“Muitos desejos inconscientes não estão em conformidade com nossa crença e a censura interna nem sempre é eficaz” explica colunista do Delas. Entenda

“Estou com minha esposa há 14 anos, não sou infiel e nem tenho vontade de trair. Nossa vida sexual é ativa, sem maiores problemas. No entanto, tenho a fantasia sexual de vê-la transando com outro homem. Sou católico, isso me deixa muito mal emocionalmente, mas durante o sexo me excita muito. Já fantasiamos durante a transa e foi ótimo. Por favor me ajude a entender essa contradição.”

Caro leitor, sua fantasia faz parte do rol das fantasias sexuais masculinas, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Universitário em Saúde Mental e o Instituto Philippe Pinel, ambos filiados à Universidade de Montreal (Canadá).

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Sabemos que as fantasias são importantes para o desenvolvimento pessoal e psicossexual, nos dando a possibilidade de obter satisfação e prazer nos desejos mais impossíveis, em geral devido à repressão de ordem moral ou religiosa.

Muitos desejos inconscientes não estão em conformidade com nossa realidade ou crença e a censura interna nem sempre é eficaz. A fantasia é a forma que encontramos para realizar um desejo inconsciente que foi frustrado, sem precisar concretizá-lo.

Para o catolicismo, o desejo sexual não é condenável porque ele é um instinto natural, cuja meta é a procriação. Porém, é condenável dar vazão e colocar em prática desejos e fantasias que são contrários às leis de Deus. De acordo com esse dogma, sua fantasia contém um dos sete pecados capitais que é a luxúria, satisfação desregrada dos desejos sexuais ou desejo passional e egoísta por todo prazer sensual e material.

Sua autocondenação está apenas em fantasiar, pois você não leva à prática o que diz o seu desejo. O sexo e a fantasia acontecem apenas entre você e sua parceira e com o consentimento dela, não gerando ameaça à sua união. Por enquanto é apenas um faz-de-conta, uma brincadeira que apimenta o sexo. Contudo, se o conflito persistir, minha dica é se esforçar para mudar a fantasia, quem sabe encontra outra que produza o mesmo efeito, sem causar conflitos desse tipo.

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Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro "Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br .

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