Página com citações de Jesus é a campeã de frequentadores da rede social. Manifestações religiosas na web só crescem. Mas vale?

O médico Aaron Tabor, criador da página
Brendan Smialowski/The New York Times
O médico Aaron Tabor, criador da página "Jesus Daily" no Facebook
Um especialista em dieta da Carolina do Norte inventou uma fórmula para criar a mais engajada audiência do Facebook no mundo, ultrapassando em muito os esforços de marketing das celebridades: ele escreve as palavras de Jesus e as publica de quatro a cinco vezes ao dia.

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O médico Aaron Tabor, de 41 anos, cresceu assistindo a seu pai pregar nas igrejas do Alabama e da Carolina do Norte, e sua criação no Facebook chama-se Jesus Daily ('Diário de Jesus’, em tradução livre). Ele diz que começou em abril de 2009, como um hobby, logo que entrou no Facebook para ajudar no marketing de seu livro sobre dietas.

Durante os últimos três meses, pessoas curtiram, comentaram e compartilharam o conteúdo do Jesus Daily mais do que qualquer outra página no Facebook – incluindo, por exemplo, a página de Justin Bieber, de acordo com a análise semanal do blog especializado AllFacebook.com. “Quis proporcionar encorajamento às pessoas”, disse Tabor, que mantém seus negócios de dieta em uma página separada na mesma rede social. “Pensei que daria uma ênfase de notícia ao chamar de diário”.

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O Facebook e outras ferramentas de mídias sociais mudaram a forma como pessoas se comunicam, trabalham, encontram e se apaixonam. Apesar de muito cedo para dizer que as redes sociais transformaram a maneira como as pessoas praticam a religião, o número de pessoas discutindo fé no Facebook aumentou significativamente no último ano, de acordo com funcionários da empresa.

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No geral, segundo o Facebook, 31% dos usuários americanos listam uma religião em seu perfil e 24% dos usuários fora dos Estados Unidos também o fazem. Mais de 43 milhões de pessoas no site são fãs de ao menos uma página categorizada como religiosa.

Grande parte das conversas em plataformas sociais é promovida por líderes religiosos, igrejas, sinagogas e outras instituições religiosas que estão se voltando para o Facebook, Twitter e YouTube para atrair seguidores e reforçar as conexões com seus membros. A novidade é que milhões de pessoas estão também se voltando para as páginas do Facebook, como Jesus Daily, criadas por pessoas não filiadas a líderes religiosos ou casas de culto específicas.

Com 8,2 milhões de fãs, Jesus Daily contabilizou 3,4 milhões de interações na primeira semana de setembro, comparado com aproximadamente 630 mil interações entre os 35 milhões de fãs de Justin Bieber, mostra a análise do AllFacebook.com. A página The Bible do Facebook, administrada pela Sociedade Unida da Bíblia em Reading, Inglaterra, tem 8 milhões de fãs e também supera Bieber com aproximadamente 1 milhão de interações.

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Entre páginas para Lady Gaga, Texas Hold’em Poker e Manchester United, a Joyce Meyer Ministries está entre as 20 maiores, juntamente com outras páginas dedicadas a Jesus Cristo e a página em espanhol Dios es Bueno ('Deus é bom’). E o Facebook ganhou recentemente seu primeiro jogo temático sobre a Bíblia, The Journey of Moses ('A jornada de Moisés’).

Fé virtual também vale?
Mas o aumento no número de pessoas encontrando comunidades sobre fé pela via de plataformas de mídia social provoca uma questão sobre o que constitui uma experiência religiosa e se iniciar uma 'amizade’ online com uma igreja é similar a frequentar uma.

Embora o papa Bento 16 tenha reconhecido em uma recente declaração que as redes sociais oferecem uma “ótima oportunidade”, ele advertiu os católicos de que “o contato virtual não pode nem deve tomar o lugar do contato direto humano com pessoas em todos os níveis de nossas vidas”.

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O reverendo Henry G. Brinton, pastor titular da Igreja Presbiteriana de Fairfax, em Fairfax, Virgínia, que escreve um blog e cuja igreja se utiliza do Facebook, disse que era importante para as pessoas se reunirem para “experimentar a sensação física da água no batismo, a chance de dar as mãos em um serviço de culto ou cumprimentar uns aos outros nos desejos de paz”. “Eu não estou dizendo que não há um valor nas conexões que são feitas pelas redes sociais. Mas elas não podem nunca substituir a importância das pessoas estarem fisicamente juntas no serviço do culto”.

Talvez a maior oportunidade para líderes religiosos e instituições é achar e manter novos membros, de acordo com o reverendo Kenneth Lillard, autor do livro 'Social Media and Ministry: Sharing the Gospel in the Digital Age’ ('Mídias sociais e ministérios: compartilhando o Evangelho na Era Digital’).

Para ele, o Facebook e outras ferramentas da mídia social, incluindo Google+, YouTube e Twitter, representam a melhor possibilidade para líderes religiosos de expandir suas congregações desde que a imprensa escrita ajudou Martinho Lutero a conduzir a Reforma Protestante. “Eu vejo a mídia social fazer a mesma coisa com a igreja de hoje”, disse o autor, que é ministro batista em Maryland.

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Desde que fez um esforço concentrado para utilizar mídias sociais, há três anos, a rabina Laura Baum, da Congregação de Beth Adam em Cincinnati, disse que a sinagoga havia alcançado milhares de pessoas ao redor do mundo e expandido significativamente o número de participantes nos serviços da Shabat. O templo oferece leituras e serviços via vídeos ao vivo no Facebook, permitindo que judeus de todo o mundo se unam em rezas e conversas.

“Há algumas pessoas que irão sempre preferir a experiência física, cara a cara, que amam estar em um recinto com outros judeus e sentir o cheiro de uma chalá recém-assada. E algumas pessoas vão preferir estar online”, disse Baum, de 32 anos, que é uma das líderes do site OurJewishCommunity.org. “Há aquelas pessoas que preferem checar nossos tweets em seus celulares e escutar nosso podcast. Eu não acredito que o uso de tecnologia seja para todos. Porém, fundamos uma comunidade online. Muitos deles nunca sentiram uma conexão com o judaísmo antes dela”.

Para alguns, o Jesus Daily transformou-se em uma comunidade de fé online, na qual pessoas dividem seus problemas, fornecem e recebem palavras de apoio.

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“O Jesus Daily me lembra todos os dias de que não estou sozinha”, disse Kristin Davis-Ford, mãe solteira e estudante em período integral em Houston. “Todo pedido de oração que eu postei foi respondido e sei que é o poder dos filhos de Deus, que estão se juntando e entrando em acordo”, diz.

Aaron Tabor faz a maioria das publicações ele mesmo, usando algumas técnicas de marketing que aprendeu com seu negócio bem-sucedido de dietas, que expõe atualmente no canal QVC.

Recentemente, postou fotografias de filhotes de animais, pedindo às pessoas que dessem nomes aos “pequenos ajudantes de Deus”. Ao meio-dia, mais de 147 mil pessoas já haviam curtido a postagem. E os nomes para os filhotes estavam com mais de 7 mil comentários, incluindo um de Steven Karimi, que escrevia de Nakuru, capital da província de Vale Rift, no Quênia: “Eu amo o Jesus Daily. Verdadeiramente inspirador”.

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Tabor diz não estar certo sobre o que o futuro lhe reserva, mencionando um ministério global televisivo. Por enquanto, ainda é só um hobby.

“Quero que seja um encorajamento”, disse. “Há tantas pessoas batalhando contra o câncer, lutando para manter seus casamentos, esforçando-se para restaurar suas relações com seus filhos,” diz. “Eu quero apenas que o Jesus Daily seja um lugar central onde eles possam achar coragem, não importa qual batalha eles estejam lutando”.

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