Sexóloga esclarece as origens, as vantagens e os riscos da cirurgia de remoção do prepúcio, um dos mais antigos procedimentos da humanidade

"Desejo há muitos anos realizar a circuncisão, tenho muito prepúcio, mas tenho vergonha de fazer. Como proceder?"

A circuncisão é um procedimento realizado em diferentes culturas, principalmente entre judeus e muçulmanos. Os motivos podem ser de cunho religioso, cultural, estético e de saúde.

A circuncisão, como sentido bíblico no Velho Testamento, representava a aliança entre Deus, Abraão e seus descendentes; entre Deus e o povo eleito.

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras
Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras

Para algumas culturas é um rito de passagem do menino no início da puberdade, como acontece em certos grupos étnicos sul-africanos, por exemplo, os xhosa. Nestes casos, o procedimento tem grande risco de desenvolver uma infecção podendo levar à morte ou à deformação do pênis, pela falta de higiene.

No que se refere à saúde, alguns estudos revelam que a circuncisão previne certas doenças como o câncer de pênis, DSTs, herpes genital e HIV. A justificativa pode estar na melhor higienização do órgão.

Em geral, para realizar a circuncisão é preciso uma indicação médica. A cirurgia se resume na remoção do prepúcio, pele que recobre a glande do pênis. Segundo especialistas, o procedimento é simples e as taxas de complicações pós-cirúrgica são baixas quando a cirurgia é realizada por um profissional qualificado. No site da Sociedade Brasileira de Urologia você pode encontrar esse especialista, de acordo com o Estado e a cidade onde reside.

Quanto ao risco de diminuição de sensibilidade do pênis com o passar do tempo, ainda é um assunto controverso. Existem trabalhos científicos que não mostram alteração na vida sexual do homem circuncidado. Além disso, queixas como essa podem também decorrer de uma condição psicológica daquele homem em especial.

Caro leitor, a circuncisão é um dos procedimentos mais antigos da humanidade, calcula-se que 1 entre 7 homens hoje passam pela cirurgia. Entendo que expor a intimidade para outra pessoa nem sempre é fácil, porém o profissional não está ali para fazer julgamentos, mas para avaliar e determinar se é ou não um caso cirúrgico. Não prolongue mais essa história, procure um urologista, quem sabe o seu desejo pode ser realizado.

* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro "Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br .

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