
Diz o conhecimento astrológico que cada ano é regido por um planeta, que colore as nossas vidas com uma energia especial. O ano de 2012 é regido pela Lua que representa a mãe, as emoções, a sensibilidade, a intuição, o nascimento e a família.
A Lua também representa a Terra, nossa mãe maior, aquela que nos alimenta ou nos obriga a lidar com a fome, que dá o chão para nossos pés caminharem ou abre fendas mortíferas através dos terremotos. Que nos acolhe na vida e nos recebe na morte. Quase tudo, em geral, dependendo da forma como a temos tratado.
É muito significativo que o grande encontro internacional sobre ecologia e desenvolvimento sustentável esteja acontecendo num ano regido pela Lua, justamente no momento que Urano e Plutão se enfrentam, na quadratura crescente de um ciclo que começou lá atrás, nos anos 60.
O ciclo Urano-Plutão
Urano é a Liberdade. Plutão é o Poder. Este é um ciclo relacionado com revoluções e grandes mobilizações sociais. Mudanças radicais, reestruturação ou reconstrução de povos e nações. Um ciclo de rupturas, que propicia mudanças e novas propostas a nível político, social, cultural ou científico.
No passado, este mesmo ciclo esteve presente em momentos históricos como a Quarta Cruzada e a tomada de Constantinopla, por volta de 1203-1204.
A última conjunção entre Urano e Plutão vivida pela humanidade foi em 1965, porém seu raio de influência se estende uns três anos antes ou depois.
A conjunção de Urano-Plutão em Virgem (1963-1967)
O ciclo começou no signo de Virgem cujo simbolismo está ligado à alimentação, à nutrição, à saúde e a todos os fatores que ajudam a criar um cotidiano significativo.
E os anos 60 foram a época em que muitos jovens saíram às ruas, dispostos a mudar o mundo, encantaram-se com o ideal de Che Guevara, escolheram o caminho da revolução política, ouviram Beatles, foram a Woodstock, acreditaram que a música transformava as pessoas.
Sob a sombra deste ciclo, surgiram novas propostas de vida: o movimento hippie, o pacifismo e, com uma força inusitada, o ecologismo.
Em 1967, Che foi executado pelos militares na Bolívia, em seguida, a revolucionária conjunção Urano-Plutão começou lentamente a se dissolver. Com ela também se dissolveram os Beatles, o movimento hippie perdeu força e os jovens de Maio de 1968 se fundiram no anonimato.
O sonho parecia ter acabado. Durante muitos anos a força revolucionária de Urano parecia fugir de um encontro direto com o poder representado por Plutão.Quem se preocupava com o meio ambiente era chamado de atrasado, anacrônico, ecochato.
A conjunção Urano-Netuno em Capricórnio - 1992
Mais de 20 anos depois do trágico embate com Plutão, Urano se encontrou no signo de Capricórnio com um companheiro especial: Netuno, o senhor dos sonhos coletivos e de todas as ideologias.
E a Rio-92 trouxe de volta a esperança. As propostas que brotaram ali ainda receberam o reforço do próprio Plutão que estava mais forte do que nunca no signo que ele mesmo rege: Escorpião. As consciências que foram tocadas pelas recomendações daquela conferência passaram por uma transformação irreversível, a marca registrada de Plutão.
A consciência ecológica se espalhou pelo mundo, mas aos poucos se enfraqueceu. O lado escuro da força parecia estar vencendo de novo.
A quadratura de Urano e Plutão – a Rio +20 em 2012
Mas o tempo não para. De repente, uma crise de dimensões olímpicas sacudiu o planeta. Em 2008, Plutão entrou no signo de Capricórnio e detonou a crise econômica mais grave desde 1927.
Os alicerces do sistema balançaram e Urano esperou o momento de entrar em ação: primeiro assistiu de camarote a entrada de Saturno em Libra que agravou a crise e enfraqueceu o poder. Logo depois fez uma parceria com Júpiter, o pai de todos os deuses, e entrou junto com ele no signo de Áries, o signo de todos os começos.
A partir daí, dirigiu-se corajosamente na direção do confronto com Plutão.
Numa quadratura, os dois planetas estão a uma distância de 90 graus um do outro. Exatamente como está acontecendo agora.
Como nasceu lá atras, da conjunção dos anos 60, essa quadratura por um lado carrega as promessas de paz, liberdade, amor e justiça e por outro atiça a reação dos setores conservadores.
O encontro de 2012, fortalecido e pressionado pela Cúpula dos Povos, promete mudanças que têm a ver com os processos iniciado nos anos 60. Urano em Áries energiza os jovens, convoca medidas rápidas, urgentes, pede a ação... Plutão em Capricórnio revela o poder das tradições, do conhecimento, da experiência. Os mais velhos também vão ter seu espaço. Saturno em Libra fala da importância da diplomacia, da arte do relacionamento, do diálogo e do entendimento.
Uma quadratura como esta estimula mudanças qualitativas em toda a sociedade.
Estão acontecendo no mundo muito mais coisas do que o encontro no Rio de Janeiro. Mas, depois desse tempo, o mundo não vai mais ser o mesmo.
A vida vai mostrar com mais força que um novo mundo é possível...
Monica Horta - horta.monica@gmail.com - Jornalista e astróloga, Monica Horta é autora do livro “Aniversários – Um Olhar Astrológico sobre a Vida”