Não é fácil manter a motivação e o desejo numa relação de longa duração. Casal precisar entender que a vida muda e os parceiros precisam mudar junto com ela

Olá, tenho 61, dois filhos adultos e sou casado há 32 anos. Adoro a minha mulher e curto o corpo dela, mas ultimamente temos tido problemas no sexo. Minha esposa tem 58 anos e está na menopausa. Ela tem a vagina muito seca e pouca libido. Ela não pode tomar remédio e diz que não sente mais vontade de fazer sexo como antes. O que faço para recuperar o nosso prazer?

O desejo sexual é algo que varia ao longo de uma união. Existem fases em que o desejo está em alta, principalmente no início da vida a dois. Aos poucos, ele vai perdendo força, seja pela ausência do novo, seja por segurança, acomodação, rotina, entre outros fatores.

Não é fácil manter o desejo e a motivação numa frequência que satisfaça ambos. Em geral, o homem se mostra sempre mais disposto para o sexo, com menor ou nenhum esforço. A mulher necessita de um maior número de estímulos vindos do parceiro, uma combinação de atenção, carinho e sedução. Essa diferença acaba exigindo dos casais um investimento em tempo e energia na busca de sintonia.

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O problema é que na maioria dos casos a vontade de investir tempo e energia se esgota ao longo da união. Da mesma forma, as prioridades e necessidades de cada um dos parceiros deixam de se encaixar ao longo da vida.

Casal precisa mudar junto com a vida ou o desejo pode diminuir e até acabar na relação
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Casal precisa mudar junto com a vida ou o desejo pode diminuir e até acabar na relação

Enquanto para ele o sexo figura nas primeiras posições, como prioridade em sua vida, mesmo após certo tempo. Para ela, transar fica bem mais atrás. O sexo perde espaço para filhos, trabalho, descanso, cuidados com a saúde, tempo de convivência com a família e a vida social.

Esse quadro pode sofrer modificações. A diminuição do número de relações sexuais pode inclusive não ser algo negativo. A frequência pode cair, mas a qualidade do sexo pode melhorar, com os parceiros aprofundando a cumplicidade com o seguir dos anos. Por outro lado, o casal também pode caminhar para uma rotina sem qualquer interação sexual.

Tudo depende de como o casal lida com as mudanças pessoais e na vida a dois ao longo do tempo. 

Na menopausa – com o término da menstruação e significativas mudanças hormonais - a motivação e a libido feminina podem ser afetadas. A indisposição para a transa pode ser decorrente de vários sintomas, como por exemplo: ondas de calor, suores noturnos e a falta de lubrificação, ocasionando um sexo doloroso.

A reposição hormonal pode ser uma indicação médica para minimizar os sintomas. Além disso, outras medidas auxiliam nessa melhora: atividade física, exercícios de relaxamento, cuidados com a alimentação e a busca de prazeres – não só os sexuais.

Geralmente, o envelhecimento afeta significativamente a autoestima feminina. A mulher não se acha atraente sexualmente e se afasta da própria sexualidade.

Porém, para outras mulheres, essa fase pode ser propícia para o aumento de sua libido e disposição sexual. Sua história, condições atuais, orgânicas, emocionais e psicológicas influenciam diretamente nesse momento da vida.

Caro leitor, existe no mercado o gel lubrificante para ser usado durante as relações sexuais, próprio para mulheres que tem o ressecamento vaginal. Porém, a queda da libido pode estar também relacionada a outros fatores mencionados neste texto. O ginecologista e o terapeuta sexual poderão fazer uma melhor avaliação.

Por outro lado, uma maneira de resgatar o sexo depois de anos juntos é investir mais em atitudes de conquista e sedução. Você sabe o que mexe positivamente com o humor de sua esposa, conhece prazeres que geram momentos de alegria e descontração.

Investir no bem-estar dela pode aumentar a libido. Lembre-se de demonstrar carinho e atenção a sua mulher muito antes de ir para cama. Facilite o dia a dia dela, divida as tarefas do cotidiano. Isso pode deixá-la mais feliz com você e mais disposta ao prazer. Ficar insistindo para transar também não vai ajudar. Pior, pode afastá-la ainda mais do sexo.

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Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro "Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br .

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