Colunista do Delas dá dicas de como desenvolver afinidades e interesses em comum e mostra que este é um dos grandes prazeres fora da cama

Muito do prazer de um convívio a dois está também fora da cama. Afinal, a maior parte do tempo vocês convivem longe dela. E aí fala alto o prazer de estar junto com alguém que tem a ver com suas afinidades de gosto e de interesses.

Paulo e Mariana não têm o mesmo gosto.

Paulo gosta de montanhismo e ecoturismo. Mariana prefere um confortável hotel de praia. Ele adora tomar cerveja numa grande roda de amigos, ela gosta de um vinho branco na companhia de um ou dois casais. Ele gosta de picanha, ela de sushi. Ele assiste a comédias e filmes de ação, ela prefere filmes de arte e teatro. Em decoração, ela é clean, e ele gosta do rústico. A música dela é jazz e clássica; a dele, rock e country. Ela é sedentária, ele joga squash e basquete. A lista de diferenças de gosto é interminável. É difícil descobrir o que eles têm em comum.

Claro que se o resto da equação de casamento for bom, e Paulo e Mariana forem pessoas flexíveis, um cede daqui e o outro dali: uma sala de estar clean e o quarto de dormir rústico, um fim de semana na praia, outro na montanha, uma vez vinho branco, na outra, cerveja. Ou eles decidem buscar uma terceira alternativa: todo apartamento com decoração clássica, fins-de-semana num hotel fazenda na represa, e restaurantes de comida grega. Alternar ou buscar terceira alternativa tem tudo para dar certo se forem só alguns itens. Mas se eles tiverem realmente gostos muito diferentes estarão alternando o prazer de cada um com o desprazer do outro, ou viverão num meio-termo chocho.

Ele é rústico, ela é clean: até onde dá para superar as diferenças de gosto e interesse?
Thinkstock/Getty Images
Ele é rústico, ela é clean: até onde dá para superar as diferenças de gosto e interesse?

Mas mais importante do que gostos em comum são as afinidades de interesse!

Paulo e Mariana não coincidem nos interesses

Mariana se interessa por colecionar selos e ele por esportes radicais, ela adora falar de arquitetura e decoração e ele de futebol e economia, ela se interessa por psicologia e ele por informática? Na verdade, embora tentem, um não tem o mínimo interesse no mundo do outro.

Assim fica difícil até curtirem um jantar a dois. A conversa não evolui, ela escuta com um sorriso amarelo a história dele sobre um novo aplicativo para logística de controle de armazéns, e ele mal vai além de um "hum-hum", quando ela conta de um apartamento lindo que conheceu ou de uma nova pesquisa sobre depressão. De música, viagens e cinema também não sai papo. Ao final, para não ficarem sem assuntos em comum, os dois resolvem falar um pouco dos filhos, falar mal dos amigos, e depois do jantar tentam uma noite mais "quente" num motel. Ambos estão se esforçando, mas o fato é que não vibram e não se entusiasmam juntos pelas mesmas coisas.

E aos poucos Mariana, descobre que se entusiasma ao conversar com outras pessoas que se interessam por seus temas e têm gostos parecidos do que com Paulo, inclusive tem gostado tanto de conversar com o professor de jazz, que é tão charmoso e, veja só, também adora sushi e prefere decoração clean!!

Também Paulo, percebe que fica tão feliz toda vez que encontra aquela loira linda que participa do grupo de montanhismo dele. Ela ainda por cima ela curte música country como ele e se também diverte com os amigos nas rodas de cerveja. E nunca desfaz dos gostos dele como Mariana!

Como cuidar disto?

Talvez você e seu parceiro se amem, tenham projetos de vida em comum, se deem bem na cama, mas como Paulo e Mariana muitas vezes sintam que não têm nada a ver um com o outro. Homens e mulheres têm alguns interesses que podem ser divergentes. Mas também o temperamento e a personalidade de cada um contam muito. E o que fazer então?

Até certo ponto muitos gostos e interesses podem ser desenvolvidos. Por exemplo, podemos experimentar e aprender a gostar de vinho. Ou uma pessoa sedentária, com um parceiro esportista, pode aprender a praticar algum esporte.

Outros gostos, entretanto, não podem ser desenvolvidos. Por exemplo, se você já gosta e conhece vinho, mas só aprecia os brancos, não há como passar a gostar de vinho tinto. Ou se você não tem raciocínio matemático, será difícil interessar-se por software para controle de logística em armazéns.

Mas a maioria dos casais, diferente de Paulo e Mariana, tem ao menos alguns interesses e gostos em comum. Deve também ser o caso de vocês. De qualquer modo aí vão cinco dicas, talvez alguma ajude você e o seu parceiro.

1. Cultive bastante os interesses e gostos que existem em comum . Quem sabe ambos adorem receber amigos, viajar e assistir a shows de rock

2. Tente entrar no mundo do parceiro e com boa vontade se esforçar para aprender algo o universo dele

3. Se não conseguir "curtir" aquilo que seu parceiro gosta, ao menos não desfaça, não zombe e não despreze as escolhas dele . Não diga, "Deus me livre, que horror estes filmes que você escolhe, só tem sangue! Que ridícula aquela roda de homens bêbados tomando cerveja!"

4. Tente alternar as atividades que cada um aprecia . Que tal num fim de semana você escolhe um filme e outro ele? E acompanhe de boa vontade o parceiro no dia dele, nada de ir de cara amarrada e dizer "Ok, já que não tem jeito mesmo, eu te acompanho neste tipo de filme, fazer o que?". Vá de boa vontade e tente achar algo de positivo, tornando o programa agradável. "Puxa, este cinema é supergostoso, e os atores do filme foram ótimos!"

5. Se nada disto der certo tente criar espaços pessoais que o outro apoia e acompanha . "Ok, você vai ver este filme e eu vou na sala de cinema ao lado e vejo outro filme. Depois vamos jantar juntos". Ou: "Neste fim de semana você viaja para a pescaria com os amigos e eu ajudo a preparar malas, levo para o aeroporto e busco você no domingo. E você vai me mandando por mensagem os vídeos dos momentos mais legais". E, de fato, na volta do parceiro tente saber como foi para ele e sobre o que ele mais gostou na viagem e saiam para jantar gostoso.

Portanto, você pode abdicar de algumas preferências e negociar outras. Mas isso só funciona se a negociação for ocasional, do contrário a vida de casal pode se transformar numa desgastante negociação, numa grande sopa morna de meios-termos consensuais que no fim não satisfazem a ninguém.

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