Terapeuta sexual colunista do Delas responde à internauta ansiosa em corresponder a alta expectativa do novo namorado

Estou saindo com um cara, nos falamos pelo Whatsapp e trocamos mensagens picantes. Não transamos, mas já trocamos carícias íntimas. Ele me contou que fez uma namorada ter 27 orgasmos num dia. Ele diz que se não fizer uma mulher gozar no mínimo 10 vezes, ele não é homem. Quero transar com ele, mas agora estou bem insegura com medo de não corresponder à expectativa dele, pois numa transa de duas horas gozei no máximo 4 vezes. O que faço?

Atualmente, mais pessoas buscam uma melhor performance sexual. Porém, o exagero cria expectativa e medo de não corresponder ao desempenho pretendido. Isso gera insatisfações e frustrações durante o sexo.

Para os homens, sua performance está diretamente vinculada a sua virilidade, hoje menos no sentido da procriação e mais em dar prazer à mulher.

Essa valorização do desejo feminino pode ser sentida por muitos homens como uma complementação de sua própria satisfação sexual. Para os conquistadores, como uma autovalorização ou autoafirmação.

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Tentar traduzir o prazer em números mais atrapalha do que ajuda na satisfação sexual de um casal
Thinkstock/Getty Images
Tentar traduzir o prazer em números mais atrapalha do que ajuda na satisfação sexual de um casal


Mesmo tendo, muitas vezes, poucos conhecimentos sobre o desejo dos homens, as mulheres procuram satisfazer as expectativas masculinas. Mas, obviamente, elas também esperam ter prazer sexual em suas relações.

Cara leitora, sua preocupação está apenas em corresponder às expectativas dele, pouco se importando com o seu prazer. Já ele, parece estar mais interessado em cumprir sua própria meta, usando como referencial o sexo com outras mulheres.

Muitos homens acreditam equivocadamente que todas as mulheres são iguais, atuando sempre da mesma forma com elas, entendendo assim que o resultado não vai mudar.

O objetivo que ambos estão se propondo – você querendo ter no mínimo 10 orgasmos e ele querendo provar que é bom de cama – pode ter um resultado desastroso. Principalmente, se você entender que a incapacidade é sua para ter tantos orgasmos.

A transa só é ótima quando os amantes se sentem livres e se entregam ao prazer, sem a exigência de ser a (o) melhor na cama.

Recomendo que você aproveite bem a transa. Afinal, é um privilégio ter alguém tão bom de cama, como ele se autopromove. Lembre-se, quem precisa bater a meta é ele, não você. Deixa que ele se dedique, apenas curta o seu prazer. Bom sexo!

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* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro "Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br .

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