Sexóloga e colunista do Delas orienta como superar o medo de uma reação negativa do parceiro para aproveitar mais o sexo

"Fui abusada sexualmente quando criança e hoje, me culpo por não ter conhecido o sexo como qualquer outra pessoa, pois tenho certa dificuldade para expressar meus desejos para meu parceiro, fico tímida. Às vezes, durante a transa tenho vontade de ser dominada a força, ser mordida, mas não falo nada pois tenho medo que meu marido faça um julgamento errado. Ele sabe o que aconteceu comigo, me apoia, é muito compreensivo e carinhoso. Acho que por causa do meu passado ele tem medo de agir assim comigo, por achar que vou lembrar do ocorrido. Não sei o que fazer, como contar a ele sobre meus desejos, minhas fantasias. Sinto que sou capaz de melhorar no sexo, mas não sei como. Será que você pode me ajudar?"

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a violência sexual é um problema global que atinge pessoas de variados níveis socioeconômicos e faixas etárias em ambos os sexos. A entidade define como violência sexual qualquer ato, tentativa ou jogo sexual, concretizado mediante repressão, uso de força física, coerção ou ameaça de qualquer pessoa independente de suas relações com a vítima.

Já o abuso sexual de crianças é caracterizado por uma relação de poder, de desigualdade e subjugação psicológica sem necessariamente o uso da violência física. Geralmente, ele é praticado por pessoas mais velhas e do convívio da criança ou do adolescente. O abuso afeta o desenvolvimento da vítima gerando problemas emocionais, psicológicos, psiquiátricos e em muitos casos físicos.

Dentre os danos emocionais e psicológicos encontramos a culpa e o medo da intimidade com o sexo oposto. O adolescente pode apresentar retraimento para o namoro e na vida adulta podem aparecer disfunções e fobias sexuais, masturbação compulsiva, falta de satisfação, de prazer, de motivação sexual e ausência de orgasmo, entre tantos outros.

Fiz esse breve resumo, cara leitora, para que você entenda que o abuso sexual não lhe deu a opção de viver aspectos e fases de sua sexualidade de forma normal e gradativa. Portanto, você não tem culpa de absolutamente nada.

Quanto à timidez durante o sexo, entendi que ela está relacionada às fantasias de dominação com uma pitada agressividade e o medo de um julgamento negativo por parte do parceiro.

Nesse início, procurem usar fantasias mais brandas. Aos poucos você se sentirá mais à vontade para comunicar seus desejos e ele entenderá que tudo ali é apenas lúdico, é somente uma brincadeira.

Explorem bastante os sentidos, isso dará a você maior excitação e a possibilidade atingir o orgasmo na relação a dois.

* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro "Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.