
Gêmeos: como podem ser tão diferentes se têm o mesmo mapa astral?
Sempre que numa roda social se conversa sobre astrologia as pessoas se dividem em dois grupos: as que “acreditam” e as que “não acreditam”.
“Conhecer” mesmo, em geral ninguém conhece. Pois bem, quem “acredita” ou “não acredita” numa coisa sem conhecê-la está emitindo um pré conceito. O significado da palavra preconceito é exatamente afirmar ou negar alguma coisa sem entender bem do que se trata. O erro vale tanto para um lado como para o outro.
Quem “acredita” aceita qualquer coisa e reproduz os milhares de estereótipos que aparecem por toda parte. Argumento, em quase todos os casos, nenhum. Quem “não acredita” costuma defender melhor sua “não fé”.
No caso dos gêmeos, o primeiro argumento é que pessoas que nasceram no mesmo dia, quase na mesma hora, são muito diferentes. E como podem pessoas tão diferentes ter o mesmo mapa astral?
O complicado é que elas estão cobertas de razão, o que não quer dizer que eu, como astróloga, estou me colocando do lado de quem me combate. O argumento é válido, mas só é um problema para quem mistura astrologia com psicologia e “acredita” que um mapa astral pode determinar personalidades e comportamentos.
A gente vive ouvindo frases do tipo “fulano é insuportável. Claro, é de Escorpião”; “ Detesto gente de Virgem. Vivem passando o dedo nos móveis para ver se tem poeira”...
Seria um verdadeiro absurdo que o céu reservasse um doze avos do seu espaço para qualidades ou defeitos que são comuns nos seres humanos. É verdade que muitas pessoas têm mapas iguais e personalidades diferentes. A astrologia não é uma psicologia. É uma tipologia. Muito fina, mas uma tipologia. Ninguém é dono do dia e da hora em que nasceu.
Quando se observa um berçário de uma casa de saúde, está se contemplando crianças que tem mapas astrais, no mínimo, muito parecidos. Em muitos casos iguais...
Mapas astrais não são individuais, mas as personalidades são. É por isso que não dá para comparar um com a outra. Personalidades são formadas a partir de muitas determinações, entre elas, a astrológica.
Existem determinações genéticas, como o DNA que registram um destino biológico que os cientistas vivem tentando decifrar. Determinações sociais, como a classe social a que cada um pertence no momento do nascimento. Determinações culturais, que imprimem conceitos importantes numa personalidade em formação.
A determinação astrológica indica apenas uma maneira de olhar para a vida. De perceber e de dar muita importância a determinadas coisas que para quem nasceu em outro momento ou em outro lugar são praticamente invisíveis.
É a partir das coisas que a gente vê que se escolhem caminhos ou se tomam decisões. Que se interpretam as palavras, as expressões ou atitudes dos outros. Quantas vezes você já não tomou uma atitude e depois percebeu que tinha visto tudo errado?
Mas tudo isso não tem a ver com a personalidade? Ter a ver tem, mas não é ela.
Quando se fala em comportamento então, a coisa fica pior. Arianos não são necessariamente agressivos, taurinos não nascem pão duros, nem virginianos são obrigatoriamente chatos e obsessivos.
O céu também não determina quem é bom e quem é mau. Essas são escolhas humanas e estão na área do famoso livre-arbítrio.
Um mapa astral retrata apenas a primeira luz que os nossos olhos viram e a recordação dessa luz funciona como um filtro que nos acompanha durante toda a vida.
Essa conversa toda me lembra uma frase que aparecia sempre nos cadernos de recordações das adolescentes do meu tempo: “amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.”
Se a frase fosse mesmo verdadeira, o amor seria privilégio exclusivo de gêmeos astrais...
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Monica Horta - horta.monica@gmail.com - Jornalista e astróloga, Monica Horta é autora do livro “Aniversários – Um Olhar Astrológico sobre a Vida”