interagir. Isso não vai acontecer se a proibição virar lei”, conta Sabrina.

Paula Carolina Vecchi Rodrigues conheceu o namorado num jogo e defende o uso de camisetas
Arquivo pessoal
Paula Carolina Vecchi Rodrigues conheceu o namorado num jogo e defende o uso de camisetas
Para elas, a paquera, tão comum nos bares e baladas, também vai sair perdendo com a proibição. “Nestas situações, a camiseta vira pretexto para puxar papo quando você está interessado por alguém num lugar desses”, explica Sabrina. Paula concorda com a amiga e ainda diz que o futebol ajudou na sua vida amorosa. “Eu conheci meu namorado num jogo clássico, Corinthians e Palmeiras, em 2010. Nós estamos juntos até hoje e eu agradeço ao timão”, brinca a torcedora apaixonada.

Por mais que as pessoas achem que é um preconceito, a medida encontra amparo legal, segundo o advogado especializado em direito desportivo, Eduardo Carlezzo. “Dá mesma maneira que um dono de bar pode proibir alguém de chinelo de entrar em um lugar refinado, ele também pode barrar alguém que esteja com uma camiseta de time. O estabelecimento tem o direito de criar essa regra”, esclarece o jurista. “É claro que a decisão geralmente é tomada com intuito de barrar a violência. O que me parece bastante justo”, acrescenta o jurista.

A advogado diz que os bares devem informar previamente os clientes sobre a proibição em seus sites. Carlezzo, porém, faz uma ressalva. “Não pode ter preconceito. Não dá, por exemplo, para deixar alguém com uma camiseta de um time internacional entrar e barrar quem está com a de uma agremiação brasileira”, finaliza.

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