
Esta maravilhosa possibilidade de vivermos mais, e logicamente sempre na busca de uma melhor e maior qualidade de vida, também permite novos desafios e transformações.
Percebo e escuto cada vez mais a inquietação das pessoas na busca de melhores relações afetivas. O modelo do passado, aquele em que grandes mudanças eram coisa de jovens, tem caído por terra.
Explico melhor: muitas de minhas pacientes, e aqui falo do gênero feminino, acabam carregando fardos que não mais lhe pertencem. Às vezes, amizades que não fazem mais parte do afeto atual ou que há muito deixaram de estar em nossa agenda emocional. Será que devemos prosseguir com esta bagagem pesada em nome de um passado que não pode se voltar?
Estas questões têm sido questionadas, e acabam por nos libertar para histórias e envolvimentos que realmente fazem a diferença. Carregar todas as nossas antigas agendas (quando temos 40, 50, 60 ou mais) parece algo doentio e que não permite que o novo entre em nossa vida.
Uma vez uma paciente me disse: “eu não estou mais casada há 10 anos, por que tenho que passar o Natal com minha ex-sogra se nunca realmente fomos próximas?”. Estes desafios da maturidade, e chamo de desafios porque passam a ser momentos decisivos de nossas escolhas, são muito importantes. Eles permitem optar por coisas mais leves e recompor as peças deste capítulo de nossas vidas.
Aprendizagem importante no momento da maturidade: reconhecer as faltas, perdoar e ser mais tolerante. Aliás, o perdão é algo imprescindível no processo desta ampliação emocional.
Quem sabe assim, nós estaremos acompanhadas de pessoas que possam ser nossos amigos, amigos que escolhemos e que também puderam nos escolher: afetos do presente.
Dorli Kamkhagi - dkamkhagi@ig.com.br - é doutora em Psicologia Clinica, mestre em Gerontologia e pesquisadora Do Lim 27- Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.
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