
Peguei minha filha de 14 anos se masturbando e briguei com ela. Ela disse que faz isso há algum tempo e fiquei assustada. Masturbação é um problema? Qual é o tratamento?
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Querida leitora, a masturbação ainda é um tabu para algumas famílias e grupos religiosos.
A prática é atravessada por crenças infundadas e ideias distorcidas que surgiram na era cristã e colocavam na categoria de pecado todo ato sexual que levasse ao ‘desperdício’ do esperma e, por consequência, comprometesse a possibilidade daprocriação. Aliada à Igreja, a medicina da época chegou a classificar a masturbação como prejudicial à saúde. Tais crenças funcionaram – e talvez ainda funcionem em alguns casos – como um mecanismo de controle sobre a sexualidade e o prazer sexual.
Desta maneira, acabamos absorvendo algumas crendices, como: masturbar-se faz crescerem pelos nas mãos, provoca espinhas, cegueira, diminui a fertilidade, leva à impotência, fraqueza e loucura. Hoje sabemos que nada disso faz sentido e nem tem comprovação científica. É claro para nós que a masturbação não faz mal à saúde. Porém, o sentido de pecado ainda permanece..
Outra confusão comum é pensar na masturbação como um comportamento viciante, que impede a pessoa de ter o gozo com a penetração, sexo oral ou anal. O fato é que todo vício tem a ver com uma predisposição psicológica do indivíduo e não com uma prática qualquer.
O fruto de toda essa ignorância é fazer pais e professores se sentirem confusos e constrangidos quando precisam falar ou lidar com o flagrante do adolescente ou da criancinha manipulando seus genitais.
A repressão ou uma correção dura passam a mensagem de que a criança ou o adolescente estão fazendo alguma coisa errada e confirma o “proibido”. Além disso, com a bronca, a gente acaba reproduzindo por mais uma geração as mesmas crenças que dão origem aos sentimentos de culpa e a tantos problemas sexuais, como falta de orgasmo ou de excitação.
A masturbação é uma prática preventiva que vai ajudar sua filha a manter a saúde sexual. Com a prática ela passa a conhecer sua sensações corporais, experimenta o gozo, satisfaz o desejo e fica à vontade com sua própria sexualidade. Ela pode ser orientada a escolher ter o orgasmo num momento só dela, o que valida também seu direito à privacidade. Portanto, bata na porta do quarto antes de entrar, isso evitará, entre outras coisas, uma saia justa para ambas.
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Fátima Protti - delas_amoresexo@ig.com.br - Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal; pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente" - Site: www.fatimaprotti.com.br