Monica Horta, astróloga e colunista do Delas, explica como as previsões ultrapassam a astrologia e se fazem presentes na ciência, economia e política

Previsões: muito além da astrologia
Arte iG
Previsões: muito além da astrologia

Ainda estamos no começo de dezembro e as previsões para 2014 já estão ocupando um espaço importante nos meios de comunição. Todo ano é a mesma coisa. Primeiro, as retrospectivas... depois, as previsões. Não só astrológicas…

Quem não sabe fazer previsões não sabe que tempo vai vir, não pode se preparar para ele e tem medo do futuro

A festa de Ano Novo é o único ritual coletivo da nossa civilização que celebra a passagem do tempo. Outras civilizações, certamente mais sábias, comemoravam cada mudança de estação. Acendiam fogueiras nos solstícios, se cobriam de flores nos equinócios. Porque prestavam atenção à passagem do tempo sabiam se preparar para o tempo novo que ia chegar. Cortavam lenha antes do inverno, preparavam a terra antes da primavera, reforçavam as casas e se recolhiam antes da estação das grandes águas.

Ouviam e obedeciam às determinações da natureza sem grandes reclamações.

Nunca se ouviu falar de algum agricultor que tivesse recorrido à exótica ideia de livre arbítrio na hora de decidir qual a semente que deveria ser plantada em determinada época do ano.

É interessante notar que no mundo moderno a ciência das previsões acabou se tornando quase uma exclusividade de dois grupos aparentemente antagônicos: os místicos e os cientistas.

Nos centros de pesquisa mais sofisticados, homens e mulheres vestidos de branco procuram ler em moléculas de DNA o mesmo que feiticeiros antigos tentavam ler em folhas de chá ou borra de café: o destino do homem. Em laboratórios cada vez mais bem equipados, meteorologistas tentam conseguir previsões do tempo cada vez mais precisas. O destino de muita gente depende desse acerto...

Não podemos esquecer que, além dos astrólogos, dos pais de santo e das cartomantes, os analistas políticos e os economistas também entram nesta dança. Estes últimos não se preocupam a mínima com a possibilidade da previsão estar errada. Eles falam apenas de um desvio de curva, ou de reversão de expectativas, e vão em frente…

Para o pessoal da política, recuo estratégico é uma boa saída para uma previsão errada...

Tem gente que adora previsões e desde o mês de setembro já está perguntando por elas. Tem gente que detesta e reclama de todas. Até daquelas altamente positivas, que prometem alguma coisa que elas querem muito: um grande amor, por exemplo.

A irritação aí vem do medo de acreditar e de se decepcionar de novo...

É bem verdade que poucas coisas podem ser mais irritantes do que ouvir aquele terrível “eu não disse?” diante de um resultado errado.

Todas as previsões são ouvidas e esquecidas antes que passe a ressaca do réveillon.

Todas não. O pessoal que ainda está perto da natureza, como os pescadores e os agricultores, está sempre preocupado com a qualidade do tempo que vai vir.

Não é a toa que o “Almanaque do Pensamento”, que está completando 102 anos, tem como um dos seus itens mais interessantes um calendário agrícola que diz qual o dia melhor para plantar e colher flores, folhas, frutas, raízes, para as melhores pescarias e até mesmo para botar as galinhas para chocar...

Pois é, as previsões astrológicas sempre deveriam ter a simplicidade transparente das previsões agrícolas.

Tem épocas da vida que são primaveras e todo mundo gosta delas. Tem outras que são verões ou invernos. Tem gente que adora e gente que detesta, mas eles vêm e vão do mesmo jeito...

Quem não sabe fazer previsões não sabe que tempo vai vir, não pode se preparar para ele e tem medo do futuro.

Talvez tivessem menos medo e pudessem compreender as palavras de Sêneca, um filósofo que viveu no século II da nossa era:

“O destino guia aqueles que o aceitam e arrasta os que se rebelam...”

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