Ao medicar cães e gatos por conta própria, donos podem até colocar a vida dos animais em risco

Dar remédios para os pets por conta própria é arriscado e pode piorar o estado do bichinho
Thinkstock/Getty Images
Dar remédios para os pets por conta própria é arriscado e pode piorar o estado do bichinho
Para os males mais comuns na vida de quem tem bicho de estimação existem diversas sugestões de remédios na ponta da língua de amigos que também têm bichos. A questão é que o dono que acata e medica seu pet por conta própria, quase sempre, não está ajudando seu animal.

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“O grande erro é tratar o cachorro como uma pessoa pequena, e o gato como um cachorro pequeno. Cada bicho tem um metabolismo diferente, e cada droga é uma nova experiência para o organismo”, alerta Eduardo Schmidd, médico veterinário do Hospital Veterinário Rebouças .

Além de ser impossível para um leigo prever como o organismo do animal vai reagir ao medicamento, o diagnóstico deve ser feito por um veterinário, que sabe interpretar corretamente os sintomas que o animal apresenta e os que o dono relata.

“O dono às vezes lê os sinais de forma errada, como interpretar focinho seco como febre, que nem sempre é”, afirma Schmidd.

Muitos donos acham que podem medicar seus animais porque diversos remédios para animais são os mesmos usados por humanos. Porém, há raças e espécies que metabolizam e toleram de formas específicas cada medicamento. É o caso de alguns tipos de antibióticos específicos para cães ou gatos, por exemplo. Idade, sobretudo nos extremos, filhotes ou idosos, também interferem na prescrição.

“A medicação para uma pessoa de 70 quilos e para um cachorro de um quilo precisa ter dosagens diferentes”, diz o veterinário.

Calmantes naturais
Acalmar o estresse é uma das situações mais comuns de medicação caseira, em casos de como barulho de fogos ou viagens, por exemplo. Muitos donos administram remédios como o Acepran, de venda controlada, e deveriam ser usados apenas com prescrição veterinária. “Há risco até de óbito, porque fatores como condições pré-existentes ou raça tornam o animal mais sensível aos medicamentos”, diz a veterinária Janaína Reis, da clínica Mister Vet.

Schmidd vai além: medo de estampidos ou ansiedade precisam ser resolvidos por um especialista em comportamento animal, para associar barulho ou viagens a coisas boas. “Drogas vão apenas minimizar a reação do bicho ao agente, mas ele vai continuar apavorado. Remédio nesse caso não adianta”, afirma.

Outro risco é o remédio mascarar doenças sérias. Ao dar o remédio para tentar resolver uma luxação na patinha ou falta de apetite, o dono acaba causando diarréias, vômito, danos no sistema renal, hepático, neurológico e até a morte do animal – além de mascarar a causa do problema. “Dar analgésico para baixar uma febre, por exemplo, é uma perda de tempo, se a causa for uma doença infecciosa”, diz o veterinário. Diante de sintomas como apatia ou suspeita de dor, o dono deve ao menos consultar o veterinário, caso não possa levá-lo numa consulta de imediato.

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Serviço
Clínica Mister Vet
Tel.: 11 3673-4028

Hospital veterinário Rebouças
Tel.: 11 3062 3011/ 3062-3716

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